quinta-feira, 29 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Escolher
Encontro-me uma vez mais naquela situação desconfortável em que tenho que escolher. Tenho que me decidir entre a afirmação e a negação, entre o sim e o não.
Mas a minha mente aberta diz-me que quando escolho entre duas possibilidades, fico sempre a perder, pois nunca conhecerei a outra via.
E se houver um ponto de contacto, algures, entre as duas opções, se eles não forem absolutamente contraditórias, se apenas se complementam, como o amor e o ódio, ou a vida e a morte?
Escolher, nestas condições, será sempre um acto de parcialidade, e quem sou eu para julgar a vida e os seus desígnios?
Mantenho-me então apenas como um observador imparcial, esperando pela iluminação, que sei há-de chegar, e me permitirá vislumbrar um ponto de indefinição, em que um ainda não é e o outro já não existe, como naquele milagre diário do nascer do dia.
Mas a minha mente aberta diz-me que quando escolho entre duas possibilidades, fico sempre a perder, pois nunca conhecerei a outra via.
E se houver um ponto de contacto, algures, entre as duas opções, se eles não forem absolutamente contraditórias, se apenas se complementam, como o amor e o ódio, ou a vida e a morte?
Escolher, nestas condições, será sempre um acto de parcialidade, e quem sou eu para julgar a vida e os seus desígnios?
Mantenho-me então apenas como um observador imparcial, esperando pela iluminação, que sei há-de chegar, e me permitirá vislumbrar um ponto de indefinição, em que um ainda não é e o outro já não existe, como naquele milagre diário do nascer do dia.
Jogo de emoções
Senti-me muitas vezes esmagado entre dois conceitos , entre estados de alma contraditórios, diametralmente opostos.
Enfrentei com as mesmas armas e tácticas uma determinada sensação e o seu oposto.
Um erro atribuível à inexperiência, seguramente, que me deixou marcas profundas a nível físico e espiritual.
Fosse nas relações pessoais ou sociais, profissionais, era permanentemente esmagado pelo contraste quando me via enredado nas malhas do amor e do ódio, do desejo e do medo, da alegria e da tristeza, da vitória ou da derrota.
Agora que finalmente entendo as regras do jogo, consigo facilmente usar o dualismo da vida a meu favor e faço-o para me libertar ao invés de me perder em conflitos estéreis.
Deixei de encarar os pólos opostos como inimigos mas como portos seguros onde me recolho sempre que há vendaval ou para onde a sorte dos ventos me conduz.
E ambos são absolutamente protectores, amigos, já não os vejo como ameaças, mas como um jogo que me desafia constantemente e me dá prazer jogar.
Enfrentei com as mesmas armas e tácticas uma determinada sensação e o seu oposto.
Um erro atribuível à inexperiência, seguramente, que me deixou marcas profundas a nível físico e espiritual.
Fosse nas relações pessoais ou sociais, profissionais, era permanentemente esmagado pelo contraste quando me via enredado nas malhas do amor e do ódio, do desejo e do medo, da alegria e da tristeza, da vitória ou da derrota.
Agora que finalmente entendo as regras do jogo, consigo facilmente usar o dualismo da vida a meu favor e faço-o para me libertar ao invés de me perder em conflitos estéreis.
Deixei de encarar os pólos opostos como inimigos mas como portos seguros onde me recolho sempre que há vendaval ou para onde a sorte dos ventos me conduz.
E ambos são absolutamente protectores, amigos, já não os vejo como ameaças, mas como um jogo que me desafia constantemente e me dá prazer jogar.
Passado
Muito do que hoje faço se deve ao que não fiz no passado.
Fotografias
Fotografias.
Se olharmos atentamente para um álbum de fotos apenas veremos momentos felizes. Ninguém quer perpetuar algo negativo ou doloroso numa fotografia, tanto quanto se pode chamar de perpétuo a alguma coisa, muito menos uma chapa fotográfica que apenas dura o instante em que é produzida.
Fotografias.
Ninguém quer de facto retratar o que não quer lembrar, ou quer esquecer, para falar positivamente. Ninguém quer guardar algo que queira esquecer. A menos que a dor seja alheia, e aí surgem os profissionais do impacto, os que ganham com o choque, desde que a imagem retratada não lhes seja familiar, no sentido de não lhes tocar pessoalmente.
Fotografias. Há de facto aqueles que lucram com a dor alheia, com o sofrimento, pois a nossa sociedade adora ver no doutros o que não quer que lhe aconteça. E enquanto isso acontece nos outros, parece estar a salvo, parece ter ganho imunidade sobre a desgraça.
Fotografias. Quem as irá ver, quando os que as guardaram, os que nelas se reviram, desaparecerem? E se todos tiverem desaparecido?
Fotografias.
Alguém as encontrará por mero acaso, numa caixa de papelão ou num álbum amarelecido, e terá dificuldade em reconhecer aqueles rostos sorridentes, de diferentes épocas, aparentemente felizes, como se reflectissem a sua verdadeira natureza.
Fotografias.
O verdadeiro retrato da nossa vida, porem, é o que não se fotografa. Só mostramos o que não nos incomoda.
Revelar fotos é muito perigoso pois pode revelar segredos, podem constituir uma autêntica revelação.
A fotografia, bem como o espelho, vieram subverter a mente humana. Antes do espelho e da chapa fotográfica, o ser humano não conseguia ver o seu próprio rosto, e não podia ser confrontado com as suas emoções. Mas entre a chapa fotográfica e o espelho há uma diferença enorme, tão grande quanto aquela que separa o passado, instantâneo, do presente, afinal, a única coisa que temos.
Fotografias.
Que patética tentativa de impedir que o tempo nos derrote.
Se olharmos atentamente para um álbum de fotos apenas veremos momentos felizes. Ninguém quer perpetuar algo negativo ou doloroso numa fotografia, tanto quanto se pode chamar de perpétuo a alguma coisa, muito menos uma chapa fotográfica que apenas dura o instante em que é produzida.
Fotografias.
Ninguém quer de facto retratar o que não quer lembrar, ou quer esquecer, para falar positivamente. Ninguém quer guardar algo que queira esquecer. A menos que a dor seja alheia, e aí surgem os profissionais do impacto, os que ganham com o choque, desde que a imagem retratada não lhes seja familiar, no sentido de não lhes tocar pessoalmente.
Fotografias. Há de facto aqueles que lucram com a dor alheia, com o sofrimento, pois a nossa sociedade adora ver no doutros o que não quer que lhe aconteça. E enquanto isso acontece nos outros, parece estar a salvo, parece ter ganho imunidade sobre a desgraça.
Fotografias. Quem as irá ver, quando os que as guardaram, os que nelas se reviram, desaparecerem? E se todos tiverem desaparecido?
Fotografias.
Alguém as encontrará por mero acaso, numa caixa de papelão ou num álbum amarelecido, e terá dificuldade em reconhecer aqueles rostos sorridentes, de diferentes épocas, aparentemente felizes, como se reflectissem a sua verdadeira natureza.
Fotografias.
O verdadeiro retrato da nossa vida, porem, é o que não se fotografa. Só mostramos o que não nos incomoda.
Revelar fotos é muito perigoso pois pode revelar segredos, podem constituir uma autêntica revelação.
A fotografia, bem como o espelho, vieram subverter a mente humana. Antes do espelho e da chapa fotográfica, o ser humano não conseguia ver o seu próprio rosto, e não podia ser confrontado com as suas emoções. Mas entre a chapa fotográfica e o espelho há uma diferença enorme, tão grande quanto aquela que separa o passado, instantâneo, do presente, afinal, a única coisa que temos.
Fotografias.
Que patética tentativa de impedir que o tempo nos derrote.
A Vida
A Vida sempre me pareceu demasiado complicada,
De uma perigosidade induzida.
Como se estivesse a ser testado, constantemente,
Num exercício que nunca poderei superar
De uma perigosidade induzida.
Como se estivesse a ser testado, constantemente,
Num exercício que nunca poderei superar
Violência
E nem uma palavra sobre a violência juvenil.
Será que todos concordamos com isso, que até gostamos de ver os filmezitos que os rapazinhos colocam na net?
"Que engraçado" - dirá o papá, babado, enquanto dá um murro na mulher - "O rapaz vai longe"
Será que todos concordamos com isso, que até gostamos de ver os filmezitos que os rapazinhos colocam na net?
"Que engraçado" - dirá o papá, babado, enquanto dá um murro na mulher - "O rapaz vai longe"
segunda-feira, 19 de março de 2012
Universo e nós
O universo está melhor a cada dia que passa, mas nós apenas olhamos para o retrocesso que é a nossa civilização.
Até nisso somos pequenos, descartáveis, pois não nos apercebemos da perfeição do todo em que insignificantemente nos inserimos, e concentramo-nos na nossa mediocridade, na nossa imperfeição, ignorando que somos apenas uma experiência falhada da criação.
Até nisso somos pequenos, descartáveis, pois não nos apercebemos da perfeição do todo em que insignificantemente nos inserimos, e concentramo-nos na nossa mediocridade, na nossa imperfeição, ignorando que somos apenas uma experiência falhada da criação.
Balanço final
Nasci em tempo de memórias antigas, entrecortadas por recordações imaginárias de descendências estranhas nunca confirmadas. Presumo que por esse facto sempre procurei no meu interior um pequeno sinal, que bem poderia ser um sítio, localizado entre o pescoço e o coração, ou um sonho misteriosamente guardado nos labirínticos esconderijos do meu cérebro.
Creio que de uma forma clara a segunda teoria prevaleceu sobre a primeira, e comecei desde tenra idade a sondar a minha mente, de uma forma desregrada, abrupta, sem limites, na tentativa de me conhecer, de encontrar o tal sinal que me indicasse a razão da minha existência.
É um facto que tudo o que eu encontrava, geralmente em sonhos, tinha que ser validado pelo coração, e essa sobrecarga emocional acabaria por me condicionar, criando um conflito de interesses entre a razão e a emoção, em que todos, eu, a mente e o órgão vital, sofreriam desnecessariamente.
Vítima precoce do pensamento, cujo dependência nunca consegui precisar com exactidão, cedo comecei a recear a morte, como se dela tivesse conhecimento em vidas anteriores, ou soubesse que ela me impediria de alcançar os meus objectivos.
