segunda-feira, 19 de março de 2012

Máscaras

"Eu represento o papel da pessoa que tu queres que eu seja, e tu representas o papel da pessoa que eu quero que tu sejas".
Nada mais verdadeiro!
Só que estes papéis, que se assumem por exemplo no início de uma relação amorosa, numa paixão ou numa lua-de-mel, no feicebuke, não podem ser mantidos indefinidamente.
O amigo do feicebuke tem uma imagem mental não apenas de quem a outra pessoa é, mas também de quem ele é, aquele amigo com quem interage.
Por isso ele não está a estabelecer uma relação com a outra pessoa.
A pessoa que ele pensa ser está a estabelecer uma relação com a imagem que faz do outro, e vice-versa.
A imagem conceptual que o amigo do feicebuke faz de si mesmo, criada pela sua mente, está a estabelecer uma relação com a sua própria criação, ou seja, com a imagem conceptual que faz do outro.
A mente da outra pessoa faz seguramente a mesma coisa.
Por isso qualquer interação no feicebuke, egóica, como se demonstrou, entre duas pessoas, dois amigos, é na realidade uma interação entre quatro entidades conceptuais fabricadas pela mente, que em última instância, não passa de ficção.
Por isso não admira que haja tantos conflitos nas relações com as pessoas, de que o caso recente do modelo e do jornalista é um exemplo extremo.

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