Não foi tarefa fácil limpar em profundidade a lixeira que acumulei toda a vida, coisas que me impuseram ou que adquiri de uma forma voluntária: conhecimentos, comportamentos, egoísmos, rituais, egocentrismos, ganâncias, desejos de felicidade. Tudo o que me condicionava e impedia de ser eu próprio, e me reprimia, mantive até agora bem dentro de mim, imposto pela sociedade a que tive que me ajustar, ao politicamente correcto que tive que abraçar, ao aceitável.
Tudo o que eu era, e me permitiria estar em harmonia com o cosmos, comigo mesmo, estava esmagado sob aquele peso insuportável.
E todos me aplaudiam, satisfeitos pelo meu comportamento condicionado, me elogiavam, me impeliam a ir mais longe.
Até onde?
Mas como poderia eu manter por mais tempo esta pressão sem que ela rebentasse a dura parede da lixeira?
Como poderiam os alpinistas, para falar metaforicamente, atingir o último cume, pensado inacessível, se não se libertassem do peso excessivo que carregam?
É preciso de facto coragem para nos individualizarmos, tornarmo-nos indivíduos, numa sociedade que odeia o singular, que coloca desafios para os quais não está preparada.
A sociedade lida com regras gerais aplicadas a grupos, não a indivíduos, sempre perigosos por trazerem questões diferentes, não previstas.
Como poderá a sociedade controlar um milhar de indivíduos, quando se preparou até à exaustão para um único rebanho?
A recente proximidade da morte deu-me a resposta que eu procurava mas não queria de facto encontrar.
Tinha que optar entre a repressão condicionada e a liberdade a que tenho direito. Só uma delas poderia ocupar o lugar no meu âmago.
Abri então as portas da masmorra a todas as minhas repressões acumuladas desde o leite materno, e finalmente fui eu próprio.
Livre, em paz comigo mesmo, observo agora com deleite o espaço vazio até então ocupado pelos meus constrangimentos, que eu acompanho com um sorriso nos lábios, enquanto se esfumam no ar até se dissiparem.
Tudo o que eu era, e me permitiria estar em harmonia com o cosmos, comigo mesmo, estava esmagado sob aquele peso insuportável.
E todos me aplaudiam, satisfeitos pelo meu comportamento condicionado, me elogiavam, me impeliam a ir mais longe.
Até onde?
Mas como poderia eu manter por mais tempo esta pressão sem que ela rebentasse a dura parede da lixeira?
Como poderiam os alpinistas, para falar metaforicamente, atingir o último cume, pensado inacessível, se não se libertassem do peso excessivo que carregam?
É preciso de facto coragem para nos individualizarmos, tornarmo-nos indivíduos, numa sociedade que odeia o singular, que coloca desafios para os quais não está preparada.
A sociedade lida com regras gerais aplicadas a grupos, não a indivíduos, sempre perigosos por trazerem questões diferentes, não previstas.
Como poderá a sociedade controlar um milhar de indivíduos, quando se preparou até à exaustão para um único rebanho?
A recente proximidade da morte deu-me a resposta que eu procurava mas não queria de facto encontrar.
Tinha que optar entre a repressão condicionada e a liberdade a que tenho direito. Só uma delas poderia ocupar o lugar no meu âmago.
Abri então as portas da masmorra a todas as minhas repressões acumuladas desde o leite materno, e finalmente fui eu próprio.
Livre, em paz comigo mesmo, observo agora com deleite o espaço vazio até então ocupado pelos meus constrangimentos, que eu acompanho com um sorriso nos lábios, enquanto se esfumam no ar até se dissiparem.