Perdido entre o mundo real das brincadeiras inconscientes, da vida normal, e o mundo imaginário que desde cedo pensei, nunca consegui estar com os dois pés no mesmo lado do espelho, para usar uma metáfora, e sempre andei perdido, como se não estivesse completo, como se algo me dissesse que o sítio onde me encontrava num determinado instante não era o meu.
Creio que de uma forma clara a segunda teoria prevaleceu sobre a primeira, e comecei desde tenra idade a sondar a minha mente, de uma forma desregrada, abrupta, sem limites, na tentativa de me conhecer, de encontrar o tal sinal que me indicasse a razão da minha existência.
É um facto que tudo o que eu encontrava, geralmente em sonhos, tinha que ser validado pelo coração, e essa sobrecarga emocional acabaria por me condicionar, criando um conflito de interesses entre a razão e a emoção, em que todos, eu, a mente e o órgão vital, sofreriam desnecessariamente.
Vítima precoce do pensamento, cujo dependência nunca consegui precisar com exactidão, cedo comecei a recear a morte, como se dela tivesse conhecimento em vidas anteriores, ou soubesse que ela me impediria de alcançar os meus objectivos.
Perdido entre o mundo real das brincadeiras inconscientes, da vida normal, e o mundo imaginário que desde cedo pensei, nunca consegui estar com os dois pés no mesmo lado do espelho, para usar uma metáfora, e sempre andei perdido, como se não estivesse completo, como se algo me dissesse que o sítio onde me encontrava num determinado instante não era o meu.
O sentido da morte
Uma vida sem morte seria insuportável.
A morte define a vida, dá-lhe uma espécie de intensidade, e como esta me foge, cada momento que me resta torna-se precioso.
Se vivêssemos para sempre, quem se iria importar, se o amanhã estava garantido?
Mas como amanhã há a morte, ela força-me a viver aqui e agora.
Até no mundo virtual, onde se fizeram conhecimentos, trocaram-se confidências, dissemos algumas verdades, sinto-me obrigado a mergulhar intensamente, ir até ao fundo, porque provavelmente, o próximo momento pode não acontecer.
A morte define a vida, dá-lhe uma espécie de intensidade, e como esta me foge, cada momento que me resta torna-se precioso.
Se vivêssemos para sempre, quem se iria importar, se o amanhã estava garantido?
Mas como amanhã há a morte, ela força-me a viver aqui e agora.
Até no mundo virtual, onde se fizeram conhecimentos, trocaram-se confidências, dissemos algumas verdades, sinto-me obrigado a mergulhar intensamente, ir até ao fundo, porque provavelmente, o próximo momento pode não acontecer.
Teatro e guerra
Antes de estilhaçar os corpos e as almas no campo de batalha, a guerra surge como ideia na alma dos homens poderosos, que entre dois digestivos resolvem produzir esse acontecimento, como se de um espectáculo teatral se tratasse.
São os produtores de um espectáculo que deverá ter sucesso de forma a garantir determinados objectivos que só eles conhecem.
Para tal contratam os realizadores, indivíduos com experiência comprovada na área da demagogia, a mesma que os fez alcançar o poder político, e que têm uma vasta carteira de actores, que não conhecem os produtores e apenas sabem que têm que seguir à risca as suas indicações, pois do seu desempenho depende o futuro da sua companhia.
Estes actores têm papéis de risco, pois o mais pequeno deslize até lhes pode custar a vida, ou a saúde, mas não conhecem todo o guião, nem a génese da trama, apenas conhecem o seu papel.
Resta-lhes no fim lamber as feridas, receber aplausos que mal conseguem ouvir, e descrever as suas tragédias pessoais, pensando que foram os protagonistas da acção.
São os produtores de um espectáculo que deverá ter sucesso de forma a garantir determinados objectivos que só eles conhecem.
Para tal contratam os realizadores, indivíduos com experiência comprovada na área da demagogia, a mesma que os fez alcançar o poder político, e que têm uma vasta carteira de actores, que não conhecem os produtores e apenas sabem que têm que seguir à risca as suas indicações, pois do seu desempenho depende o futuro da sua companhia.
Estes actores têm papéis de risco, pois o mais pequeno deslize até lhes pode custar a vida, ou a saúde, mas não conhecem todo o guião, nem a génese da trama, apenas conhecem o seu papel.
Resta-lhes no fim lamber as feridas, receber aplausos que mal conseguem ouvir, e descrever as suas tragédias pessoais, pensando que foram os protagonistas da acção.
Augusta Duarte Martinho
Faria hoje 96 anos (12.02.1915 - 2002?).
Nasceu no mesmo ano do meu pai, apenas um mês antes.
Esteve morta em sua casa, entregue ao mais insidioso isolamento e esquecimento, da família, do país, de Deus, durante nove anos.
Este é o paradigma dos paradigmas do estado a que chegou uma sociedade que se diz de pessoas civilizadas.
E tudo isto aconteceu sem que uma única voz se ouvisse no Parlamento, a casa da chamada democracia, para levantar este caso que reflete bem o estado de degradação social, comportamental, humanística, a que chegou o Estado, as famílias, as instituições, os nossos sentimentos.
O país está reduzido a números, estatísticas. E para o comprovar aí está o facto de que apenas as Finanças, na sua cega loucura de reduzir as pessoas a números, a euros, conseguiu arrombar a porta da casa de Augusta Duarte Martinho.
Já não há pessoas, emoções.
Ninguém esboça um sorriso, um cumprimento.
Somos máquinas, apenas.
Já não há lugar para os sonhos, para a solidariedade, para o amor pelo próximo.
Os presságios avolumam-se.
No reino animal, toda uma manada, alcateia, matilha, se junta para proteger um seu membro em dificuldades.
Os humanos, não.
Dizemo-nos civilizados, mas haveríamos de ouvir as opiniões dos outros animais sobre nós.
Ficaríamos clarificados.
Ambição?
A sociedade dá a doença e promove a cura.
Uma das formas mais bem sucedidas que ela tem de propagar a doença é através da promoção da ambição.
Qualquer jovem, hoje em dia, acha que, se seguir a política de casino promovida pelos midia, conseguirá fama e riqueza sem ter que se esforçar muito.
Sem ter que trabalhar.
As ambições são contagiosas e facilmente os mais desprevenidos são infectados por essa febre.
Começamos por avançar numa direcção que não é a nossa, começamos a fazer coisas que nunca pensámos antes, só porque estamos na companhia de alguém que a isso nos tivesse induzido.
Os pais, os amigos, as televisões....
A ambição é a causa primordial da loucura, e por isso devemos tentar entendê-la.
O nosso esforço, o esforço de Renato, para ser alguém neste mundo (e ele já era alguém, como todos nós) levou-o à loucura.
Não largou a ambição, não começou a viver, não conseguia viver, pois estava sempre a adiar essa introspecção. Estava sempre a ser incentivado por aqueles que agora o condenam, os midia, os falsos moralistas, os fazedores de loucuras.
A vida de Renato, a sua vida real iria ser amanhã, e o amanhã nunca chega.
As pessoas ambiciosas estão condenadas a ser agressivas e violentas, e as pessoas agressivas estão condenadas a enlouquecer.
A pessoa ambiciosa está sempre com pressa, a correr, a precipitar-se, em direcção a qualquer coisa que sente vagamente que existe, mas nunca vai encontrar.
É como o horizonte, ele não existe, apenas parece existir.
Máscaras
"Eu represento o papel da pessoa que tu queres que eu seja, e tu representas o papel da pessoa que eu quero que tu sejas".
Nada mais verdadeiro!
Só que estes papéis, que se assumem por exemplo no início de uma relação amorosa, numa paixão ou numa lua-de-mel, no feicebuke, não podem ser mantidos indefinidamente.
O amigo do feicebuke tem uma imagem mental não apenas de quem a outra pessoa é, mas também de quem ele é, aquele amigo com quem interage.
Por isso ele não está a estabelecer uma relação com a outra pessoa.
A pessoa que ele pensa ser está a estabelecer uma relação com a imagem que faz do outro, e vice-versa.
A imagem conceptual que o amigo do feicebuke faz de si mesmo, criada pela sua mente, está a estabelecer uma relação com a sua própria criação, ou seja, com a imagem conceptual que faz do outro.
A mente da outra pessoa faz seguramente a mesma coisa.
Por isso qualquer interação no feicebuke, egóica, como se demonstrou, entre duas pessoas, dois amigos, é na realidade uma interação entre quatro entidades conceptuais fabricadas pela mente, que em última instância, não passa de ficção.
Por isso não admira que haja tantos conflitos nas relações com as pessoas, de que o caso recente do modelo e do jornalista é um exemplo extremo.
Nada mais verdadeiro!
Só que estes papéis, que se assumem por exemplo no início de uma relação amorosa, numa paixão ou numa lua-de-mel, no feicebuke, não podem ser mantidos indefinidamente.
O amigo do feicebuke tem uma imagem mental não apenas de quem a outra pessoa é, mas também de quem ele é, aquele amigo com quem interage.
Por isso ele não está a estabelecer uma relação com a outra pessoa.
A pessoa que ele pensa ser está a estabelecer uma relação com a imagem que faz do outro, e vice-versa.
A imagem conceptual que o amigo do feicebuke faz de si mesmo, criada pela sua mente, está a estabelecer uma relação com a sua própria criação, ou seja, com a imagem conceptual que faz do outro.
A mente da outra pessoa faz seguramente a mesma coisa.
Por isso qualquer interação no feicebuke, egóica, como se demonstrou, entre duas pessoas, dois amigos, é na realidade uma interação entre quatro entidades conceptuais fabricadas pela mente, que em última instância, não passa de ficção.
Por isso não admira que haja tantos conflitos nas relações com as pessoas, de que o caso recente do modelo e do jornalista é um exemplo extremo.
Leitura possível
A literatura é um pouco como o amor.
Tem que nos seduzir à leitura.
Ler por obrigação é como fazer do amor um dever matrimonial.
Aqui a boa vontade não basta.
O exame à sensibilidade é associado à espontaneidade.
Afinal as pessoas não têm que passar a vida a apaixonar-se.
Mas se não o fizermos pelo menos uma vez na vida, uma luz sinistra é lançada sobre o estado da nossa alma.
