sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Portugal, a origem do mal - Conclusão

D levanta-se do enorme cadeirão onde se sentara durante a conversa, e passando a mão pelos ombros do amigo, dirigiu-se silenciosamente para uma das janelas sobranceiras a um frondoso jardim.

Após alguns momentos de silêncio, dirige-se ao amigo, sem contudo se virar:
- Meu amigo J, ninguém melhor que nós sabe que o poder, bem como a Felicidade, são transitórios, pois nos escapam constantemente, ou simplesmente deixam de existir de um momento para o outro, deixando-nos num estado de desespero, um gosto a cinza na boca e no espírito.
- Sim, esse é o nosso fardo, que transportamos por amor de Deus.
- E quando se trata do Poder da Europa, estamos a falar da vontade de Deus.
- Absolutamente, D.
- Estou preocupado com o que se passa no nosso país. Segundo sei o afastamento das leis do "déficit" faz-se aí de forma despudorada. Temos de travar isso imediatamente.
- Estou consciente desse perigo, melhor que ninguém. SarK, contudo, tem sido um defensor da nossa política.
- Sim, mas o que verdadeiramente me preocupa é o futuro, a sua sucessão.
Seria desastroso que o que se conseguiu até aqui tão arduamente fosse por água abaixo.
- A nossa influência na Ibéria é grande, a minha sobrinha Constança é casada com um primo do príncipe herdeiro, que apoia a nossa política, e a sua capacidade de persuadir o marido tem sido eficaz.
- Sei, D, tens feito um trabalho extraordinário, mas peço-te por Deus que penses numa solução a longo prazo.
DB esboça um sorriso, e após uns momentos de hesitação, duma mal disfarçada ansiedade , responde:
- Tenho uma solução perfeita, S.
Penso que com ela estará garantida a Felicidade dos contribuintes em Portugal, e a autoridade do Estado, que é a nossa, a minha e a tua, entendes.
Apenas necessito de algum tempo, esse bem precioso e incorpóreo que tantas vezes nos escapa.

Portugal - a origem do mal, parte V


- Conseguimos algo de muito valioso, sim, JS , pois a hierarquia política europeia foi reformada dum modo por todos aceite.
- Não sem alguma resistência, D, pois não é fácil, mesmo para os europeistas convictos como nós, abandonarmos o poder pessoal, a riqueza que nos advém dos cargos que ocupamos.
- Se falarmos então dos "off shores"…gracejou D.
- Com a graça de Deus conseguirás demover também os mais teimosos.
- Os alemães são muito mais renitentes, demasiado ricos para se preocuparem com Deus.
AM mantém-nos bem presos pela bolsa.
- Mas sei que te surgem novos apoios, colaboradores que lutam heroicamente pela verdade.
- Sim José, e são atitudes como essas que me enchem a alma de coragem e alegria para prosseguir a minha cruzada.
- Foi preciso muita coragem para teres decretado este ano, pela Quaresma, que os barões e nicolitas seriam excomungados se não renunciassem aos cargos ilegitimamente adquiridos, ou à presidência da sempresas fictícias, contrariamente à lei europeia.
- Ganhaste com isso um inimigo perigoso, ardiloso.
- SKOSI é um déspota, mas com a ajuda de Deus, conseguirei vencer, e comigo toda a Europa civilizada...

(continua...)

Portugal - a origem do mal, parte IV


O problema colocava-se nas grandes Empresas multinacionais que a Comissão europeia possuía.
Com efeito, nos últimos dez anos ela havia recebido numerosas doações de negócios falidos, e os barões e outros poltrões de toda a Europa administravam tais monopólios virtuais como grandes senhores feudais.
Surgia, assim, o problema político da relação temporal entre o Presidente da Comissão e os diferentes poderes políticos da CE.
Era natural que o PCE (Presidente da Comissão Europeia) exigisse uma certa sujeição temporal dos governos, enquanto senhor de grandes Empresas falidas na CE.
Mas, pouco a pouco, para assegurar essa fidelidade, os governos europeus passaram a nomear Comissários de sua confiança para as grandes áreas de actividade.
DB então investia-os com uma espécie de anel e báculo.
Não apenas lhes outorgava a área de intervenção como feudo, mas também decidia quem seria sagrado director.
Em vista disso, geralmente os candidatos às diversas comissões, tinham uma espécie de cheque em branco para conseguirem de qualquer forma a eleição.
A autoridade jurídica da CE sobre os Comissários assim nomeados perdia-se, porque eles ficavam sujeitos à autoridadepolítica do país ae origem.
Este tipo de investidura tornou-se, pouco a pouco, um facto consumado que era necessário erradicar, sob pena de a CE perder a sua independência.
E ainda, para piorar as coisas, os Comissários assim nomeados pelo PCE pretendiam que o seu cargo se transmitisse por herança à sua família.
Para isso, procuravam ter descendência, e não olhavam a meios par ao conseguir.
- Essa é a minha luta de mais de três anos, JS.
- E tem sido travada com a máxima sabedoria, meu amigo. As notícias das tuas sábias reformas têm chegado a Lisboa.
Rezo pelo teu sucesso, que é o nosso, incessantemente.
Os nossos contribuintes em Portugal também...


