quinta-feira, 15 de março de 2012

O sucesso em Faro

percorri muitas milhas em vários continentes.
Já conheci muitos humanos, conscientes e inconscientes.
Muito ricos e muito pobres.
Devo dizer que o sucesso exige no mínimo, coragem.
Não sei ainda o que significa a palavra "sucesso".
Sei que nada fracassa tanto como o "sucesso".
(Que o diga a seleção francesa de futebol.)
Há quem diga que neste sentido se opõem a preguiça moral e alguma virtude qualquer.
Falemos do êxito comercial na cidade de Faro.
Não é complicado nem obscuro.
Também não é sensacional.
Os notáveis da cidade de Faro souberam impor limites artificiais às suas actividades.
Os seus crimes são pequenos e os seus êxitos medíocres .
Se os métodos da administração política, municipal e comercial de Faro fossem estudados com cuidado, descobrir-se-ia a violação de cem regras legais e pelo menos mil regras morais.
Mas não são mais que infrações menores, roubos insignificantes.
Ignoram uma boa parte do Código Legal e Ético (existirá este calhamaço?) e observam o resto.
E, logo que um destes respeitáveis cidadãos obtém aquilo que queria ou de que tinha necessidade, volta às suas virtudes com a mesma facilidade com que muda de camisa, ou de amante.
E, como todos os farenses podem constatar, não sofre qualquer prejuízo com as suas faltas, pois nunca é agarrado.
Algum farense pensará que o possa vir a ser?
Não o sei, não conheço a fundo o novo coração farense.
Se os pequenos delitos são perdoados, que acontecerá com o grande crime, rápido e brutal?
Será o assassínio praticado de maneira lenta e suave preferível à misericordiosa facada?
O Comércio (da nova escravatura à concessão política corruptível) tornou-se uma espécie de guerra, não duvidem os farenses de hoje.
A Administração não dispara sobre os contribuintes.
Limita-se a aconselhá-los mal, e depois herda-lhes os haveres, duma ou de outra maneira.
De entre as grandes fortunas que admiramos ou invejamos, haverá alguma que nada deva à crueldade?
Se há, eu ainda não a conheço.

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