No meu tempo os jovens eram iniciados nos segredos do amor físico mandando-os ao bordel, onde a troco de dinheiro uma cortesã experimentada o levava cuidadosamente a perder a timidez.
Do mesmo modo, qualquer um deveria ler, por assim dizer, para se iniciar, um grande romance nem que fosse por uma espécie de sentido de obrigação, a fim de , seguidamente, se reger pelos seus próprios impulsos.
Poderá depois dizer com alívio "nunca mais" ou então ter-lhe ganho o gosto.
Em ambos os casos, o iniciado verá franqueda a porta do conhecimento.
Ensino escamoteado
Fui professor no IST durante duas décadas, como assistente convidado, que a minha vocação é a indústria, onde o prazer de criar só se equipara ao de amar.
E saí do ensino porque tudo começou a ficar subvertido.
É natural que as notas sirvam de comparação, como o dinheiro, afinal, e tornem o incomparável comparável.
Por cada bom aluno haverá sempre um aluno mau ou mediocre que dele se distingue. Aliás não haveria bons alunos se não houvessem maus alunos.
O que sucede é que a partir de determinada altura, as notas foram inflacionadas. Como no ensino básico ou secundário, afinal.
Foi como a inflação com o dinheiro. Toda a gente tem a carteira recheada de notas de 500 euros, mas não consegue comprar nada com elas.
Cada aluno que não seja particularmente retardado recebe hoje um a classificação aceitável ou mesmo elevada.
Mas isso já nada vale, perdeu todo o seu sentido. As notas passaram a estar para a escola como as frases feitas para a linguagem: deixaram de fazer sentido.
Para os alunos que o são efectivamente, a escola deixou de interessar, os professores que o são verdadeiramente, foram acometidos pelo desprezo e entregaram-se diariamente a um destino terrivel, o de ver a sua utopia desmoronar-se.
E saí do ensino porque tudo começou a ficar subvertido.
É natural que as notas sirvam de comparação, como o dinheiro, afinal, e tornem o incomparável comparável.
Por cada bom aluno haverá sempre um aluno mau ou mediocre que dele se distingue. Aliás não haveria bons alunos se não houvessem maus alunos.
O que sucede é que a partir de determinada altura, as notas foram inflacionadas. Como no ensino básico ou secundário, afinal.
Foi como a inflação com o dinheiro. Toda a gente tem a carteira recheada de notas de 500 euros, mas não consegue comprar nada com elas.
Cada aluno que não seja particularmente retardado recebe hoje um a classificação aceitável ou mesmo elevada.
Mas isso já nada vale, perdeu todo o seu sentido. As notas passaram a estar para a escola como as frases feitas para a linguagem: deixaram de fazer sentido.
Para os alunos que o são efectivamente, a escola deixou de interessar, os professores que o são verdadeiramente, foram acometidos pelo desprezo e entregaram-se diariamente a um destino terrivel, o de ver a sua utopia desmoronar-se.
Ter ou Dar?
Um copo colorido pode encerrar em si uma metáfora importante: retem todas as cores com excepção da cor que oferece.
É a essência do ser.
É-lhe dado o nome, não por aquilo que ele possui, mas pelo que nos oferece.
É a essência do ser.
É-lhe dado o nome, não por aquilo que ele possui, mas pelo que nos oferece.
Próstata
A política de contenção do governo português cada vez se assemelha mais a uma micção prostática: sai às mijinhas, de uma forma dolorosa, e não resolve o problema.
Revolução Industrial
O desenvolvimento do sistema económico actual já não é determinado pela pergunta:
"O que é bom para o homem?" ,
mas por uma outra:
"O que é bom para o sistema?".
Os políticos tentam ocultar a desonestidade deste conflito assumindo que o que é bom para o crescimento do sistema também é bom para o povo.
Esta interpretação é suportada por uma outra opinião : as características que o sistema exige dos seres humanos - egocentrismo, egoísmo e avidez - são inatas na sua natureza, e portanto não é apenas o sistema que as alimenta, mas a própria natureza humana.
De que nos queixamos nós afinal?
Não entendo assim como nos podemos incomodar, indignar, revoltar (eufemisticamente, como soi em Portugal), com o facto de o sistema correr na direcção da banca com o regaço cheio de euros, numa patética tentativa de salvar a vaquinha cujo úbero secou de tantas chupadelas.
E são aqueles que agora a correm a salvar, ainda com os beiços cheios de leite, que dizem que tal é fundamental para o sistema e concomitantemente, para o povo, para qu epossa viver feliz, naquele bem-estar que todos agora reconhecem ser ilusório.
"O que é bom para o homem?" ,
mas por uma outra:
"O que é bom para o sistema?".
Os políticos tentam ocultar a desonestidade deste conflito assumindo que o que é bom para o crescimento do sistema também é bom para o povo.
Esta interpretação é suportada por uma outra opinião : as características que o sistema exige dos seres humanos - egocentrismo, egoísmo e avidez - são inatas na sua natureza, e portanto não é apenas o sistema que as alimenta, mas a própria natureza humana.
De que nos queixamos nós afinal?
Não entendo assim como nos podemos incomodar, indignar, revoltar (eufemisticamente, como soi em Portugal), com o facto de o sistema correr na direcção da banca com o regaço cheio de euros, numa patética tentativa de salvar a vaquinha cujo úbero secou de tantas chupadelas.
E são aqueles que agora a correm a salvar, ainda com os beiços cheios de leite, que dizem que tal é fundamental para o sistema e concomitantemente, para o povo, para qu epossa viver feliz, naquele bem-estar que todos agora reconhecem ser ilusório.
Gatos e bruxas
Bastava, antigamente, uma mulher demonstrar gosto por animais, andar sozinha nos campos ou na floresta, ou colher plantas medicinais para ser rotulada de bruxa.
Depois era torturada e queimada na fogueira.
O sagrado feminino era demoníaco.
Obviamente que face a esta reminiscência,não me admira que algumas mulheres não gostem de gatos.
Sentem-se estigmatizadas.
Têm medo de ser novamente torturadas.
Depois era torturada e queimada na fogueira.
O sagrado feminino era demoníaco.
Obviamente que face a esta reminiscência,não me admira que algumas mulheres não gostem de gatos.
Sentem-se estigmatizadas.
Têm medo de ser novamente torturadas.
O último lar
A maior parte das pessoas, nesta sociedade que se apelida de moderna, corre desesperadamente atrás dos problemas que criou inconscientemente, na procura de soluções.
Soluções que são invariavelmente de carácter económico ou financeiro, pois na sociedade do TER, nós somos aquilo que temos, e portanto, se nada tivermos, nada somos.
Surge então, inevitavelmente, aquele que eu considero o grande mal da sociedade moderna: a indiferença.
Indiferença para com aqueles que ficam para trás nessa corrida perversa, e apenas sobrevivem num qualquer canto da cidade indiferente ,ou para com aqueles, que sendo do nosso sangue, e tudo fizeram para nosso bem, são agora considerados um lastro que temos que descartar para não perdermos a corrida louca em que nos metemos voluntária ou involuntariamente.
Pura e simplesmente vemo-nos livres dos velhos.
Ser velho nesta sociedade é um anátema. Par que raio queremos nós quem já não produz riqueza, quem já nada pode acrescentar à nossa conta bancária?
Do ponto de vista do TER, essa abordagem é absolutamente correcta, pois na maior parte dos casos, um velho não tem rendimentos que se vejam.
Felizmente há os lares, para limpar as nossas consciências.
Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e até pagamos algum do nosso bolso pois a pensão dos velhos não chega.
Talvez o lar não tenha todas as condições, talvez até o pessoal seja incompetente e esteja lá para ganhar mais algum dinheiro.
Quem os pode criticar?
Nós somos aquilo que temos, e se depois de um dia a trabalhar alguém quiser fazer mais umas horitas a tomar conta de velhos pela noite, tudo bem.
Estamos descanados, e já nos livrámos do excesso d epeso.
Pode até acontecer que o svelhos morram mais depressa, o que no seu caso até pode ser uma bênção.E se as mortes forem consideradas suspeitas, enfim, a responsabilidade é do lar, é do Estado, que não inspeccionou devidamente as condições de funcionamento.
Nós, os filhos, os netos, fizemos o que podíamos.
Um velho já não tem futuro e ninguém quer saber da sua tão proclamada experiência de vida.
Para isso existe o Google.
Talvez até seja um bem o seu desaparecimento.
Graças a Deus que sou novo.
Deus me conserve assim.
Medina
A soberba mistificação dos políticos consiste em fazer crer a todos nós que TEMOS que ter um orçamento.
"O Orçamento ou o caos"
E foi tão bem urdida esta mistificação, que todos, incluindo Medina Carreira, dizem que sendo péssimo , é INEVITÁVEL a sua aprovação.
O que acontece é que as enormes benesses dos beneficiários do regime, incluindo Medina, ficariam comprometidas.
Uma chapelada para o Joseph Goebbels nacional.
"O Orçamento ou o caos"
E foi tão bem urdida esta mistificação, que todos, incluindo Medina Carreira, dizem que sendo péssimo , é INEVITÁVEL a sua aprovação.
O que acontece é que as enormes benesses dos beneficiários do regime, incluindo Medina, ficariam comprometidas.
Uma chapelada para o Joseph Goebbels nacional.
Jogo
O ser humano tem jogado com ele mesmo, desde sempre, um jogo perverso: esconde-se, e depois vai à procura de si próprio.
Amor teatral
O amor por vezes parece-se muito com um lugar num espectáculo teatral: aquele que nós pretendemos, está invariavelmente ocupado.
Sorriso amarelo
Depois da vinda dos chineses, que tanto foram criticados recentemente por uma espécie de ideologia cujo significado há muito se perdeu, a questão do Orçamento de Estado caiu no esquecimento. É verdade que depois do ouro do Brasil,do volfrâmio das Beiras, das especiarias da Índia e dos dinheiros da CEE, só mesmo o sorriso amarelo dos chineses para nos dar novo alento.
Em que nos tornámos afinal, ao receber de braços esticados aqueles que à viva voz criticávamos pelo desrespeito pelos direitos humanos, pelo Dalai Lama, pelo nobel da paz?
