Há no mundo, claramente, uma falha grave.
Os poentes são labaredas roxas com resquícios de escarlate e dois, três grandes jactos violetas que se estendem pelo céu - uma maravilha quimérica.
A outra primavera prolonga-se: superabundância de flores nas árvores, espiritualidade na matéria, como se as árvores antes de morrer se esgotassem em sonho.
Mais flores, mais poentes onde o oiro e o roxo predominam, mais gritos no mundo, mais vulcões de cores, que pressagiam catástrofes, e um ruido apagado, esquisito, insuportável dentro de nós próprios, que comparo ao som de uma borboleta esvoaçando contra as paredes de um vaso.
É a morte que faz falta à vida.
Paira sobre o mundo uma alma monstruosa, um fluido magnético, onde se misturam todas as cóleras, todos os interesses e paixões, e essa alma envolve, penetra e reclama a dor.
É a morte que faz falta à vida.
Paira sobre o mundo uma alma monstruosa, um fluido magnético, onde se misturam todas as cóleras, todos os interesses e paixões, e essa alma envolve, penetra e reclama a dor.
Formam-se tempestades e terrores electricos.
Ainda ávida, desencadeia catástrofes, desaba desgrenhada, com uivos nocturnos de desespero. Cala-se - é pior: ninguem lhe suporta o peso.
Produz jactos de oiro, auroras boreais, grandes incendios no céu, como s eo globo ardesse. Despenha-se em montanhas de cor, em abismos roxos, paira em campos etéreos de uma solenidade elísea.
São talvez os mortos que reclamam mortos.
É talvez a vida universal perturbada.
São outras gerações esquecidas, camadas informes de que ninguem suspeita o nome, legioes sobre legioes incógnitas - é a vida embrionária que reclama a sua entrada na vida...
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