segunda-feira, 19 de março de 2012

Leitura possível

A literatura é um pouco como o amor.
Tem que nos seduzir à leitura.
Ler por obrigação é como fazer do amor um dever matrimonial.
Aqui a boa vontade não basta.
O exame à sensibilidade é associado à espontaneidade.
Afinal as pessoas não têm que passar a vida a apaixonar-se.
Mas se não o fizermos pelo menos uma vez na vida, uma luz sinistra é lançada sobre o estado da nossa alma.
No meu tempo os jovens eram iniciados nos segredos do amor físico mandando-os ao bordel, onde a troco de dinheiro uma cortesã experimentada o levava cuidadosamente a perder a timidez.
Do mesmo modo, qualquer um deveria ler, por assim dizer, para se iniciar, um grande romance nem que fosse por uma espécie de sentido de obrigação, a fim de , seguidamente, se reger pelos seus próprios impulsos.
Poderá depois dizer com alívio "nunca mais" ou então ter-lhe ganho o gosto.
Em ambos os casos, o iniciado verá franqueda a porta do conhecimento.

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