Será que no nosso íntimo procuramos realmente a felicidade?
Ou procuramos a paixão, a vertigem, o êxtase?
Talvez alguns procurem de facto a felicidade e sejam capazes de a prender quando esvoaça, mas outros...outros olham-na intensamente à distancia, esboçam até, por vezes, um gesto na sua direcção e esforçam-se furiosamente por contrariar as marés do corpo e da alma que, incompreensivelmente, teimam em não querer "aquilo".
Já vos aconteceu pensar que, se se apaixonassem por determinada pessoa ou até se fossem capazes de amá-la sem paixão, seriam felizes?
Já se cruzaram com homens ou mulheres que seriam o ideal para vocês se ao menos os pudessem amar?
A história repete-se.
Desfilam pela nossa vida pessoas boas, excepcionalmente boas, generosas, inteligentes, sensíveis e sobretudo, capazes de amar, de nos amar.
Amar verdadeiramente, profundamente.
Mas por uma qualquer maldade do destino, rejeitamos essas pessoas com as vísceras.
Queremo-las como amigas, só como amigas.
Não suportamos os seus olhares embevecidos de pedintes, os olhares lascivos, de soslaio, a ternura com que tentam cercar-nos num ninho amoroso.
Quem nos dera poder apagar desses rostos tudo o que não queremos ver, apagar com um só sopro, essa vela impertinente que se mantém acesa neles a despeito da nossa sinceridade, até por vezes, da nossa crueldade.
Como é possível sentir repugnância por alguém cujo único crime é amar-nos?
Como é possível gostar de tudo numa pessoa menos do amor que sente por nós?
Esforçamo-nos para que deixem de nos amar e falhamos sucessivamente; esforçamo-nos por aceitar que nos amem e falhamos sucessivamente.
O amor.
Que estranho labirinto este onde nos perdemos tantas e tantas vezes.
Porque se deseja aquilo que, de antemão se sabe, não nos trará felicidade?
Como se contraria este desejo?
Quando conseguiremos, finalmente, submeter o instinto à razão?
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