quarta-feira, 14 de março de 2012

Optimista compulsivo

Acho que chamar país a Portugal neste início de século e de milénio só por brincadeira.
A populaça já só anda a pé e muitas vezes descalça.
Um quarto das crianças vive no limiar da pobreza.
Para se ter um emprego, sendo licenciado ou não,tem que se declarar pretender o "salário mínimo".
A saída óbvia é a política.
Mas aí só os bravos sobrevivem.
Talvez nas máfias.
A Europa puxa-nos as orelhas e dá-nos reguadas e impõe-nos mais e mais restrições.
O nosso primeiro aparece sorridente a dizer que tudo está bem.
Para quem?
(Quando se fala em gestão por objectivos a primeira pergunta que se deve fazer é:
"Objectivos de quem?") - recordando o saudoso duo Brancy (Bryan, o cherokee, mais a bela Nancy).
A decadência, mais que visível, virou espectáculo.
Excepcionalmente atrativo.
Media.
Níveis de audiência.
Castel Branco, Lili, Autarcas...
Os valores eclipsaram-se.
Já nem a estética se safa.
As miúdas competem com os piores dos rapazes na arte do palavrão.
Os rapazes usam agora umas calças como o Mário Moreno "Cantinflas"usava nos anos 50.
Mas este tinha a decência de usar uma camisola por baixo.
Quanto pior, melhor.
O nosso primeiro ministro aparece sorridente a dizer que tudo está bem.
Para quem?
Fazem-se concursos para distinguir as celulites e varizes, tatuagens, palavrões e pontapés, piercings na glote.
Falsas modéstias, conformismos, manipulações, mentiras descaradas.
O Ministro da Economia, Manuel Pinho diz que está preocupado com o aumento dos combustíveis.
Mas alguém o leva a sério?
Quanto mais caro melhor para a economia.
Será que ele é burro?
Ou seremos nós?
O burro sou eu?
A ignorância avança duma forma avassaladora.
Toda a gente se está nas tintas.
Fala-se muito e pouco ou nada se diz.
Protesta-se imenso entre dois mundiais ou dois europeus de futebol, ou entre duas pontes à sexta-feira.
Ninguém quer a Verdade.
Todos têm um pavor enorme da Verdade.
As mulheres portuguesas vão parir a Badajoz.
A Igreja , a braços com as contas da nova Catedral em Fátima, remete-se ao silêncio.
(Terão percentagem na gasolina e gasóleo, ou apenas na decadência da virtude?).
Durante o próximo mês iremos focar a atenção em Viseu e depois na Suiça.
Já tenho bilhetes e programa turístico.
Aproveito e vou à Áustria, a terra do Hitler e de Josef Fritzl.
Jogadores.
Viva Portugal.
Meninas e meninos histéricos aos gritos.
Bandeiras na janela.
Bandeiras a servir de cuecas.
Está tudo bem, estamos no bom caminho - diz o optimista compulsivo, que por acaso também o é enquanto mentiroso, porque político.
O primeiro de todos.
Sorrisos maviosos, enjoados, arrotando a lampreia.
Pinto da Costa.
Sai de um tribunal para se juntar aos representantes da Nação.
Já estava marcado.
A Educação está de tanga.
Educadores e educandos.
Não se vê futuro algum.
Os professores são tratados como indesejáveis e os alunos pagam as favas, as propinas e a sua ignorância.
Golo de Ronaldo!!
Que se lixe a taça.
Viva Portugal.
(Fado, Fátima e Futebol.
Salazar era um visionário.)
Mas tudo está no bom caminho.
Ainda somos bons, talvez os melhores, a abater sobreiros para fazer campos de golfe.
Somos os maiores no nacional-porreirismo.
Temos autarcas que roubam mas fazem.
Temos autarcas que sabem que podem fazer pois sabem que quem os poderia julgar também irá fazer no futuro.
Abrir precedentes?
Afinal de contas estamos protegidos.
O nosso PR, conterrâneo meu, está atento.
Tudo vê.
O Governo actua, o PR observa, e a vida continua.

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