A sociedade dá a doença e promove a cura.
Uma das formas mais bem sucedidas que ela tem de propagar a doença é através da promoção da ambição.
Qualquer jovem, hoje em dia, acha que, se seguir a política de casino promovida pelos midia, conseguirá fama e riqueza sem ter que se esforçar muito.
Sem ter que trabalhar.
As ambições são contagiosas e facilmente os mais desprevenidos são infectados por essa febre.
Começamos por avançar numa direcção que não é a nossa, começamos a fazer coisas que nunca pensámos antes, só porque estamos na companhia de alguém que a isso nos tivesse induzido.
Os pais, os amigos, as televisões....
A ambição é a causa primordial da loucura, e por isso devemos tentar entendê-la.
O nosso esforço, o esforço de Renato, para ser alguém neste mundo (e ele já era alguém, como todos nós) levou-o à loucura.
Não largou a ambição, não começou a viver, não conseguia viver, pois estava sempre a adiar essa introspecção. Estava sempre a ser incentivado por aqueles que agora o condenam, os midia, os falsos moralistas, os fazedores de loucuras.
A vida de Renato, a sua vida real iria ser amanhã, e o amanhã nunca chega.
As pessoas ambiciosas estão condenadas a ser agressivas e violentas, e as pessoas agressivas estão condenadas a enlouquecer.
A pessoa ambiciosa está sempre com pressa, a correr, a precipitar-se, em direcção a qualquer coisa que sente vagamente que existe, mas nunca vai encontrar.
É como o horizonte, ele não existe, apenas parece existir.

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