domingo, 18 de março de 2012

Choro das quatro, chá das cinco

Choraram durante muito tempo.
Daí a pouco ela acalmou e pôs a cabeça loira no ombro dele.
A caspa incomodava-a um pouco, e interrompeu o choro para limpar o casaco com o seu lenço bordado onde depositava as lágrimas.
Se fosse possível estar sempre assim!
Puros e tristes como dois órfãos.
Imaginava as suas grandes mãos a pegar-lhe na cintura, fazendo um pouco de cócegas.
Não é verdade que ele seja impotente.
Apenas um pouco distraído, lento.
Se ele quisesse..
Pensamentos magníficos que a ajudavam a ultrapassar as suas dúvidas.
Mas a vida era uma enorme vaga e arrancá-la-ia desse turpor.
Ela sorri através das lágrimas e beijou-o no queixo.
Era hora do chá.

Sem comentários:

Enviar um comentário