domingo, 11 de março de 2012

Zé Ricardo

Invariavelmente eu e o Zé Ricardo Passos disputávamos o último lugar nos torneios anuais de hóquei em campo, disputados na "eira" do nosso gheto.
Não admirava, éramos os mais novos de um grupo que convivia saudavelmente no espaço limitado a norte pela parte sul da mata do Liceu, a oeste pela Avenida de Olivença, e a este pelos muros da propriedade do Colégio do Alto, cedido pela família Fialho às religiosas, a custo zero, para salvação das suas almas.
Faziam parte o Manel Ruivo, O Teodoro, o Zé Fernandes, eu, o Zé Ricardo, o Zé Manel, Freire,Idalécio, Ventura, Jorge, António Nobre Rodrigues, e outros de que não recordo o nome.
O torneio anual era invariavelmente ganho ou pelo Teodoro ou pelo Zé Fernandes, que eram decididamente os mais fortes.
Zé Fernandes faleceu prematuramente aos dezassete anos, e como foi a minha primeira morte ficou gravada na memória em todos os detalhes.
O Zé Ricardo também nos deixou prematuramente, e como nos separámos ainda crianças, fico sempre com a sua imagem da altura.
Quero recordá-lo aqui esperando que esteja em forma quando brevemente nos voltarmos a defrontar.

Podemos tirar os homens da nossa presença, podemos esforçar-nos por os ignorar, esquecer, reduzir ao nada, mas alguns continuarão vivendo, invisíveis, na nossa solidão.

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