quinta-feira, 15 de março de 2012

O Velho professor

O Velho Professor vivia a sua vida como se estivesse num estado hipnótico.
Nem se apercebia que tinha à sua frente um conjunto de alunos.
Por vezes os alunos iam saindo da sala sem que de tal, ele, o Velho Professor, se apercebesse.
Debitava a sua sabedoria, ou no mínimo, os seus conhecimentos, com os olhos postos no chão.
Certos ou errados.
É assim com a grande maioria dos professores da década de 60, no Liceu Nacional de Faro.
Envelheceram, mas não cresceram.
Não se tornaram sensatos.
E envelhecer não significa tornar-se sensato.
Houve um que até costumava cuspir para a vidraça , pensando que esta estava aberta.
E nem disso se apercebia.
Debitava.
Talvez tivesse sido um louco na sua juventude.
Agora, velho, apenas era um velho louco.
Talvez até mais louco que na juventude, pois agarrou-se a hábitos mecânicos, como o de cuspir para a janela.
Como um bom português, no dizer do director da ASAE, António Nunes.

Seguem-se alguns sutras para identificarmos os sintomas de velhice :

1. "Um velho é aquele que usa óculos na cama para ver melhor as raparigas com quem sonha..."
2. Um velho é aquele que só namorisca as raparigas nas festas e cocktails para que a esposa o leve para casa..."
3. O velho é aquele que por ser demasiado velho para dar um mau exemplo, começa a dar bons conselhos..."
4. As mulheres gostam das coisas simples da vida - por exemplo dos homens velhos. Deixaram de meter medo, são perfeitamente aceitáveis..."
5. Dentro de cada velho há sempre um jovem que se pergunta o que é que terá acontecido..."

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