quarta-feira, 14 de março de 2012

Narcisismo

Narciso,obcecado por si próprio, não sonha, limita-se a trabalhar árduamente para a libertação do EU e para o seu grandioso destino de independência.
A palavra de ordem hoje em dia é "renunciar ao amor, to love myself enough so that I do not need another to make me happy"... o narcisismo contemporâneo não se define pelo trágico mas sim pela apatia.
O trágico é simplesmente abolido, o tempo em que o desespero caracterizava as almas excepcionais, poéticas e torturadas, passou.
Agora tudo se passa sem revolta, sem vertigem.
" Qualquer sentido é preferível à completa ausência de sentido" dizia Nietzsche - pois, pois, mas isso era antes!
Agora, a necessidade de sentido deu lugar a uma existência indiferente ao sentido.
Deus morreu, os grandes ideais desvaneceram-se - e toda a gente se está nas tintas para isso!
A indiferença substitui a infelicidade metafísica.
Instala-se um deserto sem tragédia, sem revolta, sem desespero que deixou de se identificar com as grandes questões da morte e do nada.
É um deserto "clean" onde é possível e desejável viver sem finalidade nem sentido, numa sequência de acontecimentos espectaculares e feitos à medida.
Viver no presente, apenas no presente, nunca em função do passado e do futuro.
Para quê a continuidade histórica?
Narciso quere-se a-histórico.
O meu eu é o umbigo do mundo...

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