Subitamente, após meses tão densos como a própria história do país, os portugueses descobrem diante do triste espectáculo subitamente posto a nu nos seus aspectos mais sórdidos, que o preço do seu voto não é a paz ou o progresso, mas a coragem de assumir o risco e a angústia de suportar o crime dos seus eleitos, e o seu fingido remorso .
Continuam a pedir-lhes a eles, aos portugueses, a decisão de escolher, de entre os vampiros, aqueles que parecem mais honestos, mais capazes de fugir à tentação de beber todo o seu sangue, todo o seu esforço. Uma vez que lhes voltarão a pedir a decisão, tomá-la-ão por fim, aceitando uma vez mais que sobre si recaia o peso da incompetência e da desonestidade dos escolhidos.
Alguns , conscientes de que escolheram a morte que os prostará, encolhem o sombros, sujeitando-se à inevitabilidade.Outros, arrastados por promessas falaciosas que não desejaram nem talvez entendam, ficarão reféns de uma fatalidade tão impenetrável como o rosto do político que agora lhes sorri, indiferente.
Sem comentários:
Enviar um comentário