segunda-feira, 19 de março de 2012

Augusta Duarte Martinho

Faria hoje 96 anos (12.02.1915 - 2002?).
Nasceu no mesmo ano do meu pai, apenas um mês antes.
Esteve morta em sua casa, entregue ao mais insidioso isolamento e esquecimento, da família, do país, de Deus, durante nove anos.
Este é o paradigma dos paradigmas do estado a que chegou uma sociedade que se diz de pessoas civilizadas.
E tudo isto aconteceu sem que uma única voz se ouvisse no Parlamento, a casa da chamada democracia, para levantar este caso que reflete bem o estado de degradação social, comportamental, humanística, a que chegou o Estado, as famílias, as instituições, os nossos sentimentos.
O país está reduzido a números, estatísticas. E para o comprovar aí está o facto de que apenas as Finanças, na sua cega loucura de reduzir as pessoas a números, a euros, conseguiu arrombar a porta da casa de Augusta Duarte Martinho.
Já não há pessoas, emoções.
Ninguém esboça um sorriso, um cumprimento.
Somos máquinas, apenas.
Já não há lugar para os sonhos, para a solidariedade, para o amor pelo próximo.
Os presságios avolumam-se.
No reino animal, toda uma manada, alcateia, matilha, se junta para proteger um seu membro em dificuldades.
Os humanos, não.
Dizemo-nos civilizados, mas haveríamos de ouvir as opiniões dos outros animais sobre nós.
Ficaríamos clarificados.

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