(continua...)

Portugal - a origem do mal, parte III

O estado de decadência em que se encontrava a CE fazia-o sofrer, ao mesmo tempo que aumentava a sua disposição e ânimo para uma autêntica luta.

- Mas agora és o Presidente, és o mais importante, e como tal estás em excelente posição para lutar pela Europa, por nós.
- Sem dúvida, meu amigo e é por isso que pedi que viesses a Bruxelas. Tenho um grande sonho que pretendo realizar em vida. Muita coisa está mal na Europa, no mundo civilizado.
- O espírito das trevas é muito poderoso e está a afastar as pessoas da Fé política. Sabes que tenho lutado contra isso toda a minha vida.
- Bem sei, meu amigo, tu és a excepção. A minha observação do mundo político diz-me que é muito difícil encontrar alguém como tu, pois raros são aqueles que chegam ao topo por vias legais, e que levem uma vida conveniente, conduzindo os seus eleitores(e contribuintes) no espírito de caridade, e em direcção ao redil.
- E se falarmos dos príncipes por aí espalhados…
- Não conheço nenhum que prefira a glória do seu país à sua própria glória, a justiça ao interesse…são piores que os judeus ou mesmo os pagãos!
- Como sabes, estou activamente empenhado e até aqui com sucesso, pela graça de Deus, na luta das investiduras, no que concerne a dádivas de regalias aos países da UE.
- Presidentes e Chefes de Governo de toda a Europa comportam-se como grandes senhores feudais, e sendo pessoas de pouca fé, veneram mais a propriedade que a Deus.
- Esse é o maior problema que se nos depara, pois a fidelidade, que devia ser dada à Europa e à Democracia, é canalizada para os "boys" que os empossaram.

(continua...)

Portugal - a origem do mal, parte II


JS, primeiro-ministro de Portugal e dos Portugueses e Portuguesas, viera visitar o amigo, um ano depois da sua investidura como Presidente da Comissão Europeia (CE), com o nome de José ou Joseph.
Era grande a amizade entre estes dois homens, que decidiram dedicar a sua vida à fé política.
DB nascera na diocese de Lisboa, filho de um pequeno proprietário de terras, e tornou-se primeiro-ministro de Portugal, na época em que JS dirigia o partido socialista, então como oposição, onde o espírito feudal iria encontrar o seu pleno equilíbrio católico.
O actual Presidente da CE, europeu convicto, impressiona os portugueses e o mundo, não só pela sua capacidade de trabalho e inteligência mas essencialmente por dominar fluentemente várias línguas.
Em Novembro de 2004, ali foram procurá-lo as altas esferas da CE ,com o intuito de o convidar a suceder ao italiano Prodi num cargo que mais ninguém queria, alegadamente por ser mal remunerado, e ser vazio de poder.
Tal método de designação de um Presidente da CE, válido na altura, revelar-se-ia abusivo. DB, como Presidente da CE, adoptou o nome de Cherne Joseph.
Levou o amigo VA consigo para Bruxelas e nomeou-o arquidiácono, primeira dignidade do Sacro Colégio de Comissários Europeus e administrador das Relações externas...


(continua...)

Portugal - a origem do mal, parte I


A sala estava mergulhada na penumbra e o ambiente era de grande austeridade, contrastando claramente com a afabilidade dos dois homens, DB e JS.

- O tempo é o mundo e a Eternidade é Deus, JS. Se quisermos assegurar a nossa passagem à Eternidade temos de controlar o mundo.
- Quer dizer, o homem, DB.
- Certamente meu amigo! Devemos garantir os interesses europeus, que são os nossos, através de uma mão de ferro no mundo civilizado.
- Tens de te acautelar, pois as forças contrárias são muitas e muito fortes. Podes contar com a minha colaboração incondicional.
- Agradeço-te meu amigo, e tenho de facto algo a pedir-te nesse sentido, de extrema importância para o futuro da Europa.
- Tudo o que estiver ao meu alcance.
- Entreguei-me de todo o coração a esta missão, JS, e nada nem ninguém me fará recuar. Tenho esperança que a velha Europa reencontre os caminhos da esperança há muito perdidos.
- Tens então esperança de ser bem sucedido…
- Se não tivesse esperanças em melhores tempos e em ser útil à Europa, não me tinha conservado em Bruxelas, Deus o sabe, como preso, durante três anos, entre uma dor que se renovava quotidianamente e uma esperança muito longínqua! Acometido por mil tempestades, a minha vida tem sido uma agonia continuada.