....“Teresa é que tem razão”, vai dizendo, uma vez mais, como se fosse a personagem principal daquele filme cujo nome não recorda, e em que os dias se repetem até à exaustão, qual Sísifo condenado a repetir-se diariamente, só que no seu caso ainda é pior pois fá-lo às escuras e em cuecas ou em pijama, e pensa naquela frase batida, velha, como na canção, que a esposa lhe dirige quando ele se lamen...ta, atribuindo-lhe qualidades que ele sabe não ter, dizendo que tinha sido parvo em não seguir uma carreira política que hoje estava bem melhor, sem problemas, com a vidinha feita como aqueles imbecis que pululam os governos e as assembleias do poder, onde tudo o que fazem e dizem são lugares-comuns ensaiados até à exaustão nos restaurantes e festas e viagens em primeira classe, se bem que digam que vão em económica, para simular aquela pobreza atribuível aos santos. .......
sexta-feira, 16 de março de 2012
A origem do mal - conclusão
Durão Barroso levanta-se do enorme cadeirão onde se sentara durante a conversa, e passando a mão pelos ombros do amigo, dirigiu-se silenciosamente para uma das janelas sobranceiras a um frondoso jardim.
Após alguns momentos de silêncio, dirige-se ao amigo, sem contudo se virar:
- Meu amigo Sócrates, ninguém melhor que nós sabe que o poder, bem como a Felicidade, são transitórios, pois nos escapam constantemente, ou simplesmente deixam de existir de um momento para o outro, deixando-nos num estado de desespero, um gosto a cinza na boca e no espírito.
- Sim, esse é o nosso fardo, que transportamos por amor de Deus.
- E quando se trata do Poder da Europa, estamos a falar da vontade de Deus.
- Absolutamente, Zé Manel.
- Estou preocupado com o que se passa no nosso país, Sócrates.
Segundo sei o afastamento das leis do "déficit" faz-se aí de forma despudorada.
Temos de travar isso imediatamente.
- Estou consciente desse perigo, melhor que ninguém. Sarkozy, contudo, tem sido um defensor da nossa política.
- Sim, mas o que verdadeiramente me preocupa é o futuro, a sua sucessão.
Seria desastroso que o que se conseguiu até aqui tão arduamente fosse por água abaixo.
- A nossa influência na Ibéria é grande, a minha sobrinha Constança é casada com um primo do príncipe herdeiro, que apoia a nossa política, e a sua capacidade de persuadir o marido tem sido eficaz.
- Sei, Durão, tens feito um trabalho extraordinário, mas peço-te por Deus que penses numa solução a longo prazo.
Durão Barroso esboça um sorriso, e após uns momentos de hesitação, duma mal disfarçada ansiedade , responde:
- Tenho uma solução perfeita, Sócrates.
Penso que com ela estará garantida a Felicidade dos contribuintes em Portugal, e a autoridade do Estado, que é a nossa, a minha e a tua, entendes.
Apenas necessito de algum tempo, esse bem precioso e incorpóreo que tantas vezes nos escapa.
Após alguns momentos de silêncio, dirige-se ao amigo, sem contudo se virar:
- Meu amigo Sócrates, ninguém melhor que nós sabe que o poder, bem como a Felicidade, são transitórios, pois nos escapam constantemente, ou simplesmente deixam de existir de um momento para o outro, deixando-nos num estado de desespero, um gosto a cinza na boca e no espírito.
- Sim, esse é o nosso fardo, que transportamos por amor de Deus.
- E quando se trata do Poder da Europa, estamos a falar da vontade de Deus.
- Absolutamente, Zé Manel.
- Estou preocupado com o que se passa no nosso país, Sócrates.
Segundo sei o afastamento das leis do "déficit" faz-se aí de forma despudorada.
Temos de travar isso imediatamente.
- Estou consciente desse perigo, melhor que ninguém. Sarkozy, contudo, tem sido um defensor da nossa política.
- Sim, mas o que verdadeiramente me preocupa é o futuro, a sua sucessão.
Seria desastroso que o que se conseguiu até aqui tão arduamente fosse por água abaixo.
- A nossa influência na Ibéria é grande, a minha sobrinha Constança é casada com um primo do príncipe herdeiro, que apoia a nossa política, e a sua capacidade de persuadir o marido tem sido eficaz.
- Sei, Durão, tens feito um trabalho extraordinário, mas peço-te por Deus que penses numa solução a longo prazo.
Durão Barroso esboça um sorriso, e após uns momentos de hesitação, duma mal disfarçada ansiedade , responde:
- Tenho uma solução perfeita, Sócrates.
Penso que com ela estará garantida a Felicidade dos contribuintes em Portugal, e a autoridade do Estado, que é a nossa, a minha e a tua, entendes.
