domingo, 18 de março de 2012

Gagarin

As pessoas andam aborrecidas. Nunca o ser humano teve tanta coisa à sua disposição, e contudo aborrece-se de morte.
De tal sorte que a sociedade tem que inventar distrações, e criou entre outras coisas as chamadas "redes sociais", de que o Facebook ou o Twitter parecem ser o actual paradigma.
Toda a gente aparece sorridente, bem disposta, chamando a atenção, desesperadamente, como se de um grito de socorro se tratasse.
Multiplicam-se as fotos felizes, as festas de arromba, e tudo serve para mostrar uma máscara sorridente, bem-disposta, moderna e competitiva, apelativa, atraente, desejável.
Coitados.
Esquecem-se que estão a ser apenas objectivos, ignorando totalmente a subjectividade, que é a essência do misticismo, que conduz à felicidade.
É preciso que as pessoas comecem a olhar para o seu interior, a dirigir o seu olhar para dentro, alcançando dessse modo a sua fonte vital.
E assim que começarem a ter contacto com essa essência, deixarão de sentir tédio, de necessitar das "redes sociais".
Que em última análise são exactamente isso: Redes. Redes que enredam totalmente as nossas consciências.
As pessoas olham sempre para algo longínquo. Parecem desdenhar o óbvio, o que está perto delas.
Yuri Gagarin (1934 — 1968) em 12 de abril de 1961, aos 27 anos de idade, a bordo da nave Vostok 1, deu uma volta completa em órbita ao redor da Terra, e aproximou-se da lua, sendo o primeiro homem a fazê-lo.Quando regressou à Terra, como herói, os jornalistas perguntaram-lhe:

"Qual a primeira coisa em que pensou quando se aproximou da lua?""A primeira coisa em que pensei...olhei para a Terra e disse, espantado: "Que bela é a Terra. é tão azul".

Só de longe nos apercebemos das coisas que temos à mão. A Terra não nos interessa a não ser que nos afastemos dela.Yuri Gagarin vivera toda a sua vida na Terra e foi preciso afastar-se dela para entender a sua beleza.Nós somos aquilo que mais perto está de nós, e é por isso que as pessoas continuam a não se entender, a não se encontrar.
E não há forma de se afastarem de si próprias.

Continuam a ir às redes sociais, como Gagarin foi para o espaço...

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