quarta-feira, 14 de março de 2012

Cassiano

Tem nome de Imperador Romano.
Foi meu colega no LNF e colega de uma célebre equipa de andebol nos torneios da extinta Mocidade Portuguesa.
Era ele quem nos transmitia a força e a coragem nos momentos (muitos) de dificuldade durante os jogos.
Éramos auto-didactas, pois o treino da modalidade era praticamente inexistente
O nosso Professor de ginástica, Prof. Fortes, era um atleta (lembro-me dele a fazer o pino em cima duma mesa de bilhar na cave do extinto Café Paris), mas em termos de acompanhamento da equipa de andebol deixava muito a desejar.
Confesso que não me lembro de todos os companheiros de equipa (estou a vê-los mas não me recordo dos nomes de todos).
Mesmo sem treinador nem treinos, ainda fomos várias vezes campeões do Algarve e disputámos alguns jogos com equipas de outros distritos.
Lembro-me de um jogo em Setúbal contra a Emídio Navarro de Almada, que perdemos à tangente.
Um feito.
Mas relembro isto para associar o Cassiano a uma virtude, como já fiz com Merlin Nobre.
Desta vez uso a Simplicidade.
A simplicidade é o esquecimento de si, do seu orgulho e do seu medo: é quietude contra inquietude, alegria contra preocupação, leveza contra seriedade, espontaneidade contra reflexão, amor contra amor-próprio, verdade contra pretensão...O Eu, de certo modo, subsiste, mas aligeirado, purificado, liberto.
Há mesmo muito tempo que o simples desistiu de buscar a salvação, que já não se aflige com a sua perda. A religião é para ele demasiado complicada.
E também a moralidade.De que serve virar-se perpetuamente para si mesmo?
Nunca mais acabaríamos de examinar-nos, julgar-nos, condenar-nos...As nossas melhores acções são suspeitas; os nossos melhores sentimentos, equívocos.
O simples sabe disso, e ri-se.
Não se interessa o suficiente para se julgar.
Não se leva a sério nem se vê como uma tragédia.
Segue o seu caminho, de coração leve, a alma em paz, sem meta, sem nostalgia, sem impaciência.
Eis Cassiano.
Dele guardo as melhores recordações.

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