Pode ter-se amor?Para que tal fosse possível, ele teria de ser uma coisa, uma substância passível de ser possuída.
A verdade é que não existe essa coisa chamada "amor", do mesmo modo que não existe essa coisa chamada "bem" ou aqueloutra chamada "mal".
Amor é uma abstracção, talvez algo com uma natureza diferente da nossa, embora nunca alguém a tenha visto.
O que existe apenas é o acto de amar, que é uma actividade criadora. Supõe preocupação com o outro, conhecimento, resposta, afirmação, gosto pela pessoa, o quadro ou a ideia que se ama. É um processo de renovação e cerscimento. Na maior parte das vezes o chamado amor envolve a necessidade de impressionar ou controlar o objecto "amado". É sufocante, maléfico, fatal, não doador de vida. Aquilo a que muitos chamam amor, é geralmente uma má utilização da palavra, que tem por finalidade esconder a realidade da falta desse amor. Veja-se o caso clássico do namoro que acaba em casamento.
Geralmente o casamento funciona como despertador para esse sonho a que muitos chamam amor. Durante o namoro, nenhum dos dois está totalmente seguro acerca do outro, mas ambos tentam vencer. Ambos estão vivos, atraentes, interessantes, até belos. Ainda não são donos do outro. Com o casamento o contrato estabelecido dá a cada parceiro a posse "exclusiva" do corpo, sentimentos e atenção do outro.
Já não há nada a ganhar, já que o amor se tornou uma propriedade.
Acreditaram erradamente que se podia ter amor, e foi exactamente isso que o fez deixar de existir.
Depois passam a escrever sobre o amor....
Baseado em "Ser ou Ter", de Erich Fromm
A verdade é que não existe essa coisa chamada "amor", do mesmo modo que não existe essa coisa chamada "bem" ou aqueloutra chamada "mal".
Amor é uma abstracção, talvez algo com uma natureza diferente da nossa, embora nunca alguém a tenha visto.
O que existe apenas é o acto de amar, que é uma actividade criadora. Supõe preocupação com o outro, conhecimento, resposta, afirmação, gosto pela pessoa, o quadro ou a ideia que se ama. É um processo de renovação e cerscimento. Na maior parte das vezes o chamado amor envolve a necessidade de impressionar ou controlar o objecto "amado". É sufocante, maléfico, fatal, não doador de vida. Aquilo a que muitos chamam amor, é geralmente uma má utilização da palavra, que tem por finalidade esconder a realidade da falta desse amor. Veja-se o caso clássico do namoro que acaba em casamento.
Geralmente o casamento funciona como despertador para esse sonho a que muitos chamam amor. Durante o namoro, nenhum dos dois está totalmente seguro acerca do outro, mas ambos tentam vencer. Ambos estão vivos, atraentes, interessantes, até belos. Ainda não são donos do outro. Com o casamento o contrato estabelecido dá a cada parceiro a posse "exclusiva" do corpo, sentimentos e atenção do outro.
Já não há nada a ganhar, já que o amor se tornou uma propriedade.
Acreditaram erradamente que se podia ter amor, e foi exactamente isso que o fez deixar de existir.
Depois passam a escrever sobre o amor....
Baseado em "Ser ou Ter", de Erich Fromm
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