Como dizia Aristóteles, um fogo não arde da mesma maneira em dois locais diferentes.
Do mesmo modo há palavras iguais que têm significados opostos consoante a latitude em que são empregues.
Na sociedade Hindu os intocáveis são aqueles que trabalham com trabalhos indignos, sujos, com os mortos, amontoados de cadáveres e outros empregos que os mantêm em constante contacto com aquilo que o resto da sociedade indiana considera nojento e desagradável.
Os intocáveis são considerados individualmente sujos, e assim não podem contactar fisicamente com os "não-sujos", as partes mais puras da sociedade. Vivem separados do resto das pessoas. Ninguém pode interferir na sua vida social, pois os intocáveis são os últimos no “ranking” social, são considerados sub-humanos e não fazem parte do sistema de castas.
Aos intocáveis, só é permitido usar as roupas que retiram do corpo dos mortos. Nas suas casas, comem em louças quebradas. Eles sofrem de restrições sociais extremas. Não podem rezar no mesmo templo, não podem beber da mesma corrente de água, pois poderiam polui-la e indirectamente poluir as outras castas que dali bebessem.
Nenhum intocável pode entrar no templo se lá estiver alguém de uma casta superior – como os padres do templo, a casta suprema, nunca estão fora, na prática os intocáveis não podem frequentar qualquer templo.
As vítimas de Tamil Nadu, o Estado indiano mais devastado pelos tsunamis, esperaram ansiosos a ajuda do governo e de agências humanitárias para poderem reconstruir as suas vidas, mas os intocáveis - excluídos do sistema de castas hindu, não a receberam. Neste distrito com importante população dalit (intocáveis), vivia a maioria dos 10 mil mortos do tsunami de 2004.
Em Junho de 2006, uma revista popular brasileira, publicou uma entrevista com um intocável que disse que a sua família tinha que beber água barrenta de um poço e, por ter invadido o quintal do vizinho, um seu irmão foi amarrado a uma árvore e devorado por formigas, tendo ele e o seu pai sido obrigados a assistir.
Na sociedade Portuguesa os intocáveis, ao invés da Índia, são aqueles que todos querem tocar, que todos se esforçam por entrevistar, aqueles de que todos querem seguir os exemplos.
Ser intocável, em Portugal, é sinónimo não de impureza mas de impunidade, e assim sendo, é sinónimo também de se pertencer ao mais elevado nível da Sociedade.
O que tem em comum o intocável em Portugal, seja ele num caso mais ou menos mediático de pedofilia, ou de uma burla qualquer, grande ou pequena, numa qualquer autarquia? A sua permanente boa disposição, o seu ar jovial e sorridente, a sua ironia e o seu inatingível sentido de humor. Humor fino, de salão, política e socialmente correcto, culto. Assim se define o intocável, seja ele ou não seguidor dos exemplos paradigmáticos de Gondomar, Oeiras ou Felgueiras, Casa Pia, Freeport, BPN ou Eduardo VII.
A Língua Portuguesa é excessivamente traiçoeira, diria mesmo excessivamente irónica, pois dum modo excessivo coloca em oposição o sentido real do sentido literal da palavra INTOCÁVEL.
Do mesmo modo há palavras iguais que têm significados opostos consoante a latitude em que são empregues.
Na sociedade Hindu os intocáveis são aqueles que trabalham com trabalhos indignos, sujos, com os mortos, amontoados de cadáveres e outros empregos que os mantêm em constante contacto com aquilo que o resto da sociedade indiana considera nojento e desagradável.
Os intocáveis são considerados individualmente sujos, e assim não podem contactar fisicamente com os "não-sujos", as partes mais puras da sociedade. Vivem separados do resto das pessoas. Ninguém pode interferir na sua vida social, pois os intocáveis são os últimos no “ranking” social, são considerados sub-humanos e não fazem parte do sistema de castas.
Aos intocáveis, só é permitido usar as roupas que retiram do corpo dos mortos. Nas suas casas, comem em louças quebradas. Eles sofrem de restrições sociais extremas. Não podem rezar no mesmo templo, não podem beber da mesma corrente de água, pois poderiam polui-la e indirectamente poluir as outras castas que dali bebessem.
Nenhum intocável pode entrar no templo se lá estiver alguém de uma casta superior – como os padres do templo, a casta suprema, nunca estão fora, na prática os intocáveis não podem frequentar qualquer templo.
As vítimas de Tamil Nadu, o Estado indiano mais devastado pelos tsunamis, esperaram ansiosos a ajuda do governo e de agências humanitárias para poderem reconstruir as suas vidas, mas os intocáveis - excluídos do sistema de castas hindu, não a receberam. Neste distrito com importante população dalit (intocáveis), vivia a maioria dos 10 mil mortos do tsunami de 2004.
Em Junho de 2006, uma revista popular brasileira, publicou uma entrevista com um intocável que disse que a sua família tinha que beber água barrenta de um poço e, por ter invadido o quintal do vizinho, um seu irmão foi amarrado a uma árvore e devorado por formigas, tendo ele e o seu pai sido obrigados a assistir.
Na sociedade Portuguesa os intocáveis, ao invés da Índia, são aqueles que todos querem tocar, que todos se esforçam por entrevistar, aqueles de que todos querem seguir os exemplos.
Ser intocável, em Portugal, é sinónimo não de impureza mas de impunidade, e assim sendo, é sinónimo também de se pertencer ao mais elevado nível da Sociedade.
O que tem em comum o intocável em Portugal, seja ele num caso mais ou menos mediático de pedofilia, ou de uma burla qualquer, grande ou pequena, numa qualquer autarquia? A sua permanente boa disposição, o seu ar jovial e sorridente, a sua ironia e o seu inatingível sentido de humor. Humor fino, de salão, política e socialmente correcto, culto. Assim se define o intocável, seja ele ou não seguidor dos exemplos paradigmáticos de Gondomar, Oeiras ou Felgueiras, Casa Pia, Freeport, BPN ou Eduardo VII.
A Língua Portuguesa é excessivamente traiçoeira, diria mesmo excessivamente irónica, pois dum modo excessivo coloca em oposição o sentido real do sentido literal da palavra INTOCÁVEL.
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