sexta-feira, 16 de março de 2012

A origem do mal - conclusão

Durão Barroso levanta-se do enorme cadeirão onde se sentara durante a conversa, e passando a mão pelos ombros do amigo, dirigiu-se silenciosamente para uma das janelas sobranceiras a um frondoso jardim.
Após alguns momentos de silêncio, dirige-se ao amigo, sem contudo se virar:
- Meu amigo Sócrates, ninguém melhor que nós sabe que o poder, bem como a Felicidade, são transitórios, pois nos escapam constantemente, ou simplesmente deixam de existir de um momento para o outro, deixando-nos num estado de desespero, um gosto a cinza na boca e no espírito.
- Sim, esse é o nosso fardo, que transportamos por amor de Deus.
- E quando se trata do Poder da Europa, estamos a falar da vontade de Deus.
- Absolutamente, Zé Manel.
- Estou preocupado com o que se passa no nosso país, Sócrates.
Segundo sei o afastamento das leis do "déficit" faz-se aí de forma despudorada.
Temos de travar isso imediatamente.
- Estou consciente desse perigo, melhor que ninguém. Sarkozy, contudo, tem sido um defensor da nossa política.
- Sim, mas o que verdadeiramente me preocupa é o futuro, a sua sucessão.
Seria desastroso que o que se conseguiu até aqui tão arduamente fosse por água abaixo.
- A nossa influência na Ibéria é grande, a minha sobrinha Constança é casada com um primo do príncipe herdeiro, que apoia a nossa política, e a sua capacidade de persuadir o marido tem sido eficaz.
- Sei, Durão, tens feito um trabalho extraordinário, mas peço-te por Deus que penses numa solução a longo prazo.
Durão Barroso esboça um sorriso, e após uns momentos de hesitação, duma mal disfarçada ansiedade , responde:
- Tenho uma solução perfeita, Sócrates.
Penso que com ela estará garantida a Felicidade dos contribuintes em Portugal, e a autoridade do Estado, que é a nossa, a minha e a tua, entendes.
Apenas necessito de algum tempo, esse bem precioso e incorpóreo que tantas vezes nos escapa.

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