O povo português, afinal uma amálgama de raças e vontades, decai de dia para dia. Arrastado pelo peso da mediocridade, incompetência e avidez dos que mandam nisto.
Parece que cresceu à sua volta uma floresta de urtigas que lhe impedem de ver seja o que seja em qualquer direcção. E ainda por cima é sistematicamente picado cada vez que esboça um movimento. Bem no interior do seu sonambulismo, defendido pelas portas e janelas trancadas da ignorância e imobilismo , o povo vai vagueando, inerte, em direcção ao fim, como um enterrado vivo.
Amigos e Deus
Há muito que deixámos de ter amigos.
Temos conhecidos, colegas, admiradores, sócios, investidores, financiadores, aduladores, parceiros, amantes.
Mas amigos verdadeiros, não.
E apostamos na virtualidade, compensamos a qualidade da amizade com a quantidade, na esperança que alguém tão inconsciente e supérfluo como nós nos faça o favor de nos dedicar alguns segundos, finja interesse, admiração e empatia.
E pecamos continuamente.Alguns de nós até têm o desplante de falar de religião, que pode contribuir para a moral, de múltiplos modos. A religião autêntica deverá constituir mais um impulso para a acção ética. Quando se pergunta no Facebook pelo fundamento último da moral na sua incondicionalidade, é difícil não ser confrontado com a ideia vaga de religião e o absoluto de Deus. Depois, a religião dá horizonte de futuro, mesmo quando se falhou e se precisa de perdão e novo alento e abre à esperança de sentido último. E chega-se à conclusão, com Nietzsche, que Deus está morto.
E urge então perguntar:
"Agora que não há Deus, quem nos irá perdoar tanta superficialidade?"
Temos conhecidos, colegas, admiradores, sócios, investidores, financiadores, aduladores, parceiros, amantes.
Mas amigos verdadeiros, não.
E apostamos na virtualidade, compensamos a qualidade da amizade com a quantidade, na esperança que alguém tão inconsciente e supérfluo como nós nos faça o favor de nos dedicar alguns segundos, finja interesse, admiração e empatia.
E pecamos continuamente.Alguns de nós até têm o desplante de falar de religião, que pode contribuir para a moral, de múltiplos modos. A religião autêntica deverá constituir mais um impulso para a acção ética. Quando se pergunta no Facebook pelo fundamento último da moral na sua incondicionalidade, é difícil não ser confrontado com a ideia vaga de religião e o absoluto de Deus. Depois, a religião dá horizonte de futuro, mesmo quando se falhou e se precisa de perdão e novo alento e abre à esperança de sentido último. E chega-se à conclusão, com Nietzsche, que Deus está morto.
E urge então perguntar:
"Agora que não há Deus, quem nos irá perdoar tanta superficialidade?"
Ética consequencial
A propósito da acção do governo português face à crise:
Uma ética que consista apenas em deveres específicos, como por exemplo "Não matarás", não é de difícil aplicação.
De facto, poucos ou nenhuns serão assassinos no Governo.
Mas já não é tão fácil evitarem que morram inúmeros seres humanos inocentes.
Haverá no futuro próximo muita gente a morrer de fome ou sem assistência médica.
Se o Estado puder ajudá-los e não o fizer, está a deixá-los morrer.
Se a regra contra provocar a morte se aplicasse a omissões, tornaria a vida de acordo com essa regra, uma marca de santidade ou heroísmo moral.
Assim, uma ética que ajuiza as acções consoante violam ou não regras específicas, coloca o peso moral na distinção entre actos e omissões.
Uma ética que ajuiza as acções pelas suas consequências não procede assim, pois as consequências de um acto ou de uma omissão são muitas vezes indistinguíveis.
Os governantes, mediocres, hoje, no nosso país,estão a vestir a pele daquele pediatra que não mata a criança com uma malformação congénita irreversível, o que seria um mal, mas se recusa a tratá-lo, dizendo que acabará por morrer, e isso será um bem.
Uma ética que consista apenas em deveres específicos, como por exemplo "Não matarás", não é de difícil aplicação.
De facto, poucos ou nenhuns serão assassinos no Governo.
Mas já não é tão fácil evitarem que morram inúmeros seres humanos inocentes.
Haverá no futuro próximo muita gente a morrer de fome ou sem assistência médica.
Se o Estado puder ajudá-los e não o fizer, está a deixá-los morrer.
Se a regra contra provocar a morte se aplicasse a omissões, tornaria a vida de acordo com essa regra, uma marca de santidade ou heroísmo moral.
Assim, uma ética que ajuiza as acções consoante violam ou não regras específicas, coloca o peso moral na distinção entre actos e omissões.
Uma ética que ajuiza as acções pelas suas consequências não procede assim, pois as consequências de um acto ou de uma omissão são muitas vezes indistinguíveis.
Os governantes, mediocres, hoje, no nosso país,estão a vestir a pele daquele pediatra que não mata a criança com uma malformação congénita irreversível, o que seria um mal, mas se recusa a tratá-lo, dizendo que acabará por morrer, e isso será um bem.
domingo, 18 de março de 2012
Beleza interior
Alguns pensamentos passados a letrinhas, juntinhas de uma forma harmoniosa, imprevista, instintiva, tiram-me completamente a capacidade de argumentar.
As belezas, a de dentro e a de fora são insondáveis.
Resta-me apenas a consolação de reservar para o banho de imersão, que religiosamente , ao som de Telemann tomo às duas da madrugada, a pergunta inevitável:
Como poderemos colocar a segunda à frente da primeira sem lhe fazer sombra?
Raízes
Portugal prefere ser uma aristocracia política a ser uma democracia próspera de gente inteligente .
É o fruto que colhemos de um lascismo secular e de tradições que agora se consolidam, de falsos valores morais.
Dessa distorção moral advêm todos os nossos males.
As raízes do oportunismo e da ganância rebentam por todos os lados, sob a forma de sentimentos, de hábitos,de preconceitos.
Gememos sob o peso da nossa pouca exigência.
É o fruto que colhemos de um lascismo secular e de tradições que agora se consolidam, de falsos valores morais.
Dessa distorção moral advêm todos os nossos males.
As raízes do oportunismo e da ganância rebentam por todos os lados, sob a forma de sentimentos, de hábitos,de preconceitos.
Gememos sob o peso da nossa pouca exigência.
Declíneo
Há quem pense que o grande declínio da instituição família, no ocidente, advém da excessiva liberdade das mulheres, que, querendo igualar os homens em oportunidades, os ultrapassaram nos erros e nos vícios.
As armas e os barões
Cavaco Silva, na visita que fez em Abril passado à República Checa, nem sequer se indignou com as críticas agressivas de Václav Klaus sobre o défice excessivo de Portugal e o Tratado de Lisboa.
Uma prova inequívoca de que o nosso país está a ser governado por indivíduos sem alma, sem carisma, que fariam corar de vergonha os assinalados barões de Camões.
Uma noiva para Renato
Renato Prates precisa urgentemente de uma mulher.As intenções dele são puramente práticas - apenas necessita de alguém sensivel e convenientemente amorosa para posar como sua noiva durante alguns meses entre a sociedade refinada.
Ele tem o seu próprio plano e uma falsa noiva manterá as caçadoras de maridos ao largo enquanto ele trata do seu negócio.
A solução mais simples é contratar uma.
Ele tem o seu próprio plano e uma falsa noiva manterá as caçadoras de maridos ao largo enquanto ele trata do seu negócio.
A solução mais simples é contratar uma.
Afinal de contas, a miserável que aceite tal emprego ficará decerto grata por qualquer favor.
No entanto, encontrar a candidata ideal é um desafio maior do que ele espera - até encontrar a menina Carolina Caillaut.
No entanto, encontrar a candidata ideal é um desafio maior do que ele espera - até encontrar a menina Carolina Caillaut.
Os seus hábitos mundanos, a sua desocupação, a sua elegância mal tratada, os seus cabelos espetados, não conseguem esconder a sua figura encantadora e o fogo dos seus olhos dourados.
E a sua condição infeliz, introspectiva, fechada sobre si mesma,faz com que a genersa oferta de Renato seja inegavelmente apelativa.
Mas Carolina está insegura sobre o que este disfarce pode exigir.
Claramente Prates está a esconder um ou dois segredos, e as coisas parecem estranhamente erradas na sua magnífica casa em Hammersmith.
Descobrirá então que os segredos dele são mais sombrios do que a decoração da casa, e que aquela brincadeira será uma aventura muito mais perigosa do que a tinham feito crer.
Renato, por seu lado, sente o seu coração racional a ser agitado por aquela mulher bela, inteligente e sensual.
A pouco e pouco nasce entre eles uma forte cumplicidade que os levará a percorrer os caminhos perigosos do Soho em busca de um inimigo mortal de Renato.
Poderá alguma vez o amor vencer o desejo de vingança, de destruição?
Poderá a procura de um objectivo positivo ser mais forte que a necessidade imperiosa de destruição?
E a sua condição infeliz, introspectiva, fechada sobre si mesma,faz com que a genersa oferta de Renato seja inegavelmente apelativa.
Mas Carolina está insegura sobre o que este disfarce pode exigir.
Claramente Prates está a esconder um ou dois segredos, e as coisas parecem estranhamente erradas na sua magnífica casa em Hammersmith.
Descobrirá então que os segredos dele são mais sombrios do que a decoração da casa, e que aquela brincadeira será uma aventura muito mais perigosa do que a tinham feito crer.
Renato, por seu lado, sente o seu coração racional a ser agitado por aquela mulher bela, inteligente e sensual.
A pouco e pouco nasce entre eles uma forte cumplicidade que os levará a percorrer os caminhos perigosos do Soho em busca de um inimigo mortal de Renato.
Poderá alguma vez o amor vencer o desejo de vingança, de destruição?
Poderá a procura de um objectivo positivo ser mais forte que a necessidade imperiosa de destruição?
O Acordo
Não procuro aqui uma solução para o ateísmo ou para o problema de identidade de Deus, ou mesmo a chave para os enigmas do Universo, a solução para as finanças e economia para este país.
Procuro apenas uma satisfação íntima, convosco...
(Discurso do primeiro-ministro, em tom conciliador, na AR, antes da cimeira da OTAN)
Procuro apenas uma satisfação íntima, convosco...
