terça-feira, 13 de março de 2012

Culpa

Há silêncios que emanam de sons puros, como o canto da cigarra, o sibilar do vento nas folhagens da cerca, o som das gotas de chuva que se esmagam na areia seca, o nascimento da criança quando ainda não sentiu a chama no peito provocada pela primeira inspiração.
Essa beleza advém de uma total liberdade, que nada nem ninguém pode condicionar. No ser humano, curiosamente, tal liberdade morre logo à nascença, instante em que estamos mais perto que nunca de Deus, quando ainda temos as qualidades e a liberdade dos elementos e dos animais livres.
Mas no momento a seguir passamos a ser condicionados, somos culpabilizados por algo. E essa culpa é-nos imposta por todos: pais, professores, sociedade, religiosos, políticos.
E começamos a deixar de emitir os sons silenciosos emanado pelas almas simples e livres, começamos a duvidar de nós próprios.
Somos culpados de algo, de um qualquer pecado original, sentimo-nos condenados, imperfeitos.
Surgem então aqueles, que a pretexto de nos guiarem, orientarem, indicarem o caminho da salvação, apenas pretendem explorar-nos, condicionar-nos, dominar-nos.

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