segunda-feira, 19 de março de 2012

Ensino escamoteado

Fui professor no IST durante duas décadas, como assistente convidado, que a minha vocação é a indústria, onde o prazer de criar só se equipara ao de amar.
E saí do ensino porque tudo começou a ficar subvertido.
É natural que as notas sirvam de comparação, como o dinheiro, afinal, e tornem o incomparável comparável.
Por cada bom aluno haverá sempre um aluno mau ou mediocre que dele se distingue. Aliás não haveria bons alunos se não houvessem maus alunos.
O que sucede é que a partir de determinada altura, as notas foram inflacionadas. Como no ensino básico ou secundário, afinal.
Foi como a inflação com o dinheiro. Toda a gente tem a carteira recheada de notas de 500 euros, mas não consegue comprar nada com elas.
Cada aluno que não seja particularmente retardado recebe hoje um a classificação aceitável ou mesmo elevada.
Mas isso já nada vale, perdeu todo o seu sentido. As notas passaram a estar para a escola como as frases feitas para a linguagem: deixaram de fazer sentido.
Para os alunos que o são efectivamente, a escola deixou de interessar, os professores que o são verdadeiramente, foram acometidos pelo desprezo e entregaram-se diariamente a um destino terrivel, o de ver a sua utopia desmoronar-se.

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