(Discurso do primeiro-ministro, em tom conciliador, na AR, antes da cimeira da OTAN)
Homenagem no feminino
Hoje quero homenagear a mulher, e faço-o em silêncio, em consciência, escutando a mãe Natureza.
A doçura é uma virtude feminina, mesmo quando esse feminino tende a usar mais a mente, mais a lógica da interpretação, e menos o lado misterioso que a vida tem para oferecer.
O que a doçura tem de feminino, ou pelo menos o que aparenta tê-lo, é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera.
É o que tão bem ouvimos em Schubert, o que lemos tão bem em Jorge Amado.
Paz interior, uma vivência apenas no presente, aqui e agora, sem lembranças do passado ou projecções no futuro.
A doçura feminina é uma paz real ou desejada; é o oposto da guerra, da crueldade, da indiferença, da brutalidade, da violência.
A doçura é o que em meu entender aproxima mais a mulher do humano do que o homem.
Mantenham pois a doçura, essa virtude graças à qual a humanidade tem algum humanismo.
E não usem a mente,caminhem na vertical, conheçam-se e sejam felizes.
O que a doçura tem de feminino, ou pelo menos o que aparenta tê-lo, é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera.
É o que tão bem ouvimos em Schubert, o que lemos tão bem em Jorge Amado.
Paz interior, uma vivência apenas no presente, aqui e agora, sem lembranças do passado ou projecções no futuro.
A doçura feminina é uma paz real ou desejada; é o oposto da guerra, da crueldade, da indiferença, da brutalidade, da violência.
A doçura é o que em meu entender aproxima mais a mulher do humano do que o homem.
Mantenham pois a doçura, essa virtude graças à qual a humanidade tem algum humanismo.
E não usem a mente,caminhem na vertical, conheçam-se e sejam felizes.
CARONTE
Vamos todos para o mesmo sítio.
Apenas por caminhos diferentes.
Imagino a estupefacção dos que instintivamente tentarem puxar do cartão de crédito, ou do cartão do partido...
Apenas por caminhos diferentes.
Imagino a estupefacção dos que instintivamente tentarem puxar do cartão de crédito, ou do cartão do partido...
Mistificação
Habituei-me a viajar sem bagagem, com pouco peso.
Sempre pronto a partir.
Considero-me de certa forma um privilegiado, se bem que o meu ego ache que fiz por merecê-lo.
Quando as coisas começam a cheirar mal neste cantinho onde nasci e onde nasceram os meus antepasssados (até Leonor Velho Pereira, que nasceu na Galiza em 1620), abro as asas e dou o salto. Não tenho paciência. Desisti. Refugio-me em Belo Horizonte, onde posso descansar numa rede, seminu, ouvindo a voz da floresta de água, sonhando com os sabores da Dádá, ou enfio o chapéu de côco e vou tomar o breakfast em Picadilly.
Manias, diz o meu irmão, que nunca entendeu as minhas necessidades em ir para tão longe, quando tenho o mar de Sagres onde mergulhar e ver a tempestade passar por cima..
Tudo isto por causa da confusão em que os políticos, os de cá e os da Europa, nos meteram.
Cansei-me desses aventureiros sem escrúpulos, nem alma, que fizeram da "arte de Sócrates" uma profissão, e depois a transformaram numa espécie de cartel, onde tudo vale para enriquecer facilmente.
Confesso que tive muitas esperanças em Abril, como quase todos os da minha geração.Mas rapidamente fui lendo nas entrelinhas e fiz o retrato-robô.
Ouço com um sorriso nos lábios, de comiseração, sem espanto, as pessoas dizerem, na rua, no feicebuk, ou no plano inclinado:
"Temos de exigir aos políticos que desempenhem bem as suas funções.Foram mandatados para desenvolver o país e cometeram imensos erros) !?
As pessoas comuns, desatentas, por lascismo, comodismo, ignorância ou inconsciência (inclino-me para esta opção), pensam que estes políticos, que nós pensamos que elegemos, mas que foram previamente escolhidos pelas máquinas partidárias, pensam, dizia eu, que eles ERRARAM.
Mas não! Eles fizeram exactamente aquilo que se propuseram fazer: Melhoraram a sua vida, enriqueceram, ganharam poder, teceram a rede que os há-de segurar quando os alicerces cairem.
E curiosamente, os portugueses, habituados a serem mandados, na monarquia, e governados, na república, acham que com as próximas eleições tudo irá mudar.
Continuam, no seu sonambulismo,a acreditar na mistificação
Casalítico
Muitos casais encaram o casamento como os partidos o poder:
- Quando o atingem perdem a vontade de implementar as ideias que os levaram lá!
- Quando o atingem perdem a vontade de implementar as ideias que os levaram lá!
Chiste machista
Qué hubiera sucedido si en lugar de 3 Reyes Magos, hubieran sido 3 Reinas Magas?
- Ellas habrían pedido ayuda para llegar.
- Habrían llegado a tiempo.
- Habrían ayudado en el parto.
- Habrían hecho una limpieza en el establo.
- Habrían llevado regalos útiles.
- Habrían llevado una comidita.
Pero... ¿qué hubieran dicho al salir de allí? Tan pronto hubieran salido dirían...
- ¿Vieron las sandalias que María estaba usando con aquella túnica?
- El niño no se parece a José.
- ¿Cómo es que ella puede dejar todos aquellos animales dentro de la casa?
- Y el burro que ellos tienen está bastante acabado...
- Yo sólo quiero ver, cuándo ella te va a devolver la cazuela, que le llevaste con el macarrón.
- Me dijeron que José está desempleado...
- Virgen que caramba! Yo me acuerdo muy bien de ella, en la época del colegio!
- Ellas habrían pedido ayuda para llegar.
- Habrían llegado a tiempo.
- Habrían ayudado en el parto.
- Habrían hecho una limpieza en el establo.
- Habrían llevado regalos útiles.
- Habrían llevado una comidita.
Pero... ¿qué hubieran dicho al salir de allí? Tan pronto hubieran salido dirían...
- ¿Vieron las sandalias que María estaba usando con aquella túnica?
- El niño no se parece a José.
- ¿Cómo es que ella puede dejar todos aquellos animales dentro de la casa?
- Y el burro que ellos tienen está bastante acabado...
- Yo sólo quiero ver, cuándo ella te va a devolver la cazuela, que le llevaste con el macarrón.
- Me dijeron que José está desempleado...
- Virgen que caramba! Yo me acuerdo muy bien de ella, en la época del colegio!
Becas
Há momentos que consegue reservar apenas para si.
Revê os ensinamentos que foi captando aqui e ali, esforça-se por aplicá-los e subitamente o milagre acontece: fica só diante de si mesma.
Nesse instante mágico, sentada na sua cadeira que quase ocupa totalmente o exíguo espaço onde medita, tem a impressão que toda a vida à sua frente, e pensa:
"É tudo uma maldita mentira! Não vale a pena pois estou acabada. A minha vida está à minha frente, terminada, fechada, como um saco de compras, e contudo tudo o que lá está dentro, está inacabado".
Durante um breve instante, Fátima tentou julgar-se. Foi tentada a dizer:
"É uma vida bela!"
Mas subitamente cai em si. Não era possível julgá-la, pois tratava-se simplesmente de um esboço. Becas tinha passado toda a sua vida a disparar contra a eternidade, não tinha entendido nada.
Com que dureza corria Becas atrás da felicidade, atrás do amor, atrás da liberdade.
Para quê? Gostaria de se libertar das amarras da vida, tinha casado, tinha sido infeliz, recuperara, criara uma página social, falava e escrevia em sessões públicas.
Levava tudo a sério, como se fosse imortal.
Não tinha saudades de nada. Havia muitas coisas de que poderia ter saudades: o primeiro beijo, o primeiro filho, de quem não tem notícias há muito, a praia no mês de Setembro, aquela viagem à Índia...
Mas a desilusão tinha desfeito o encanto de tudo.
Pensou chorar, olhando-se no pequeno espelho que refletia o seu rosto seráfico. Qualquer coisa passa sempre daquele para este lado.
"É sempre assim quando olho para dentro de mim. Qualquer coisa passa dela para mim. Pensei que esta sensação tivesse acabado", sussurra.
Se insistisse na concentração, se entrasse mais fundo na sua alma, o seu olhar ficaria preso para sempre na contemplação.
Estava só.
Ethos
O que mais me chamou a atenção na cimeira da OTAN foi a imagem sorridente e patética de um jornalista da rtp1, que dizia, em horário nobre, com um ara perfeitamente extasiado e orgástico:
"Coloquei duas questões ao presidente Obama, e ele chamou pelo meu nome"(?!).
Já estou a imaginar a reacção do mesmo jornalista quando comparecer perante Deus, e este, depois de pronunciar o seu nome, lhe disser:
"Podes colocar as questões que entenderes, Vitor, mas és tu quem terá que responder, em consciência".
Provavelmente estará morto!
Decadência
Visitei-a no passado domingo.
Essencialmente, deixei-a falar. Tudo o que dizia , dizia-o com dificuldade, mas com vivacidade.
O discurso é previsível, até aos mais ínfimos pormenores.
Sorrio com enlevo, vendo o prazer que lhe dá contar uma vez mais as suas memórias, que no fim a deixam esgotada.
Em breve substitui-la-ei como protagonista da tragédia pessoal.
Observo-a com toda a atenção, e dou-lhe a mão, como se de um fio condutor se tratasse.
Uma mão que se estende a quem está a ser puxado para o abismo.
Não posso deixar de estabelecer comparações, o que faço freneticamente, para não ser vencido pela emoção.
Digo-lhe filosoficamente, daquela maneira que ela tanto aprecia, que resolvi os meus problemas ao deixar de pensar neles.
Dantes, quando tinha saúde, Fernanda costumava levantar os ombros, mostrando indiferença. Agora limita-se a levantar as sobrancelhas.
Depois da doença lhe ter tornado o corpo pesado, substituiu os gestos, que agora a fatigam excessivamente, por jogos fisionómicos . Diz que sim com os olhos, não com os cantos da boca, levanta as sobrancelhas em vez do sombros.
Sinto que tem pressa que eu me vá embora.
Não gosta que a veja assim, tão vulnerável e despojada.
Beijo-a com um sorriso confiante, e digo-lhe um até amanhã, desejo-lhe as melhoras.
