domingo, 11 de março de 2012

Anamnese

Quando estive no hospital, recentemente, passando numa maca pelos corredores da morte, com tubos espetados por todos os poros, cruzei-me com uma criança recém-nascida, ao colo de uma enfermeira, que me olhou fixamente, como se me estivesse a julgar.
Até franziu a testa, naquele movimento instintivo que todos fazemos quando denotamos perplexidade ou reprovação.
Senti um arrepio na espinha e lembrei-me da teoria da reencarnação, da metempsicose, migração das almas, anamnese.
Seria aquele corpito franzino e desprotegido o novo invólucro de alguém que me conhecia, já falecido, e já por aqui andava de novo, há tão pouco tempo que ainda não se esquecera das minhas atrocidades?

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