domingo, 18 de março de 2012

Mistificação

Habituei-me a viajar sem bagagem, com pouco peso.
Sempre pronto a partir.
Considero-me de certa forma um privilegiado, se bem que o meu ego ache que fiz por merecê-lo.
Quando as coisas começam a cheirar mal neste cantinho onde nasci e onde nasceram os meus antepasssados (até Leonor Velho Pereira, que nasceu na Galiza em 1620), abro as asas e dou o salto. Não tenho paciência. Desisti. Refugio-me em Belo Horizonte, onde posso descansar numa rede, seminu, ouvindo a voz da floresta de água, sonhando com os sabores da Dádá, ou enfio o chapéu de côco e vou tomar o breakfast em Picadilly.
Manias, diz o meu irmão, que nunca entendeu as minhas necessidades em ir para tão longe, quando tenho o mar de Sagres onde mergulhar e ver a tempestade passar por cima..

Tudo isto por causa da confusão em que os políticos, os de cá e os da Europa, nos meteram.
Cansei-me desses aventureiros sem escrúpulos, nem alma, que fizeram da "arte de Sócrates" uma profissão, e depois a transformaram numa espécie de cartel, onde tudo vale para enriquecer facilmente.
Confesso que tive muitas esperanças em Abril, como quase todos os da minha geração.Mas rapidamente fui lendo nas entrelinhas e fiz o retrato-robô.
Ouço com um sorriso nos lábios, de comiseração, sem espanto, as pessoas dizerem, na rua, no feicebuk, ou no plano inclinado:
"Temos de exigir aos políticos que desempenhem bem as suas funções.Foram mandatados para desenvolver o país e cometeram imensos erros) !?
As pessoas comuns, desatentas, por lascismo, comodismo, ignorância ou inconsciência (inclino-me para esta opção), pensam que estes políticos, que nós pensamos que elegemos, mas que foram previamente escolhidos pelas máquinas partidárias, pensam, dizia eu, que eles ERRARAM.
Mas não! Eles fizeram exactamente aquilo que se propuseram fazer: Melhoraram a sua vida, enriqueceram, ganharam poder, teceram a rede que os há-de segurar quando os alicerces cairem.
E curiosamente, os portugueses, habituados a serem mandados, na monarquia, e governados, na república, acham que com as próximas eleições tudo irá mudar.
Continuam, no seu sonambulismo,a acreditar na mistificação

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