domingo, 18 de março de 2012

Céptico dogmático

Se entre nós só houvesse uma diferença de gosto, eu nunca te incomodaria com este meu comentário.
Mas tudo acontece como se tu possuisses toda a verdade, toda a graça, e eu não.
Sei que não sou muito simpático para com os outros, que não me limito a dizer banalidades, como tu.
E é natural que os nossos amigos não gostem de me ler.
Prefiram o discurso sorridente, a superficialidade.
Fartos de desgraças estão eles, dizes tu, enquanto cultivas mais um nabo no farmville.
Eu sou livre de gostar ou não de xarém com ameijoas, mas se não gosto do que aqui leio, sou um miserável e não interesso a ninguém neste mundo virtual.
Parece que existe aqui o monopólio da vida.
Parece que em cima de cada página do feicebuk deveria haver um letreiro dizendo:
"Ninguém entra aqui se não for superficial, se não for humanista e optimista".
No fundo as palavras que escrevo não são minhas. Arrastam-se não sei há quanto tempo em inúmeras consciências, e não é sem repugnância que por vezes as uso.
Entenderei eu mal o objectivo deste jogo?
Será que sou o único a vislumbrar nesta ilusão um jogo tenebroso, inventado por alguém com objectivos inconfessáveis?
Estaremos nós a ser manipulados, a servir de cobaias numa experiência qualquer?
No fundo não estou furioso contigo.Pelo contrário, estou muito calmo e peço-te que aceites os meus respeitosos cumprimentos.

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