Fernanda relaxa finalmente do esforço que fizera para aparentar uma réstea de vitalidade, e afunda-se no travesseiro, esgotada, quando desapareço.
Finalmente posso chorar.
2010
Winston Smith questiona a opressão que se exerce nos cidadãos. Se alguém pensar diferente, comete crimidéia , e fatalmente será vaporizado. Desaparece, deixa de ser contável.
Daí, que hoje, na ditadura do partidarismo, poucos se atrevam a protestar pelas arbitrariedades (dizem que são inevitáveis) e muitos se percam nas coisas virtuais, mais simples, mais complexas.
Daí, que hoje, na ditadura do partidarismo, poucos se atrevam a protestar pelas arbitrariedades (dizem que são inevitáveis) e muitos se percam nas coisas virtuais, mais simples, mais complexas.
Pathos
Ethos consiste na credibilidade, magnificiência, cultura, estado social, capacidade intelectual do orador.
Pathos representa o jogo com as paixões e emoções dos ouvintes.
A forma como o orador se dispõe a conquistar os corações do seu público, fazendo-o prescindir do controle racional das opiniões.
Podemos concluir que no facebook existe uma ética patológica?
Pathos representa o jogo com as paixões e emoções dos ouvintes.
A forma como o orador se dispõe a conquistar os corações do seu público, fazendo-o prescindir do controle racional das opiniões.
Podemos concluir que no facebook existe uma ética patológica?
Violência doméstica
O odor espesso de incenso encheu-lhe as narinas e a boca, enquanto avançava prudentemente no interior do quarto, para uma mancha pálida que parecia flutuar.
Era o rosto de Paulo.
Paulo começara a ter o hábito de se vestir de negro sempre que lhe batia, e refugiava-se no interior da divisão, confundindo-se com a obscuridade, rezando pelos seus pecados.
Pensava assim esquecer rapidamente a sua recaída, depois de tantas promessas.
Mariana olha-o agora de perto, e diz, para si mesma:
"É tão belo!"
Paulo dormia. Tinha um meio-sorriso cândido, a cabeça inclinada, como se quisesse acariciar a face com o ombro.
Mariana tenta recapitular o que se passara havia pouco:
Ao primeiro golpe que lhe abrira o sobrolho, Mariana quase desmaiara, e Paulo ficara de repente como um animal, olhando-a com espanto, como se não a reconhecesse.
Ao segundo golpe, Mariana caira e batera violentamente com o rosto numa cadeira.
Paulo dera então um pequeno gemido, como se tivesse recuperado a consciência, e a sua mão fez um gesto de repulsa.
Mariana olhara para ele com um ar duro, enquanto se afastava para o quarto, como costumava acontecer.
"Como irá ele acordar?". Isso preocupava-a.
Sabia que aquilo não era o seu marido.
Tinha medo que ele acordasse com os olhos rasos de lágrimas, de remorso, como sempre.
"Como sou estúpida! Será que tenho feito o possível para evitar estas alucinações de Paulo?"
Será que ele enlouqueceu por minha causa? Será que um dia as suas feições ficarão permanentemente toldadas e nem sequer se aperceberá disso? Será que enlouquecerá e me vai matar?"
Mariana curva-se sobre a mão de Paulo e pousou os seus lábios ensanguentados nela.
"Matar-te-ei antes!"
Indiferença
Estou a pensar se a nossa indiferença perante as tragédias quotidianas que nos são servidas suculosamente pelos media, não terão a ver com a globalização.
No meu tempo, quando havia uma desgraça, só dela tomávamos conhecimento indo lá, vendo e cheirando a morte.
Agora, tudo é servido à distância, e muitos de nós se interrogam se aquilo será mesmo assim.
Assim a modos como as crianças de hoje que pensam que as galinhas são aqueles bichos que existem no Supermercado.
No meu tempo, quando havia uma desgraça, só dela tomávamos conhecimento indo lá, vendo e cheirando a morte.
Agora, tudo é servido à distância, e muitos de nós se interrogam se aquilo será mesmo assim.
Assim a modos como as crianças de hoje que pensam que as galinhas são aqueles bichos que existem no Supermercado.
Infelicidade de Maria B
Maria B. divorciou-se recentemente de um político conhecido, depois de um casamento de quinze anos.
Dizia ela, com uma lágrima furtiva ao canto do olho:
"Hélio, sinto-me tremendamente infeliz!"
"Porquê? Convenhamos que um político e uma psicóloga honesta nunca poderiam funcionar" - disse-lhe, para a animar.
"Não tem nada a ver com isso.
Sinto-me infeliz pelo facto de não sentir qualquer infelicidade pela separação".
Dizia ela, com uma lágrima furtiva ao canto do olho:
"Hélio, sinto-me tremendamente infeliz!"
"Porquê? Convenhamos que um político e uma psicóloga honesta nunca poderiam funcionar" - disse-lhe, para a animar.
"Não tem nada a ver com isso.
Sinto-me infeliz pelo facto de não sentir qualquer infelicidade pela separação".
Carne pracanhão
Na guerra, como na política, quem expõe o peito às balas é o chamado povo.
E se por acaso cometer algum feito heróico, como salvar o dia, ou o país, é sempre secundarizado pelos ratos que surgem então de todos os lados para se apoderarem dos louros e dos euros.
Assim foi com Salgueiro Maia, assim será com a classe média portuguesa, impotente para se defender do estupro a que a sujeitam.
Por culpa própria, diga-se.
Listening to Engels
As dependências económicas não são mais que um efeito ou um caso particular da violência política.
Elas são sempre portanto factores de segunda ordem, e são sempre as mais sensíveis.
É preciso encontrar o elemento primordial na violência política imediata, e não somente num poder económico indirecto.
A crise por que passamos é pois fruto de uma violência premeditada de que poucos se apercebem.
Pudera!
Com tantas distracções, tanto lascismo, tanta ignorância, tanta inconsciência.
Elas são sempre portanto factores de segunda ordem, e são sempre as mais sensíveis.
É preciso encontrar o elemento primordial na violência política imediata, e não somente num poder económico indirecto.
A crise por que passamos é pois fruto de uma violência premeditada de que poucos se apercebem.
Pudera!
Com tantas distracções, tanto lascismo, tanta ignorância, tanta inconsciência.
Beatriz
Em ambiente viciado pelo ódio ou mesmo pelo desespero, ou ainda pela indiferença, Beatriz iniciou uma brilhante carreira como autora de sonhos e esperanças reais, no feicebuk. Reproduzia nos seus @amigos a capacidade de desvendar os seus segredos mais íntimos e sórdidos ;tal facto iria contudo desencadear reacções muito diversas...
Sandra e eu
A realidade e a ficção entrecruzam-se para mostrar uma única escapatória perante o absurdo da existência e da morte em que decorre o dia a dia de Sandra : a sua inegualável vontade de transcender qualquer sucesso na própria vida, numa tentativa de corrigir os estragos do tempo, que acabam sempre por transformar (por falta de maturidade, creio eu) o amor em ódio, a beleza em fealdade, a lealdade em traição e o idealismo em corrupção.
Mas Sandra sabe que nos meus braços está em segurança.
Mas Sandra sabe que nos meus braços está em segurança.
Diria que fomos feitos um para o outro.
Atingimos aquele ponto em que podemos dizer ou fazer tudo o que o coração ou o corpo nos ditar, uma vez que tudo o que em conjunto fazemos emerge do nosso centro; o amor partilhado até à exaustão, com que enchemos a nossa noite é como que um bálsamo que nos permite enfrentar o dia seguinte de alma limpa.
E assemelha-se a uma ode à esperança, a única capaz de desvelar as miragens da natureza humana, de que por acaso fazemos parte.
Loucuras de Outono
Somos de tal modo "recheados" com conhecimentos, desde crianças, que provavelmente já nos esquecemos do nosso destino; do mesmo modo que a beleza de um corpo nu só pode ser admirada por aqueles que andam geralmente vestidos.
Pois se andamos todos nus....
Temos que nos afastar (ou aproximar) da morte para podermos viver?
Quem nunca viveu constrangido nunca sentirá a liberdade, quem nunca esteve perto da morte nunca entenderá a verdadeira vida?
Enfim, loucuras....
Pois se andamos todos nus....
Temos que nos afastar (ou aproximar) da morte para podermos viver?
Quem nunca viveu constrangido nunca sentirá a liberdade, quem nunca esteve perto da morte nunca entenderá a verdadeira vida?
Enfim, loucuras....
Manuela, a nihilista
Minha querida, escuta o teu Ser interior.
Ele está sempre a dar-te pistas.
É uma voz baixa e calma.
Não grita contigo, isso é verdade.
Mas, se ficares por momentos em silêncio, começarás a sentir o teu caminho.
Deves fazer um esforço para seres a pessoa que realmente és, que eu sei que és.
Nunca tentes ser uma outra pessoa e tornar-te-às mais madura.
Maturidade, aliás, é aceitar a responsabilidade de seres autêntica, seja a que preço for.
A maturidade consiste em arriscar tudo para ser autêntico.
Olha bem para mim.
Eu segui apenas o teu conselho.
Eu era imaturo, e parti.
Decidi fazê-lo, para ir em busca , em peregrinação.
Agora sei quem sou.
Já não sou imaturo.
Mesmo que isso me tenha custado a vida, ficar-te-ei eternamente grato.
Já não penso pela cabeça dos outros, ou pela que eu pensava que tinha.
Manuela, tu votarias num político honesto?
Para ser honesto, teria que ser maturo, dizer apenas a verdade.
A maioria das pessoas não quer saber da verdade, apenas dos sonhos.
E tu continuas a sonhar...
Ele está sempre a dar-te pistas.
É uma voz baixa e calma.
Não grita contigo, isso é verdade.
Mas, se ficares por momentos em silêncio, começarás a sentir o teu caminho.
Deves fazer um esforço para seres a pessoa que realmente és, que eu sei que és.
Nunca tentes ser uma outra pessoa e tornar-te-às mais madura.
Maturidade, aliás, é aceitar a responsabilidade de seres autêntica, seja a que preço for.
A maturidade consiste em arriscar tudo para ser autêntico.
Olha bem para mim.
Eu segui apenas o teu conselho.
