Os mortos no Egipto Antigo tinham que passar por uma ponte "mais fina que um cabelo", e eram-lhes feitas duas perguntas a que deveriam responder com sinceridade.
Se não fossem honestos na resposta,cairiam no abismo profundo do inferno.
As perguntas eram as seguintes:
1. Conseguiste atingir a Felicidade em vida?
2. Conseguiste fazer alguem feliz em vida?
Lembrei-me desta parábola a propósito do acidente de ontem no Alto das Vinhas, entre Sesimbra e Setúbal, em que perdeu a vida uma miuda de 12 anos; e associei imediatamente essa tragédia à da ponte Hintze Ribeiro, há uns anitos atrás (a velocidade do esquecimento....).
Não pelo acidente em si, mas pela entrevista que a Governadora Civil de Setúbal se apressou a conceder aos media.
ENTRE-OS -RIOS
....O ex-ministro das Obras Públicas Jorge Coelho, que se demitiu na sequência da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, lamentou, após conclusão do processo, que a culpa "tenha morrido solteira", depois de o tribunal ter ilibado todos os acusados.
Para Jorge Coelho,(hoje Consultor(?) da Mota-Engil - prémio bem merecido por ter habilmente fugido das suas responsabiliades) "não é possível que 59 pessoas tenham morrido a atravessar um equipamento cuja manutenção é da responsabilidade do Estado e, feita a investigação, ninguém seja responsabilizado".O antigo ministro disse recear que "a desresponsabilização" se torne "uma normalidade" em Portugal.
A ele se pode atribuir então a frase célebre: Abomino a impunidade mesmo quando dela beneficio.
É de político.
ALTO DAS VINHAS
Uma menina de 12 anos morreu e três crianças sofreram ferimentos ligeiros devido à colisão de um autocarro com cerca de vinte crianças a bordo com um pesado de mercadorias, na estrada entre Sesimbra e Setúbal
"A Estrada Nacional 379, que liga Azeitão a Sesimbra, e onde ao final da tarde de segunda-feira ocorreu um acidente que vitimou uma rapariga de 12 anos, deve ser avaliada pelo Observatório Distrital de Segurança Rodoviária - diz a Governadora Civil de Setúbal, Eurídice Pereira, que afirma que o organismo recentemente criado já tinha sinalizado a estrada no sentido de a avaliar...."
É de política.
As pessoas que sofrem, que caem na desgraça, facilmente se voltam para para quem lhes prometer uma solução.
Ou seja, as pessoas podem aguentar e ser pacientes com o seu sofrimento se virem uma utopia no horizonte.
Mas "utopia" é aquilo que nunca acontece.
É uma alucinação.
Políticos e padres vivem de promessas.
Mas nos últimos dez mil anos nenhuma promessa foi cumprida.
E mentem tanto que já o fazem inconscientemente.
Duvido muito que conseguissem atravessar a tal ponte no Antigo Egipto.
Nem talvez fossem capazes de atravessar a Hintze Ribeiro ou o Alto das Vinhas.
Provavelmente já conheciam a sua fraqueza.
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