A maior parte das pessoas, nesta sociedade que se apelida de moderna, corre desesperadamente atrás dos problemas que criou inconscientemente, na procura de soluções.
Soluções que são invariavelmente de carácter económico ou financeiro, pois na sociedade do TER, nós somos aquilo que temos, e portanto, se nada tivermos, nada somos.
Surge então, inevitavelmente, aquele que eu considero o grande mal da sociedade moderna: a indiferença.
Indiferença para com aqueles que ficam para trás nessa corrida perversa, e apenas sobrevivem num qualquer canto da cidade indiferente ,ou para com aqueles, que sendo do nosso sangue, e tudo fizeram para nosso bem, são agora considerados um lastro que temos que descartar para não perdermos a corrida louca em que nos metemos voluntária ou involuntariamente.
Pura e simplesmente vemo-nos livres dos velhos.
Ser velho nesta sociedade é um anátema. Par que raio queremos nós quem já não produz riqueza, quem já nada pode acrescentar à nossa conta bancária?
Do ponto de vista do TER, essa abordagem é absolutamente correcta, pois na maior parte dos casos, um velho não tem rendimentos que se vejam.
Felizmente há os lares, para limpar as nossas consciências.
Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e até pagamos algum do nosso bolso pois a pensão dos velhos não chega.
Talvez o lar não tenha todas as condições, talvez até o pessoal seja incompetente e esteja lá para ganhar mais algum dinheiro.
Quem os pode criticar?
Nós somos aquilo que temos, e se depois de um dia a trabalhar alguém quiser fazer mais umas horitas a tomar conta de velhos pela noite, tudo bem.
Estamos descanados, e já nos livrámos do excesso d epeso.
Pode até acontecer que o svelhos morram mais depressa, o que no seu caso até pode ser uma bênção.E se as mortes forem consideradas suspeitas, enfim, a responsabilidade é do lar, é do Estado, que não inspeccionou devidamente as condições de funcionamento.
Nós, os filhos, os netos, fizemos o que podíamos.
Um velho já não tem futuro e ninguém quer saber da sua tão proclamada experiência de vida.
Para isso existe o Google.
Talvez até seja um bem o seu desaparecimento.
Graças a Deus que sou novo.
Deus me conserve assim.