terça-feira, 13 de março de 2012

Ser ou não ser feliz

Tenho a vaga impressão de que não sou totalmente feliz nem inteiramente infeliz. Estou algures a meio caminho entre os dois estados, que não sei se são extremos, e daí o facto de ter hesitado um pouco.
Ou melhor, não é bem a meio caminho, mas num estado oscilante entre os dois pontos, se podemos definir felicidade e infelicidade como dois pontos.
Talvez dois domínios, duas esferas, não se sabe bem.
Mas não quero divagar, que este tema sempre me tirou da via original que pretendo seja uma recta, e vejo-me sempre a atalhar por caminhos escusos que me dificultam e de que maneira o regresso à via principal, à auto-estrada que me levará a uma conclusão inteligente.
Onde é que eu ia? Ah! O movimento oscilante que me imponho entre a felicidade e a infelicidade.
Pois é.
O problema é que esse movimento não é de todo harmónico linear.
É certo que ninguém pode ser ao mesmo tempo uma coisa e o seu oposto, com eventual excepção dos nossos políticos, que não se regem pelas leis da física como os outros mortais.
E mesmo que pontualmente isso sucedesse, numa daquelas excepções em que o mundo físico é pródigo, não o poderia ser o tempo todo, pois assim desconheceria a outra possibilidade. E lá estamos nós na velha rábula do Bem e do Mal.
É tudo uma questão de intensidade e afinação. O meu pêndulo dos estados de humor está claramente desafinado pois passo mais tempo num lado que no outro, e o tempo intermédio entre esses pólos é tão diminuto, que nem dá para me aperceber se se trata de um terceiro estado, em que não sou feliz nem infeliz. Então como me poderei definir?
Feliz ou infeliz?
Haverá apenas um grau de felicidade e infelicidade, o instantâneo, ou ambos terão uma certa duração? Estaremos conscientes da nossa felicidade quando passamos pelos pontos da curva positivos? Que sucede quando dormimos? Poderá um sonho feliz fazer-nos acordar felizes quando nos deitámos infelizes?
E que coisas nos fazem felizes? Será tudo o que não temos, ou devemos escolher de entre o que temos o que nos dá prazer?
Devemos procurar ou desistir de o fazer?
Só de pensar nisto, por uns minutos, imagino a infelicidade que terão os pensadores que se debruçam há milénios sobre estes temas que têm tanto de aliciante como de cansativo.

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