domingo, 18 de março de 2012

O Ego colectivo

É tão difícil viver comigo mesmo!
Uma das formas encontradas pelo ego para tentar fugir ao carácter insatisfatório da individualidade, é ampliar e reforçar a sua noção de identidade, identificando-se com um grupo - uma nação, um partido político, um clube de futebol...
Em alguns casos o ego pessoal parece dissolver-se totalmente quando um indivíduo dedica a sua vida a trabalhar altruisticamente para uma causa.
"Que alívio", dirão. Mas serão eles verdadeiramente livres ou terá o ego apenas migrado do individual para o colectivo?

O ego colectivo tem, do mesmo modo que o individual, a mesma necessidade de criar relacções conflituosas, de ter inimigos, de ser /ter mais que o outro, de ter razão...
Cedo ou tarde, o ego colectivo entrará em conflito com outros egos colectivos, pois precisa de oposição (Lei da acção e reacção). Os seus adeptos recomeçam a sofrer! Talvez alguns, neste estágio, reconheçam a sua dose de loucura. Outros tornam-se cínicos e azedos e negam os valores. Não fugiram do seu ego individual, apenas o substituiram por outro, mais perigoso, o ego colectivo.
O ego colectivo é ainda mais inconsciente que o ego individual, e as multidões são capazes de cometer atrocidades que os indivíduos isoladamente nunca fariam.
Veja-se o caso do nazismo ou do assassinato de D. Carlos.
Apenas alguns serão impelidos a tomar consciência destes factos e começam a meditar neles.
Estes sim, libertaram-se do ego, pois não têm necessidade de definir a sua identidade.
Eles são, apenas e só.

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