Eu era imaturo, e parti.
Decidi fazê-lo, para ir em busca , em peregrinação.
Agora sei quem sou.
Já não sou imaturo.
Mesmo que isso me tenha custado a vida, ficar-te-ei eternamente grato.
Já não penso pela cabeça dos outros, ou pela que eu pensava que tinha.
Manuela, tu votarias num político honesto?
Para ser honesto, teria que ser maturo, dizer apenas a verdade.
A maioria das pessoas não quer saber da verdade, apenas dos sonhos.
E tu continuas a sonhar...
Lisboa à noite
Decidiu adquirir uma pistola no mercado negro.
Depois de o fazer, começou a percorrer as ruas da cidade a horas mortas, despreocupadamente, acariciando a coronha da arma, de um xadrez negro, como quem afaga um ser amado.
Já não tinha medo, e esperava do fundo da sua alma, que alguém o abordasse com objectivos pouco amigáveis.
Só a vaga ideia da iniciação lhe colocava um sorriso ténue na cara enrugada.
Depois de o fazer, começou a percorrer as ruas da cidade a horas mortas, despreocupadamente, acariciando a coronha da arma, de um xadrez negro, como quem afaga um ser amado.
Já não tinha medo, e esperava do fundo da sua alma, que alguém o abordasse com objectivos pouco amigáveis.
Só a vaga ideia da iniciação lhe colocava um sorriso ténue na cara enrugada.
A amiga virtual
Ela é imensamente famosa e conhecida nas redes sociais.
Ela tem o humanismo no sangue.
É um facto incontornável.
Respira humanidade e conhecimento por todos os poros, em todas as suas intervenções.
Ainda por cima encanta, com a sua beleza intangível e inacessível.
Pelo menos tem esse efeito em nós, pobres amigos virtuais que nos satisfazemos platonicamente com as suas fotos, os seus sorrisos, as suas viagens, as suas festas mundanas.
E damos por nós a ler e reler as suas frases de encantamento impregnadas, escorrrendo baba pelos cantos da boca.
Ela regozija-se quando está "on-line".
No momento em que descobre um dos seus amigos, sem mesmo o conhecer verdadeiramente, sente simpatia por ele.
Gosta do seu corpo, da maneira como está articulado, dos joguinhos que joga, dos postais virtuais e lindos que envia.
Gosta ainda das suas pernas que se abrem e fecham à vontade quando sobe a rua empinada outrora percorrida apenas por animais de tiro, e disso faz notícia na primeira entrada do dia.
Ela adora sobremaneira a forma como os seus amigos sorriem nas festas de garagem, revivendo os momentos em que eram felizes sem o saber, e desconheciam o medo.
Ela ama também o comportamento dos que foram feridos pela reeducação virtual, a sua capacidade de reinventarem os hábitos, os seus comportamentos, ajustando-os à nova moral virtual estabelecida.
Os amigos atiram-se aos seus comentários com gulodice, lêem-nos recostados na sua cadeira de escritório, pensam no grande amor infeliz e discreto que ela lhes tráz, e isso consola-os de muitas coisas, como serem feios e barrigudos, covardes, cornudos, de terem sido despedidos ou enganados.
E dizem da sua última intervenção:
"Gosto!"
Ela tem o humanismo no sangue.
É um facto incontornável.
Respira humanidade e conhecimento por todos os poros, em todas as suas intervenções.
Ainda por cima encanta, com a sua beleza intangível e inacessível.
Pelo menos tem esse efeito em nós, pobres amigos virtuais que nos satisfazemos platonicamente com as suas fotos, os seus sorrisos, as suas viagens, as suas festas mundanas.
E damos por nós a ler e reler as suas frases de encantamento impregnadas, escorrrendo baba pelos cantos da boca.
Ela regozija-se quando está "on-line".
No momento em que descobre um dos seus amigos, sem mesmo o conhecer verdadeiramente, sente simpatia por ele.
Gosta do seu corpo, da maneira como está articulado, dos joguinhos que joga, dos postais virtuais e lindos que envia.
Gosta ainda das suas pernas que se abrem e fecham à vontade quando sobe a rua empinada outrora percorrida apenas por animais de tiro, e disso faz notícia na primeira entrada do dia.
Ela adora sobremaneira a forma como os seus amigos sorriem nas festas de garagem, revivendo os momentos em que eram felizes sem o saber, e desconheciam o medo.
Ela ama também o comportamento dos que foram feridos pela reeducação virtual, a sua capacidade de reinventarem os hábitos, os seus comportamentos, ajustando-os à nova moral virtual estabelecida.
Os amigos atiram-se aos seus comentários com gulodice, lêem-nos recostados na sua cadeira de escritório, pensam no grande amor infeliz e discreto que ela lhes tráz, e isso consola-os de muitas coisas, como serem feios e barrigudos, covardes, cornudos, de terem sido despedidos ou enganados.
E dizem da sua última intervenção:
"Gosto!"
Céptico dogmático
Se entre nós só houvesse uma diferença de gosto, eu nunca te incomodaria com este meu comentário.
Mas tudo acontece como se tu possuisses toda a verdade, toda a graça, e eu não.
Sei que não sou muito simpático para com os outros, que não me limito a dizer banalidades, como tu.
E é natural que os nossos amigos não gostem de me ler.
Prefiram o discurso sorridente, a superficialidade.
Fartos de desgraças estão eles, dizes tu, enquanto cultivas mais um nabo no farmville.
Eu sou livre de gostar ou não de xarém com ameijoas, mas se não gosto do que aqui leio, sou um miserável e não interesso a ninguém neste mundo virtual.
Parece que existe aqui o monopólio da vida.
Parece que em cima de cada página do feicebuk deveria haver um letreiro dizendo:
"Ninguém entra aqui se não for superficial, se não for humanista e optimista".
No fundo as palavras que escrevo não são minhas. Arrastam-se não sei há quanto tempo em inúmeras consciências, e não é sem repugnância que por vezes as uso.
Entenderei eu mal o objectivo deste jogo?
Será que sou o único a vislumbrar nesta ilusão um jogo tenebroso, inventado por alguém com objectivos inconfessáveis?
Estaremos nós a ser manipulados, a servir de cobaias numa experiência qualquer?
No fundo não estou furioso contigo.Pelo contrário, estou muito calmo e peço-te que aceites os meus respeitosos cumprimentos.
Mas tudo acontece como se tu possuisses toda a verdade, toda a graça, e eu não.
Sei que não sou muito simpático para com os outros, que não me limito a dizer banalidades, como tu.
E é natural que os nossos amigos não gostem de me ler.
Prefiram o discurso sorridente, a superficialidade.
Fartos de desgraças estão eles, dizes tu, enquanto cultivas mais um nabo no farmville.
Eu sou livre de gostar ou não de xarém com ameijoas, mas se não gosto do que aqui leio, sou um miserável e não interesso a ninguém neste mundo virtual.
Parece que existe aqui o monopólio da vida.
Parece que em cima de cada página do feicebuk deveria haver um letreiro dizendo:
"Ninguém entra aqui se não for superficial, se não for humanista e optimista".
No fundo as palavras que escrevo não são minhas. Arrastam-se não sei há quanto tempo em inúmeras consciências, e não é sem repugnância que por vezes as uso.
Entenderei eu mal o objectivo deste jogo?
Será que sou o único a vislumbrar nesta ilusão um jogo tenebroso, inventado por alguém com objectivos inconfessáveis?
Estaremos nós a ser manipulados, a servir de cobaias numa experiência qualquer?
No fundo não estou furioso contigo.Pelo contrário, estou muito calmo e peço-te que aceites os meus respeitosos cumprimentos.
Choro das quatro, chá das cinco
Choraram durante muito tempo.
Daí a pouco ela acalmou e pôs a cabeça loira no ombro dele.
A caspa incomodava-a um pouco, e interrompeu o choro para limpar o casaco com o seu lenço bordado onde depositava as lágrimas.
Se fosse possível estar sempre assim!
Puros e tristes como dois órfãos.
Imaginava as suas grandes mãos a pegar-lhe na cintura, fazendo um pouco de cócegas.
Não é verdade que ele seja impotente.
Apenas um pouco distraído, lento.
Se ele quisesse..
Pensamentos magníficos que a ajudavam a ultrapassar as suas dúvidas.
Mas a vida era uma enorme vaga e arrancá-la-ia desse turpor.
Ela sorri através das lágrimas e beijou-o no queixo.
Era hora do chá.
Daí a pouco ela acalmou e pôs a cabeça loira no ombro dele.
A caspa incomodava-a um pouco, e interrompeu o choro para limpar o casaco com o seu lenço bordado onde depositava as lágrimas.
Se fosse possível estar sempre assim!
Puros e tristes como dois órfãos.
Imaginava as suas grandes mãos a pegar-lhe na cintura, fazendo um pouco de cócegas.
Não é verdade que ele seja impotente.
Apenas um pouco distraído, lento.
Se ele quisesse..
Pensamentos magníficos que a ajudavam a ultrapassar as suas dúvidas.
Mas a vida era uma enorme vaga e arrancá-la-ia desse turpor.
Ela sorri através das lágrimas e beijou-o no queixo.
Era hora do chá.
Corpo de dor
Não é preciso ser particularmente sensível para pressentir a bola fervilhante de emoções de infelicidade que existe sob a aparência superficial de alguns, e que apenas espera o próximo acontecimento para poder reagir, da próxima entrada para poder confrontar, da próxima coisa que lhe possa causar infelicidade.
Invariavelmente estão a sorrir (lol´s) e a escrever educadamente, mas o seu corpo de dor está completamente latente.
Invariavelmente estão a sorrir (lol´s) e a escrever educadamente, mas o seu corpo de dor está completamente latente.
Até quando, Sócrates?
Até quando, Sócrates, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura?
A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?
Nem as manifestações, nem as greves gerais, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião da AR, nem o olhar e o aspecto destes deputados eleitos pelo povo, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na actual e anterior legislatura, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! A AR tem conhecimento destes factos, o Presidente tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua actuante!
Mais ainda, até na ARele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina.
E nós, homens valorosos, cuidamos de cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. Para a rua, Sócrates, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do Presidentel; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
Pois não é verdade que uma personagem tão notável como era o anterior presidente, pontífice máximo. mandou, como simples particular, demitir Santana, que levemente perturbara a constituição do Estado?