Apenas necessito de algum tempo, esse bem precioso e incorpóreo que tantas vezes nos escapa.
Ter ou Ser?
O que é inacreditável é que nenhum verdadeiro esforço seja feito pelos políticos e governantes no sentido de evitar o que parece ser um decreto definitivo do destino português.
Enquanto ao nível da vida privada individual, ninguém, a não ser um louco, ficaria passivo face auma ameaça à sua própria existência, aqueles que se encontram à frente dos cargos públicos não fazem praticamente nada e os que colocaram o seu destino nas mãos deles, permitem que nada continuem a fazer.
Uma das explicações óbvias é o facto de os dirigentes levarem a cabo uma política brilhante de marketing, que lhes permite fingir que estão a tomar medidas efectivas para evitar a catástrofe anunciada: inúmeras conferências, resoluções, discursos sobre o Estado da Nação, discursos optimistas em horário nobre da televisão, vêm dar aos desatentos a impressão de que existe o reconhecimento da dimensão dos problemas sociais graves e de que algo está a ser feito no sentido de os resolver.
Nada de verdadeiramente importante acontece, mas tanto o Governo como os seus apoiantes partidários ou não, anestesiam a consciência e o desejo de mudança, transmitindo a imagem de conhecer bem o caminho e de estar a avançar na direção certa.
Por outro lado, o egoísmo nacional, gerado pelo sistema,faz com que os dirigentes valorizem mais o sucesso pessoal do que a responsabilidade pessoal.
Deixou de chocar que os governantes tomem decisões notoriamente do seu interesse pessoal (Acordo de Lisboa por exemplo), que simultaneamente são nocivas e perigosas para a comunidade.
Os Portugueses, historicamente afastados e desinteressados das coisas da vida pública, estão hoje, mais do que nunca, egoisticamente centrados nos seus próprios e inúmeros problemas, prestando muito pouca atenção a tudo o que transcende a pequena esfera do seu drama individual.
Enquanto ao nível da vida privada individual, ninguém, a não ser um louco, ficaria passivo face auma ameaça à sua própria existência, aqueles que se encontram à frente dos cargos públicos não fazem praticamente nada e os que colocaram o seu destino nas mãos deles, permitem que nada continuem a fazer.
Uma das explicações óbvias é o facto de os dirigentes levarem a cabo uma política brilhante de marketing, que lhes permite fingir que estão a tomar medidas efectivas para evitar a catástrofe anunciada: inúmeras conferências, resoluções, discursos sobre o Estado da Nação, discursos optimistas em horário nobre da televisão, vêm dar aos desatentos a impressão de que existe o reconhecimento da dimensão dos problemas sociais graves e de que algo está a ser feito no sentido de os resolver.
Nada de verdadeiramente importante acontece, mas tanto o Governo como os seus apoiantes partidários ou não, anestesiam a consciência e o desejo de mudança, transmitindo a imagem de conhecer bem o caminho e de estar a avançar na direção certa.
Por outro lado, o egoísmo nacional, gerado pelo sistema,faz com que os dirigentes valorizem mais o sucesso pessoal do que a responsabilidade pessoal.
Deixou de chocar que os governantes tomem decisões notoriamente do seu interesse pessoal (Acordo de Lisboa por exemplo), que simultaneamente são nocivas e perigosas para a comunidade.
Os Portugueses, historicamente afastados e desinteressados das coisas da vida pública, estão hoje, mais do que nunca, egoisticamente centrados nos seus próprios e inúmeros problemas, prestando muito pouca atenção a tudo o que transcende a pequena esfera do seu drama individual.
Tempo
Sempre perfilhei a ideia de que Deus é tempo---Deus, ou pelo menos o Seu espírito.
Talvez a ideia seja até da minha autoria, já não me lembro.
De qualquer maneira, sempre pensei que se o Espírito de Deus se moveu sobre a face das águas, as águas tiveram forçosamente que o reflectir.
Daí a minha predilecção pelos seus sulcos, rugas e ondulações, e – sendo eu um homem do Sul, pela sua luminosidade.
Acho, muito simplesmente, que a água é a imagem do tempo, e sempre que chega o Ano Novo esforço-me de forma um tanto ou quanto pagã, por estar perto da água, de preferência um mar ou um oceano, para assistir à emergência de uma nova dose, de uma nova chávena rasa de tempo, como diria Lao Tsu.
Acho, muito simplesmente, que a água é a imagem do tempo, e sempre que chega o Ano Novo esforço-me de forma um tanto ou quanto pagã, por estar perto da água, de preferência um mar ou um oceano, para assistir à emergência de uma nova dose, de uma nova chávena rasa de tempo, como diria Lao Tsu.
