domingo, 11 de março de 2012

VFC

Vedetas Futebol Clube, mais conhecido por Vitórias Fora e em Casa, em virtude da sua quase invencibilidade, apenas interrompida por algum excesso de confiança, dada a grande superioridade evidenciada perante os adversários.
Clube de futebol formado pelos melhores artistas da época (estamos a falar dos anos sessenta, quando jogávamos ao som dos Beatles e dos tiros das guerras colonial e do Vietname).
Joaquim Lamy Rocha, jogador cerebral, "playmaker"uma espécie de Mathaus no seu apogeu; Vitor Manuel Bexiga Ruivo, um inultrapassável defesa-esquerdo, com um poder de antecipação e capacidade de choque demolidor, ao jeito do Zezinho dos tempos áureos do Benfica;Chico Maria, poder de choque e de remate, alcunhado carinhosamente de "omnipotente" - homem com um chuto potente como o Eusébio; Matoso, o futuro repórter invisível dos rallies-TAP, mais conhecido como "Aracnídeo", dada a sua extraordinária capacidade de drible e flexibilidade a rodos os níveis;Joaquim Eduardo, conhecido também, após o seu ingresso na Academia Militar, por "infra-picuinhas", inventor do famoso "Pézinho-de-grilo", mais tarde adaptado por Artur Jorge para fazer o não menos famoso "pontapé-de-moinho"; Maia, homem-golo, fulgurante na grande e pequena área, inultrapassável no jogo subterrâneo, conhecido também nos meios Academistas por "infra-pornográfico",por motivos óbvios;Hélio Pereira, benjamim da equipa, com muita garra e pouca técnica, ao jeito de Petit do actual Benfica; Devo dizer que não me lembro de todos esses companheiros, mas nessa fabulosa equipa jogaram elementos que mais tarde vieram a ser grandes profissionais: Calotas, no Sport Faro e Benfica;Ventura, creio que jogou no Real Madrid, mas não posso garantir.
E que os outros me perdoem, especialmente o nosso guarda-redes, um verdadeiro Yachine do Algarve.
Se algum dos meus antigos companheiros ler estas linhas talvez me possa ajudar a repor a verdade, seja ela qual for.

O que é verdade é que os jogos no mítico Campo dos Blocos, com vista para a Praia dos Estudantes, para usar um eufemismo, começavam sempre com uma concentração na Azevedo Coutinho, na sede improvisada (na garagem anexa à residência de Manuel Ruivo), onde o Senhor Ruivo, pai do jogador, nos dava a táctica.
Táctica essa que era uma autêntica lição de topografia, dada a precisão com que eram desenhados os esquemas de jogo.
Finda a preleção, caminhávamos pela Azevedo Coutino abaixo, entrávamos no campo, e descíamos a estreita faixa até ao apeadeiro do Bom João.
A multidão ia-se adensando até que finalmente entrávamos em campo, já devidamente equipados, esperando que as equipas adversárias (que geralmente vinham de combóio das terras vizinhas) chegassem.
Pelo caminho sempre íamos comendo uns caracóis amarelos (para quem não sabe, nêsperas no dialecto local).
O jogo começava, sempre debaixo dum calor abrasador.
Invariavelmente sem história.
VFC.

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