segunda-feira, 19 de março de 2012

Amigos e Deus

Há muito que deixámos de ter amigos.
Temos conhecidos, colegas, admiradores, sócios, investidores, financiadores, aduladores, parceiros, amantes.
Mas amigos verdadeiros, não.
E apostamos na virtualidade, compensamos a qualidade da amizade com a quantidade, na esperança que alguém tão inconsciente e supérfluo como nós nos faça o favor de nos dedicar alguns segundos, finja interesse, admiração e empatia.
E pecamos continuamente.Alguns de nós até têm o desplante de falar de religião, que pode contribuir para a moral, de múltiplos modos. A religião autêntica deverá constituir mais um impulso para a acção ética. Quando se pergunta no Facebook pelo fundamento último da moral na sua incondicionalidade, é difícil não ser confrontado com a ideia vaga de religião e o absoluto de Deus. Depois, a religião dá horizonte de futuro, mesmo quando se falhou e se precisa de perdão e novo alento e abre à esperança de sentido último. E chega-se à conclusão, com Nietzsche, que Deus está morto.
E urge então perguntar:
"Agora que não há Deus, quem nos irá perdoar tanta superficialidade?"

Sem comentários:

Enviar um comentário