E Sócrates, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, o povo, de o suportar toda a vida?
E já não falo naqueles casos de outras eras, como o Freeport ou o Face Oculta.
Havia, havia outrora nesta República, uma tal disciplina moral que os homens de coragem puniam com mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos.
Temos um decreto da MP contra ti, Sócrates, um decreto rigoroso e grave; não é a decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui presente que falta à República; nós, digo-o publicamente, nós, o povo, é que faltamos.
Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura?
A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?
Nem as manifestações, nem as greves gerais, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião da AR, nem o olhar e o aspecto destes deputados eleitos pelo povo, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na actual e anterior legislatura, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! A AR tem conhecimento destes factos, o Presidente tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua actuante!
Mais ainda, até na ARele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina.
E nós, homens valorosos, cuidamos de cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. Para a rua, Sócrates, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do Presidentel; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
Pois não é verdade que uma personagem tão notável como era o anterior presidente, pontífice máximo. mandou, como simples particular, demitir Santana, que levemente perturbara a constituição do Estado?
E Sócrates, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, o povo, de o suportar toda a vida?
E já não falo naqueles casos de outras eras, como o Freeport ou o Face Oculta.
Havia, havia outrora nesta República, uma tal disciplina moral que os homens de coragem puniam com mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos.
Temos um decreto da MP contra ti, Sócrates, um decreto rigoroso e grave; não é a decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui presente que falta à República; nós, digo-o publicamente, nós, o povo, é que faltamos.
Monarquia ou República?
Entre o Rei e o 1º ministro não há grandes diferenças.
Para o povo é sempre a mesma servidão: éramos mandados, agora somos governados.
Enquanto as mesas estiverem postas para uma minoria, e a maioria tiver de servir os propósitos da minoria, o sentido de que desobediência é pecado tem de ser cultivado.
E foi-o , tanto pelo Estado, monárquico ou republicano, como pela Igreja.
Ambos trabalharam em conjunto para defender as suas hierarquias.
O Estado precisava da Religião para ter uma ideologia que fundisse desobediência e pecado.
A Igreja precisava de crentes treinados pelo Estado nas virtudes da obediência.
Ambos se serviram da instituição "Família", cuja função consistia em treinar as crianças a obedecer desde o primeiro momento em que elas manifestassem ter vontade própria.
O Rei e o 1º ministro não gostam de indivíduos.
Preferem os grupos, os rebanhos.
Assim, desobedecer ao Rei ou ao 1º ministro é pecar contra Deus.
Há assim um mundo diabólico, em que o homem deve ser um corpo sem alma, sendo a vontade individual, a chamada rebeldia, uma sugestão do Diabo.
Para nos orientar, basta o Rei, o Ministro das Finanças, o Papa em Roma, e o confessor à cabeceira, na hora do passamento.
Quo pacto me habueris praepositum. Quae nos nostramque adolescentiam habent despicatum. Si res de amore secundae essent
Terêncio
Para o povo é sempre a mesma servidão: éramos mandados, agora somos governados.
Enquanto as mesas estiverem postas para uma minoria, e a maioria tiver de servir os propósitos da minoria, o sentido de que desobediência é pecado tem de ser cultivado.
E foi-o , tanto pelo Estado, monárquico ou republicano, como pela Igreja.
Ambos trabalharam em conjunto para defender as suas hierarquias.
O Estado precisava da Religião para ter uma ideologia que fundisse desobediência e pecado.
A Igreja precisava de crentes treinados pelo Estado nas virtudes da obediência.
Ambos se serviram da instituição "Família", cuja função consistia em treinar as crianças a obedecer desde o primeiro momento em que elas manifestassem ter vontade própria.
O Rei e o 1º ministro não gostam de indivíduos.
Preferem os grupos, os rebanhos.
Assim, desobedecer ao Rei ou ao 1º ministro é pecar contra Deus.
Há assim um mundo diabólico, em que o homem deve ser um corpo sem alma, sendo a vontade individual, a chamada rebeldia, uma sugestão do Diabo.
Para nos orientar, basta o Rei, o Ministro das Finanças, o Papa em Roma, e o confessor à cabeceira, na hora do passamento.
Quo pacto me habueris praepositum. Quae nos nostramque adolescentiam habent despicatum. Si res de amore secundae essent
Terêncio
Moralidade e Santidade
O Tribunal Constitucional declarou esta quinta-feira a prescrição do processo conhecido pelo «Caso dos hemofílicos», indicou a Sic Notícias. A decisão do órgão máximo da Justiça portuguesa significa que a antiga ministra da Saúde e actual vice-presidente da Assembleia da República Leonor Beleza e outros oito arguidos não terão de responder pelas acusações de dolo eventual no caso dos hemofílicos alegadamente contaminados com Sida entre 1985 e 1987.
Alguns hemofílicos morreram por terem contraído o vírus da Sida entre 1985 e 1987, por lhes ter sido alegadamente administrado um lote de factor - VII (derivado do plasma) contaminado, numa altura em que Leonor Beleza era titular da pasta da Saúde. O caso das 136 vítimas do sangue alegadamente contaminadas com o vírus da Sida foi denunciado em 1992. As vítimas continuaram a falecer até Agosto de 1994
Além de Leonor Beleza eram acusados a sua mãe (secretária-geral do Ministério da Saúde entre 1985 e 1987), Maria dos Prazeres Beleza, Rosa Maria Teixeira Pinto, Felizbela Nunes Caldeira, Maria Natércia Nunes Gomes, Maria Sílvia Rosas, Maria Helena Dias Agudo, Natércia Torres Pereira e Miguel Galvão.Diário Digital quinta-feira, 28 de Novembro de 2002
Faltam cinco minutos para as 14 horas quando Leonor Beleza pega num marcador e se volta para escrever num dos pilares virados para o Tejo: "Este centro foi inaugurado por sua excelência o Presidente da República. 5 de Outubro de 2010." O gesto é informal e a mesa de oradores inverosímil: o arquitecto indiano Charles Correa, José Sócrates, Cavaco Silva e James Watson, Nobel da Medicina e presidente do conselho científico da Fundação Champalimaud. Falariam todos menos Sócrates, que aparece nos ecrãs na cerimónia da primeira pedra do edifício futurista, em 2008. Cavaco Silva diz que o novo centro vem aliviar o sofrimento de milhões de doentes e põe Portugal na vanguarda mundial da investigação biomédica. Lembra-se António Champalimaud e sobe ao palco a filha mais velha, Maria Luísa, para agradecer a liderança de Leonor Beleza, a quem o empresário confiou o projecto.
informação06Out2010
Dizia Gaiana que a moralidade , ou mesmo a Santidade, em Portugal, é apenas uma questão de tempo
Alguns hemofílicos morreram por terem contraído o vírus da Sida entre 1985 e 1987, por lhes ter sido alegadamente administrado um lote de factor - VII (derivado do plasma) contaminado, numa altura em que Leonor Beleza era titular da pasta da Saúde. O caso das 136 vítimas do sangue alegadamente contaminadas com o vírus da Sida foi denunciado em 1992. As vítimas continuaram a falecer até Agosto de 1994
Além de Leonor Beleza eram acusados a sua mãe (secretária-geral do Ministério da Saúde entre 1985 e 1987), Maria dos Prazeres Beleza, Rosa Maria Teixeira Pinto, Felizbela Nunes Caldeira, Maria Natércia Nunes Gomes, Maria Sílvia Rosas, Maria Helena Dias Agudo, Natércia Torres Pereira e Miguel Galvão.Diário Digital quinta-feira, 28 de Novembro de 2002
Faltam cinco minutos para as 14 horas quando Leonor Beleza pega num marcador e se volta para escrever num dos pilares virados para o Tejo: "Este centro foi inaugurado por sua excelência o Presidente da República. 5 de Outubro de 2010." O gesto é informal e a mesa de oradores inverosímil: o arquitecto indiano Charles Correa, José Sócrates, Cavaco Silva e James Watson, Nobel da Medicina e presidente do conselho científico da Fundação Champalimaud. Falariam todos menos Sócrates, que aparece nos ecrãs na cerimónia da primeira pedra do edifício futurista, em 2008. Cavaco Silva diz que o novo centro vem aliviar o sofrimento de milhões de doentes e põe Portugal na vanguarda mundial da investigação biomédica. Lembra-se António Champalimaud e sobe ao palco a filha mais velha, Maria Luísa, para agradecer a liderança de Leonor Beleza, a quem o empresário confiou o projecto.
informação06Out2010
Dizia Gaiana que a moralidade , ou mesmo a Santidade, em Portugal, é apenas uma questão de tempo
Separações
Tantas separações!Mas a mais dolorosa é a que experimentamos quando nos separamos de nós próprios, daquele que sempre pensámos ser, e nos embrenhamos na ruidosa farsa que é a nossa tragédia colectiva
Reflexões com a barriga vazia
As pessoas realmente frívolas são as que só amam uma vez na vida.
O que elas chamam lealdade ou fidelidade, chamo eu letargia do hábito ou falta de imaginação.
A fidelidade representa na vida emocional o mesmo que a coerência na vida do intelecto, apenas uma confissão de impotência.
A fidelidade!
Tenho de a analisar um destes dias.
Está intimamente associada à paixão da propriedade.
Há muitas coisas que atiraríamos fora se não receássemos que outros as apanhassem.
O que elas chamam lealdade ou fidelidade, chamo eu letargia do hábito ou falta de imaginação.
A fidelidade representa na vida emocional o mesmo que a coerência na vida do intelecto, apenas uma confissão de impotência.
A fidelidade!
Tenho de a analisar um destes dias.
Está intimamente associada à paixão da propriedade.
Há muitas coisas que atiraríamos fora se não receássemos que outros as apanhassem.
Reflexões sandrinas
Sempre uma pequena dúvida a acalmar, eis o que faz a sede de todos os instantes, eis o que constitui a vida do amor feliz.
Como o receio nunca o abandona, os seus prazeres não podem nunca entediar.
O carácter desta felicidade é a sua extrema seriedade.
Como o receio nunca o abandona, os seus prazeres não podem nunca entediar.
O carácter desta felicidade é a sua extrema seriedade.
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