Não procuro uma mulher nua a navegar numa concha: procuro uma nuvem ou uma crista de vaga que se quebre na praia à meia-noite.
Isso para mim é o tempo a sair da água, e deixo-me ficar a olhar para o desenho rendilhado que fica na praia, não com a veneração dos ciganos, mas com ternura e gratidão…
Deus
A questão suprema é esta e só esta: Deus existe ou Deus não existe.
Se não há Deus, a vida, produto do acaso, é uma mistificação.
Aproveitemo-la para satisfazer instintos e paixões.
Se Deus existe, não há força que me detenha.
Não há palavras, nem regras, nem leis.
Tudo é permitido.
Questão lógica: pois eu hei-de ir para a cova, para todo o sempre, para toda a eternidade, sem ter extraído da vida tudo que ela me possa dar, preso a palavras ou a meras questões formais? Oh! Ponhamos a questão, consciência: se Deus existe, tu não és senão um estorvo, meia duzia de regras aprendidas ou herdadas!
Ponhamos enfim a questão com toda a clareza, porque este é o único problema que me importa e que te importa resolver.
Se não há Deus, a vida, produto do acaso, é uma mistificação.
Aproveitemo-la para satisfazer instintos e paixões.
Se Deus existe, não há força que me detenha.
Não há palavras, nem regras, nem leis.
Tudo é permitido.
Questão lógica: pois eu hei-de ir para a cova, para todo o sempre, para toda a eternidade, sem ter extraído da vida tudo que ela me possa dar, preso a palavras ou a meras questões formais? Oh! Ponhamos a questão, consciência: se Deus existe, tu não és senão um estorvo, meia duzia de regras aprendidas ou herdadas!
Ponhamos enfim a questão com toda a clareza, porque este é o único problema que me importa e que te importa resolver.
Convicções
Há pelo menos dois requisitos fundamentais para a formação de uma convicção genuína: informação adequada e consciência de que a atitude que se tomar terá um efeito real.
As opiniões dos espectadores ou do público em geral, sem poder, não expressam a sua convicção..
São apenas um jogo como o de manifestar preferência por esta ou aquela marca de cigarros.
Por estes motivos, as opiniões expressas nas sondagens ou nas eleições constituem o pior e não o melhor julgamento humano.
E também nos blogues.
Este facto é confirmado pelos seguintes exemplos: As decisões das pessoas nos seus assuntos particulares, principalmente nos negócios e, quando são jurados em tribunais, são d elonge superiores ao nível das suas decisões políticas.
Nos tribunais os jurados são cidadãos comuns que têm de tomar decisões em casos muito complexos e de difícil compreensão.
Mas os membros desse juri têm acesso a toda a informação necessária, é-lhes dada a possibilidade de discutirem longamente e sabem que a sua decisão será crucial para a vida e felicidade das pessoas que estão a ser julgadas.
O resultado disto é que, dum modo geral, tais decisões revelam uma grande dose de compreensão profunda e objectividade.
Pelo contrário, os indivíduos desinformados, semi-hipnotizados e sem qualquer poder não podem expressar sérias convicções.
Sem informação, sem a deliberação e o poder de tornar a sua decisão eficaz, a expressão de opinião "democrática" pouco mais representa do que os aplausos num evento desportivo.
As opiniões dos espectadores ou do público em geral, sem poder, não expressam a sua convicção..
São apenas um jogo como o de manifestar preferência por esta ou aquela marca de cigarros.
Por estes motivos, as opiniões expressas nas sondagens ou nas eleições constituem o pior e não o melhor julgamento humano.
E também nos blogues.
Este facto é confirmado pelos seguintes exemplos: As decisões das pessoas nos seus assuntos particulares, principalmente nos negócios e, quando são jurados em tribunais, são d elonge superiores ao nível das suas decisões políticas.
Nos tribunais os jurados são cidadãos comuns que têm de tomar decisões em casos muito complexos e de difícil compreensão.
Mas os membros desse juri têm acesso a toda a informação necessária, é-lhes dada a possibilidade de discutirem longamente e sabem que a sua decisão será crucial para a vida e felicidade das pessoas que estão a ser julgadas.
O resultado disto é que, dum modo geral, tais decisões revelam uma grande dose de compreensão profunda e objectividade.
Pelo contrário, os indivíduos desinformados, semi-hipnotizados e sem qualquer poder não podem expressar sérias convicções.
Sem informação, sem a deliberação e o poder de tornar a sua decisão eficaz, a expressão de opinião "democrática" pouco mais representa do que os aplausos num evento desportivo.
kafkiano
A sala era enorme e estava aparentemente vazia, na obscuridade.
Seria possível que esta fosse a sala onde iria fazer tão importantes exames?
