Sempre perfilhei a ideia de que Deus é tempo---Deus, ou pelo menos o Seu espírito.
Talvez a ideia seja até da minha autoria, já não me lembro.
De qualquer maneira, sempre pensei que se o Espírito de Deus se moveu sobre a face das águas, as águas tiveram forçosamente que o reflectir.
Daí a minha predilecção pelos seus sulcos, rugas e ondulações, e – sendo eu um homem do Sul, pela sua luminosidade.
Acho, muito simplesmente, que a água é a imagem do tempo, e sempre que chega o Ano Novo esforço-me de forma um tanto ou quanto pagã, por estar perto da água, de preferência um mar ou um oceano, para assistir à emergência de uma nova dose, de uma nova chávena rasa de tempo, como diria Lao Tsu.
Acho, muito simplesmente, que a água é a imagem do tempo, e sempre que chega o Ano Novo esforço-me de forma um tanto ou quanto pagã, por estar perto da água, de preferência um mar ou um oceano, para assistir à emergência de uma nova dose, de uma nova chávena rasa de tempo, como diria Lao Tsu.
Não procuro uma mulher nua a navegar numa concha: procuro uma nuvem ou uma crista de vaga que se quebre na praia à meia-noite.
Isso para mim é o tempo a sair da água, e deixo-me ficar a olhar para o desenho rendilhado que fica na praia, não com a veneração dos ciganos, mas com ternura e gratidão…
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