terça-feira, 13 de março de 2012

Actor

O teatro sempre me fascinou, especialmente se nele intervêm grandes actores, que representam de uma forma magistral as mais variadas personagens.
E fazem-no com tanto realismo, identificam-se de tal modo com estas que nos transmitem a sensação, a nós, espectadores, que desaparecem, e quem ali está de facto é outra pessoa.
De tal sorte assim é a ilusão e a perfeição do artista, que só no final da peça nos apercebemos que afinal tudo não passava de uma representação, e que afinal o actor sempre ali estivera, consciente da dualidade que encerrava.
É esse paradoxo espiritual que tento emprestar à minha existência. Sei que muito do que faço não emana exactamente de mim, mas do meu ego, que tenta monopolizar os aplausos dos que assistem à representação neste palco universal.
E permaneço a uma certa distância de mim mesmo, atento, mas dando-me alguma corda, e olhando para mim mesmo de testa franzida face a algumas deixas egóicas, sabendo que preciso mostrar a minha arte, e até sou condescendente para comigo nessa minha ilusão.

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