Não avistava ninguém, e como estava cansado, quis sentar-se, mas não encontrou nenhuma cadeira, apenas um pequeno banco de madeira.
Resolveu sentar-se e esperar pacientemente que alguém aparecesse com instruções.
Lentamente ia adaptando a sua vista à escuridão, e pareceu-lhe vislumbrar ao fundo, à direita, algo que se parecia com uma porta, ou mesmo duas, dispostas simetricamente em relação a uma pequena saliência na parede.
Reparou também que não havia luz eléctrica, e ao voltar-se ocasionalmente para trás, verificou com crescente surpresa que a sala se prolongava nessa direcção, como se de um reflexo num espelho se tratasse, e mais curioso ainda, na parede de fundo ardia uma vela, pesada e grossa, que, em vez de iluminar o amplo espaço, ainda proporcionava uma atmosfera mais sombria e estranha.
- Quero agora que examines a tua consciência, disse a voz, que parecia vir do fundo da sala......
Seria possível que esta fosse a sala onde iria fazer tão importantes exames?
Não avistava ninguém, e como estava cansado, quis sentar-se, mas não encontrou nenhuma cadeira, apenas um pequeno banco de madeira.
Resolveu sentar-se e esperar pacientemente que alguém aparecesse com instruções.
Lentamente ia adaptando a sua vista à escuridão, e pareceu-lhe vislumbrar ao fundo, à direita, algo que se parecia com uma porta, ou mesmo duas, dispostas simetricamente em relação a uma pequena saliência na parede.
Reparou também que não havia luz eléctrica, e ao voltar-se ocasionalmente para trás, verificou com crescente surpresa que a sala se prolongava nessa direcção, como se de um reflexo num espelho se tratasse, e mais curioso ainda, na parede de fundo ardia uma vela, pesada e grossa, que, em vez de iluminar o amplo espaço, ainda proporcionava uma atmosfera mais sombria e estranha.
- Quero agora que examines a tua consciência, disse a voz, que parecia vir do fundo da sala......
Medo
O medo é uma doença que transportamos em nós, em estado latente, e que percorre os filamentos da nossa consciência, estimulando-os, até que eles aqueçam ao rubro.
Nessa altura compreendemos também que não há por onde escolher: aquilo que pensávamos ser a ausência de medo revela afinal não ser mais do que uma tentativa espasmódica de o excluir da nossa existência.
Na nossa desesperada situação, achamos talvez que tudo se pode equilibrar sobre um pilar de medo e começamos a preparar-nos para viver de acordo com esse conhecimento.
Então, inesperadamente, encontramos a serpente e acontece o que há de mais deplorável: os que se recusam a admiti-lo, levantam-se e declaram que nunca tiveram medo, quem borrou as calças foi o vizinho do lado.
Nessa altura compreendemos também que não há por onde escolher: aquilo que pensávamos ser a ausência de medo revela afinal não ser mais do que uma tentativa espasmódica de o excluir da nossa existência.
Na nossa desesperada situação, achamos talvez que tudo se pode equilibrar sobre um pilar de medo e começamos a preparar-nos para viver de acordo com esse conhecimento.
Então, inesperadamente, encontramos a serpente e acontece o que há de mais deplorável: os que se recusam a admiti-lo, levantam-se e declaram que nunca tiveram medo, quem borrou as calças foi o vizinho do lado.
Instinto e razão
Será que no nosso íntimo procuramos realmente a felicidade?
Ou procuramos a paixão, a vertigem, o êxtase?
Talvez alguns procurem de facto a felicidade e sejam capazes de a prender quando esvoaça, mas outros...outros olham-na intensamente à distancia, esboçam até, por vezes, um gesto na sua direcção e esforçam-se furiosamente por contrariar as marés do corpo e da alma que, incompreensivelmente, teimam em não querer "aquilo".
Já vos aconteceu pensar que, se se apaixonassem por determinada pessoa ou até se fossem capazes de amá-la sem paixão, seriam felizes?
Já se cruzaram com homens ou mulheres que seriam o ideal para vocês se ao menos os pudessem amar?
A história repete-se.
Desfilam pela nossa vida pessoas boas, excepcionalmente boas, generosas, inteligentes, sensíveis e sobretudo, capazes de amar, de nos amar.
Amar verdadeiramente, profundamente.
Mas por uma qualquer maldade do destino, rejeitamos essas pessoas com as vísceras.
Queremo-las como amigas, só como amigas.
Não suportamos os seus olhares embevecidos de pedintes, os olhares lascivos, de soslaio, a ternura com que tentam cercar-nos num ninho amoroso.
Quem nos dera poder apagar desses rostos tudo o que não queremos ver, apagar com um só sopro, essa vela impertinente que se mantém acesa neles a despeito da nossa sinceridade, até por vezes, da nossa crueldade.
