Até quando, Sócrates, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura?
A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?
Nem as manifestações, nem as greves gerais, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião da AR, nem o olhar e o aspecto destes deputados eleitos pelo povo, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na actual e anterior legislatura, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! A AR tem conhecimento destes factos, o Presidente tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua actuante!
Mais ainda, até na ARele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina.
E nós, homens valorosos, cuidamos de cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. Para a rua, Sócrates, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do Presidentel; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
Pois não é verdade que uma personagem tão notável como era o anterior presidente, pontífice máximo. mandou, como simples particular, demitir Santana, que levemente perturbara a constituição do Estado?
E Sócrates, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, o povo, de o suportar toda a vida?
E já não falo naqueles casos de outras eras, como o Freeport ou o Face Oculta.
Havia, havia outrora nesta República, uma tal disciplina moral que os homens de coragem puniam com mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos.
Temos um decreto da MP contra ti, Sócrates, um decreto rigoroso e grave; não é a decisão clara nem a autoridade da Ordem aqui presente que falta à República; nós, digo-o publicamente, nós, o povo, é que faltamos.
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