quarta-feira, 14 de março de 2012

Padre Patrício

Fiz muitas coisas de que não me orgulho.
Que por vezes me dão um grande sentimento de culpa.
Nessas alturas penso no Professor de Religião e Moral, o Padre Patrício.
Quem não se lembra dele?
Figura atlética, possante, altiva.
Culto e inteligente.
Ele sabia que Deus vive num plano de existência diferente em que os seus alunos (e ele próprio) vivem: o plano da consciência!
Nós , os alunos, vivíamos no plano do sono. Interpretávamos tudo aquilo que ouvíamos, mas sempre através dos nossos próprios sonhos. E qualquer coisa que se criasse constituia um pecado.
Por isso o Senhor Padre Patrício passava invariavelmente pelos corredores distribuindo tabefes à esquerda e à direita (e já aqui se via uma clara metáfora).
Par aque os alunos não adormecessem.
Para que se mantivessem alerta.
Na altura isto era interpretado como um sinal de prepotência, de falta de diálogo, de maldade até.
Houve até quem se lembrasse da Inquisição.
Mas hoje, à distância de 4 décadas, faz-se luz: o que o Padre Patrício queria era que nos mantivéssemos acordados, despertos para a vida.
Cristo dá a religião, e a seguir ,as pessoas, em sono profundo, convertem-na numa Igreja.
A Verdade é convertida em dogmas.
Era para isso que o Padre Patrício, à sua maneira (quiçá a única possivel na época), nos queria alertar:
Despertem!
Fiquem acordados.
Façam o que eu faço, não o que eu digo.

Sem comentários:

Enviar um comentário