Como é possível sentir repugnância por alguém cujo único crime é amar-nos?
Como é possível gostar de tudo numa pessoa menos do amor que sente por nós?
Esforçamo-nos para que deixem de nos amar e falhamos sucessivamente; esforçamo-nos por aceitar que nos amem e falhamos sucessivamente.
O amor.
Que estranho labirinto este onde nos perdemos tantas e tantas vezes.
Porque se deseja aquilo que, de antemão se sabe, não nos trará felicidade?
Como se contraria este desejo?
Quando conseguiremos, finalmente, submeter o instinto à razão?
Ou procuramos a paixão, a vertigem, o êxtase?
Talvez alguns procurem de facto a felicidade e sejam capazes de a prender quando esvoaça, mas outros...outros olham-na intensamente à distancia, esboçam até, por vezes, um gesto na sua direcção e esforçam-se furiosamente por contrariar as marés do corpo e da alma que, incompreensivelmente, teimam em não querer "aquilo".
Já vos aconteceu pensar que, se se apaixonassem por determinada pessoa ou até se fossem capazes de amá-la sem paixão, seriam felizes?
Já se cruzaram com homens ou mulheres que seriam o ideal para vocês se ao menos os pudessem amar?
A história repete-se.
Desfilam pela nossa vida pessoas boas, excepcionalmente boas, generosas, inteligentes, sensíveis e sobretudo, capazes de amar, de nos amar.
Amar verdadeiramente, profundamente.
Mas por uma qualquer maldade do destino, rejeitamos essas pessoas com as vísceras.
Queremo-las como amigas, só como amigas.
Não suportamos os seus olhares embevecidos de pedintes, os olhares lascivos, de soslaio, a ternura com que tentam cercar-nos num ninho amoroso.
Quem nos dera poder apagar desses rostos tudo o que não queremos ver, apagar com um só sopro, essa vela impertinente que se mantém acesa neles a despeito da nossa sinceridade, até por vezes, da nossa crueldade.
Como é possível sentir repugnância por alguém cujo único crime é amar-nos?
Como é possível gostar de tudo numa pessoa menos do amor que sente por nós?
Esforçamo-nos para que deixem de nos amar e falhamos sucessivamente; esforçamo-nos por aceitar que nos amem e falhamos sucessivamente.
O amor.
Que estranho labirinto este onde nos perdemos tantas e tantas vezes.
Porque se deseja aquilo que, de antemão se sabe, não nos trará felicidade?
Como se contraria este desejo?
Quando conseguiremos, finalmente, submeter o instinto à razão?
Seminário S.José
Olhando para esta foto que mostra um aspecto do lanche oferecido pelo Seminário de Faro aos miúdos que fizeram a primeira comunhão, em 1960, não posso deixar de sorrir vagamente.
Reconheço a maioria mas lamentavelmente apenas relembro o nome do Idalécio, meu saudoso colega, vizinho no Bairro e hoje penso que a viver no Canadá; relembro ainda o Henrique, um amigo verdadeiro com uns pais espectaculares que me ofereceram tardes magníficas de convívio.
Que foi feito deles e de todos os outros?
Eu estou bem no meio, e o meu olhar já denota uma certa inquietação.
Será que a crença num mundo espiritual lhes tirou a Esperança e lhes deu a Certeza?
Espero que não e que continuem com os seus sonhos.
Um abraço para todos, agora que os retirei do baú.
Fraude
Há quem julgue que, para além da grande fraude original, uma fraude mais pequena é preparada especialmente apenas para si em todos os casos.
Há de facto quem veja assim a sua vida, como que um espectáculo particular dentro de um outro, mais gigantesco, mas não mais complexo, que é a vida de toda a humanidade.
Ou seja, imaginam a sua vida, os seus problemas e dramas como se de uma história de amor representada num palco se tratasse: a actriz, para além de dirigir um sorriso mentiroso ao seu amante, dirige também um sorriso particularmente traiçoeiro a um determinado espectador no ultimo balcão.
É a isto que se chama ir longe demais...
Há de facto quem veja assim a sua vida, como que um espectáculo particular dentro de um outro, mais gigantesco, mas não mais complexo, que é a vida de toda a humanidade.
Ou seja, imaginam a sua vida, os seus problemas e dramas como se de uma história de amor representada num palco se tratasse: a actriz, para além de dirigir um sorriso mentiroso ao seu amante, dirige também um sorriso particularmente traiçoeiro a um determinado espectador no ultimo balcão.
É a isto que se chama ir longe demais...
Intrusão
A rapariga hesita mas acaba por colocar o preservativo no sexo do namorado com a boca.
Tarefa complicada? Talvez, mas exequível, pelos vistos.
O que é que a perturba?
