domingo, 18 de março de 2012

Cultura e analfabetismo

O adolescente português chega geralmente ao fim do ensino obrigatório num estado mental e moral muito próximo da vida vegetativa.
É um ser humano? Antropologicamente, sem dúvida. Tem vida, mexe-se, tem figura humana. Até sabe usar o telemóvel e a internet, e ensaia o acto sexual, ou pensa que o faz, na via pública, em grupo ou isoladamente.
É um cidadão? Seguramente que não. Não sabe ler, não sabe o que ler, não sabe para que serve a leitura. Não sabe escrever, não tem ideias, não as sabe desenvolver, e mesmo que quisesse falta-lhe a cultura suficiente para desenrolar duas linhas seguidas com sentido.
Quando "escreve", fá-lo por siglas e com mais vivacidade que harmonia, sinal claro de falta de vocabulário.
É pois uma criatura que não poderá competir num mundo cada vez mais exigente.
Do seu país, da cultura do seu país, das tradições do seu país, das origens do seu país, das alegrias e dores de uma existência comum de mais de nove séculos, nada sabe.
Para ele a pátria é um sítio em Lisboa, governada por pessoas que falam muito na televisão, e que apanham por vezes quando fazem zapping para assistir às novelas tipo morangos com açucar e outras imbecilidades, e que depois se abotoam à grande, falam de coisas que ninguém entende como o pib o deficit ou as sondagens.
O seu único sonho é ser futebolista ou paparazi de futebolistas.
Em que se distingue este ser da terra, da besta, do escarlacho ou da gaivota?
Em falar? Que importa, se nada diz?

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