É fácil pretender possuir aquilo que aos outros faz falta, desde que se conheça a condição humana.
E se esse outro é uma mulher casada, que ainda por cima ama o marido, o jogo torna-se então muito mais fascinante.
Mas o verdadeiro fascínio do caçador não passa necessariamente pela sedução da mulher de outro.
O verdadeiro prazer advem do facto de se verificar que algumas verdades teóricas sobre os comportamentos continuam , ainda hoje, e apesar de toda a informação disponível,a ser válidas.E são uma arma letal quando bem utilizadas.
Algumas mulheres bem casadas e que amam os companheiros sentem-se tremendamente aborrecidas, por vezes quase que entediadas ( algumas passam a comer demais e até ficam com excesso de peso), e procuram desfazer-se desse aborrecimento duma forma tradicional: arranjam um amante!
Saber ouvir, saber concordar,saber fingir cumplicidade, sem nunca tirar conclusões, é quanto basta para prender a atenção.
Porque está então um romance harmonioso condenado a falhar, ao ponto de se tornar fastidioso? Exactamente por isso, por ser harmonioso.
Se neste ponto a mulher entediada soubesse fazer uma análise introspectiva, escolheria outra via para continuar. Mas se ela não sabe, o ego toma o seu lugar.
O ego deixa de ter interesse no romance pois o ego entende que já nada há para conquistar. Tudo é perfeito, tudo é tão suave, sem escolhos, que o romance ou mesmo a vida deixam de existir, deixam de fazer sentido.Se o romance é demasiado harmonioso, a mulher esquece-se totalmente dele. É preciso que haja algum conflito, alguma luta, alguma violência, algum ódio. O amor - o seu chamado amor, - não é muito profundo.
É uma coisa muito superficial.
Mas o seu ódio é muito profundo; é tão profundo quanto o seu ego.
Portanto o ego é como um vento que vai empurrando as esposas entediadas para os braços de quem lhes dê alguma luta, algum desassossego.
E ainda bem que assim é.
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