O que é que lhe abala o coração?
Quem é que tacteia no puxador da porta?
Quem é que a chama da estrada sem contudo correr pela porta aberta?
Ah!
É precisamente aquele que perturbas, aquele a quem abalas o coração,
Aquele à porta de quem tacteias,
Aquele que chama da estrada e pela porta do qual não queres entrar.
Tarefa complicada? Talvez, mas exequível, pelos vistos.
O que é que a perturba?
O que é que lhe abala o coração?
Quem é que tacteia no puxador da porta?
Quem é que a chama da estrada sem contudo correr pela porta aberta?
Ah!
É precisamente aquele que perturbas, aquele a quem abalas o coração,
Aquele à porta de quem tacteias,
Aquele que chama da estrada e pela porta do qual não queres entrar.
Poupar no IRS
Uma das manifestações de inteligência é sem duvida a capacidade de reunir todos os fragmentos que surjam e nos possam ajudar de algum modo, seja no amor ou na vida tributária.
Nesse sentido escrevo a seguinte história verídica, usada como anedota, para não ferir susceptibilidades nos mais conservadores em termos de sexologia.
Um casal de jovens chega ao consultório de um médico terapeuta sexual.
O médico pergunta:- O que posso fazer por vocês?
O rapaz responde: - Você poderia ver-nos a fazer sexo!
O médico olha espantado, mas concorda.
Quando termina, o médico diz: - Não há nada mal na maneira como vocês fazem sexo.
O médico cobra 70,00 € pela consulta.
Esta situação repete-se por varias semanas... O casal marca um horário, faz sexo sem nenhum problema, paga ao médico e deixa o consultório.
Finalmente o médico resolve perguntar:- Afinal, o que é que vocês estão a tentar descobrir? E o rapaz responde: - Nada, o problema é que ela é casada e eu não posso ir a casa dela. Eu também sou casado e ela não pode ir a minha casa. No Hotel Tivoli, um quarto custa 180,00 Euros. No Hotel Holliday Inn custa 100,00 Euros.Aqui, nós fazemos sexo por 70,00 Euros, temos acompanhamento médico, é passado um recibo, sou reembolsado em 42,00 € pela Médis e ainda consigo uma restituição do IRS de 19,25 €.
Se não o fizeram em 2007, ainda estão atempo de o fazer em 2008.
Take it easy but take it.
Nesse sentido escrevo a seguinte história verídica, usada como anedota, para não ferir susceptibilidades nos mais conservadores em termos de sexologia.
Um casal de jovens chega ao consultório de um médico terapeuta sexual.
O médico pergunta:- O que posso fazer por vocês?
O rapaz responde: - Você poderia ver-nos a fazer sexo!
O médico olha espantado, mas concorda.
Quando termina, o médico diz: - Não há nada mal na maneira como vocês fazem sexo.
O médico cobra 70,00 € pela consulta.
Esta situação repete-se por varias semanas... O casal marca um horário, faz sexo sem nenhum problema, paga ao médico e deixa o consultório.
Finalmente o médico resolve perguntar:- Afinal, o que é que vocês estão a tentar descobrir? E o rapaz responde: - Nada, o problema é que ela é casada e eu não posso ir a casa dela. Eu também sou casado e ela não pode ir a minha casa. No Hotel Tivoli, um quarto custa 180,00 Euros. No Hotel Holliday Inn custa 100,00 Euros.Aqui, nós fazemos sexo por 70,00 Euros, temos acompanhamento médico, é passado um recibo, sou reembolsado em 42,00 € pela Médis e ainda consigo uma restituição do IRS de 19,25 €.
Se não o fizeram em 2007, ainda estão atempo de o fazer em 2008.
Take it easy but take it.
O Político, o assessor e o filósofo
Major: - Mas de quem foi o raio da ideia de difundir nesta campanha a música de Vangelis? Será que só eu é que penso, nesta campanha? Querem que os gajos que lhes garantem o sustento se cultivem, se comecem a interrogar?
Metam a merda da música do Zé Cabra!
Metam a merda da música do Zé Cabra!
Assessor: - Mas, Major, todas as teorias de comunicação apontam para o facto de se dever elevar o nível da mensagem, e eu pensei…
Major:- Pensou mas pensou mal…não basta tirar um curso na Católica, usar gravata até ao umbigo e pensar que sabe mais que a gente que aqui anda há um ror de anos a expor-se nesta luta tramada. Vá por mim, Faria, esta gente só lhe vem comer à mão se lhe dermos o que eles querem, ouviu? Não se esqueça disto: enquanto houver burros tem de haver quem os pique!
Assessor: Com certeza, Major, mas contudo não entendo porque temos de continuar a aliciar as crianças em idade escolar e muito menos porque se gastam rios de dinheiro com a distribuição de electrodomésticos, dinheiro esse que faz imensa falta para as acções definitivas, como o Major bem sabe!
Major: Faria, será que tenho de lhe ensinar tudo? Acha que eu ia jogar dinheiro assim fora? Não reparou que eu distribuí esses aparelhos em zonas concelhias ainda não servidas de energia eléctrica? Toda a gente devolverá mais cedo ou mais tarde os aparelhos pois nem espaço têm para os colocar em casa e não sabem que lhes fazer! E já agora, Faria, assegure-se que as canetas são entregues a quem delas não saiba fazer uso, entende? Esse é o grande objectivo da nossa política: proporcionar o chamado prazer imediato ao povo.
Sócrates: Major, se a medicina trata dos discursos relativos à doença e à saúde, qual o tipo de discurso de que trata a retórica política?
Major: Todos os discursos políticos produzem, através da acção, efeitos concretos. Com a retórica estamos perante a arte da palavra e portanto ela dispensa a acção. O objectivo principal da retórica é a persuasão, a capacidade de convencer os outros, quer sejam os juízes do apito dourado ou o povo.
Sócrates: - Mas qual é afinal, de entre as realidades existentes, aquela que constitui o objecto dos discursos próprios da retórica?
Assessor: - A persuasão da retórica tem por objectivo a justiça!
Sócrates: - A retórica é então obreira de uma persuasão produzida pela crença e não pela ciência, sobre o justo e o injusto? Significa então que ser persuasivo não significa estar dentro da razão, mas apenas ter dotes oratórios?
Não precisa pois o orador de conhecer a natureza das coisas, mas apenas encontrar um meio qualquer de persuasão que o faça aparecer aos olhos dos ignorantes como mais entendido que os entendidos?
Major: - Lá está você com essa treta das filosofias. O importante é dar felicidade às pessoas, tão tristes elas andam e se pudermos melhorar a sua vida enquanto melhoramos a nossa, tanto melhor, para quê complicar? Se apenas conseguirmos melhorar a nossa, ninguém, ninguém, ouviu, poderá acusar-nos de não termos tentado! Afinal podemos errar, somos apenas homens!
Sócrates: - Acha então, Major, que o orador não precisa de saber de medicina para convencer alguém a tomar um medicamento, mas será que se passa o mesmo em relação à justiça, ao bem e ao belo? Para que possas fazer de Faria um orador, é preciso que ele conheça o justo e o injusto, quer tenha adquirido este conhecimento anteriormente, quer o tenha recebido mais tarde de si, Major. O bom orador então será aquele que pratica apenas acções justas.
Assessor: - Receio que a verdade seja um pouco chocante! Aquilo a que eu dou o nome de retórica é parte de um todo que não é, de modo algum, uma coisa bela. A retórica destina-se a produzir um certo agrado e prazer, não é uma arte, e pouco importa que se domine totalmente o tema abordado.
Sócrates: - Podemos então concluir que a retórica política não tem por objectivo procurar a verdade, elucidar, e só resulta quando um ignorante se dirige a uma multidão de ignorantes, abordando um tema que todos desconhecem?
Major: - Ora aí está,! Faria, ponha os olhos neste homem, ele está aqui há apenas 5 minutos e já entendeu! Vá lá imediatamente pôr a música do Cabra e ofereça as canetas dos chineses, por amor de Deus! E depressa, antes que eu esqueça o discurso que tive a trabalheira de decorar esta noite na reunião da Metro, sobre Razão e Poder..
Mexa-se homem!
Levemente, a noite passada, por entre o silêncio da cidade que passou dos sonhos a um sono sem sonhos, como um amante fatigado que cessou as suas carícias, ouvi o som de cascos de cavalos na rua.
Mais forte o som, agora que se aproxima da ponte; e, por um momento, quando passam junto das janelas fechadas do enorme edifício medieval, o silêncio é fendido pelo seu tropel, como por uma flecha.
Agora, já se ouvem ao longe ferraduras que brilham no meio da noite pesada, como jóias, trotando pelos campos adormecidos até ao final da viagem - com que fim? -, levando que novas? - e porque vou eu sentado ao lado do cocheiro?
Mais forte o som, agora que se aproxima da ponte; e, por um momento, quando passam junto das janelas fechadas do enorme edifício medieval, o silêncio é fendido pelo seu tropel, como por uma flecha.
Agora, já se ouvem ao longe ferraduras que brilham no meio da noite pesada, como jóias, trotando pelos campos adormecidos até ao final da viagem - com que fim? -, levando que novas? - e porque vou eu sentado ao lado do cocheiro?
Doca de Faro
O feitiço dos braços e dos sons.Os braços negros dos navios altos, na Doca, que se recortam contra a lua nesta latitude, com as suas histórias de nações distantes.
Estendem-se dizendo: Estamos sós - vem.
E as vozes dizem como eles: Somos teus irmãos.
E o ar fica espesso na sua companhia, quando elas, as vozes, me chamam, a mim, seu amigo desconhecido, seu igual, preparando-me para partir, agitando as asas da sua exultante e terrível amizade.
Comecei por ter uma discussão com a minha mãe, que me visitou.
Assunto: religião.
Para me escapar, opus o relacionamento entre Jesus e o Pai ao de Maria e o seu filho.
Disse que a religião não é uma maternidade.
A mãe mostrou-se indulgente.
Disse que eu tenho uma mentalidade estranha e que li de mais.
Que sou tal e qual o pai.
Não é verdade. Li pouco e compreendi ainda menos.
Depois, ela disse que eu haveria de regressar à religião pois tinha um espírito inquieto.
Isto quer dizer sair da Igreja pela porta das traseiras do pecado e voltar a entrar pela clarabóia do arrependimento.
Não posso arrepender-me.
Disse-lhe isso e depois dei-lhe um beijo.
Riu-se e disse és incorrigível, assim não encontras quem queira viver contigo.
Eu disse que o que queria era conseguir viver de bem comigo.
Estendem-se dizendo: Estamos sós - vem.
E as vozes dizem como eles: Somos teus irmãos.
E o ar fica espesso na sua companhia, quando elas, as vozes, me chamam, a mim, seu amigo desconhecido, seu igual, preparando-me para partir, agitando as asas da sua exultante e terrível amizade.
Comecei por ter uma discussão com a minha mãe, que me visitou.
Assunto: religião.
Para me escapar, opus o relacionamento entre Jesus e o Pai ao de Maria e o seu filho.
Disse que a religião não é uma maternidade.
A mãe mostrou-se indulgente.
Disse que eu tenho uma mentalidade estranha e que li de mais.
Que sou tal e qual o pai.
Não é verdade. Li pouco e compreendi ainda menos.
Depois, ela disse que eu haveria de regressar à religião pois tinha um espírito inquieto.
Isto quer dizer sair da Igreja pela porta das traseiras do pecado e voltar a entrar pela clarabóia do arrependimento.
Não posso arrepender-me.
Disse-lhe isso e depois dei-lhe um beijo.
Riu-se e disse és incorrigível, assim não encontras quem queira viver contigo.
Eu disse que o que queria era conseguir viver de bem comigo.
Depois estaria preparado para o mundo.
Velha mãe,eu talvez não fizesse a viagem que fizeste.
Meus amigos desconhecidos,agradeço-vos sensibilizado os vossos cuidados.
Como disse alguém, por vezes as coisas mais simples são as de mais difícil aceitação.
Velha mãe,eu talvez não fizesse a viagem que fizeste.
Meus amigos desconhecidos,agradeço-vos sensibilizado os vossos cuidados.
Como disse alguém, por vezes as coisas mais simples são as de mais difícil aceitação.
Sísifo
Regresso lentamente!
Apesar de conhecermos os riscos daquilo que decidimos fazer, nunca nos passa pela mente que tal nos possa custar a vida.
Sempre achei fascinante a história daquele velho chinês que, ao deitar-se, tranquilamente, todas as noites, virava de boca para baixo uma chávena de chá, que entretanto bebera.
Penso que tal gesto pode ser interpretado como sendo alusivo a um dia cheio, completo, sem nenhuma falha.
Mas nunca a entendi realmente.
Para mim, o renascer diario é mais um castigo para a imperfeição humana.
Fôssemos nós capazes de ter um dia perfeito, e não seríamos obrigados a repeti-lo.
Completar a tarefa num único dia.
Mas tal parece que apenas é permitido a uma espécie rara de borboletas na Mata Atlântica.
Estarei eu completamente enganado?
Será que a vida é apenas para viver?
Apesar de conhecermos os riscos daquilo que decidimos fazer, nunca nos passa pela mente que tal nos possa custar a vida.
Sempre achei fascinante a história daquele velho chinês que, ao deitar-se, tranquilamente, todas as noites, virava de boca para baixo uma chávena de chá, que entretanto bebera.
Penso que tal gesto pode ser interpretado como sendo alusivo a um dia cheio, completo, sem nenhuma falha.
Mas nunca a entendi realmente.
Para mim, o renascer diario é mais um castigo para a imperfeição humana.
Fôssemos nós capazes de ter um dia perfeito, e não seríamos obrigados a repeti-lo.
Completar a tarefa num único dia.
Mas tal parece que apenas é permitido a uma espécie rara de borboletas na Mata Atlântica.
Estarei eu completamente enganado?
Será que a vida é apenas para viver?
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