domingo, 11 de março de 2012

Luis 14

Sou dos que acham que tudo o que sabemos hoje, que todo o nosso conhecimento adquirido, enquanto pessoas ou enquanto humanidade, para usar um termo mais abrangente, é algo extremamente limitado.
Vamos gatinhando ainda, para dar uma imagem que se adeqúe ao nosso estágio de desenvolvimento quanto ao conhecimento.
Por isso é que não me contenho e não resisto a denotar um tique nervoso sempre que alguém usa o termo absoluto. “Tenho a certeza absoluta”, ou “Tal é comprovado pela ciência de uma forma absoluta”.
Ah! Mas nada fracassa tanto como o sucesso ou as coisas tidas por absolutas, que estão sempre a ser desafiadas, desmentidas, actualizadas.
Esse conceito do absoluto torna-se perigoso quando alimenta os egos colectivos, por exemplo os fanatismos religiosos em que todos se dizem detentores da verdade absoluta.
Este absolutismo, perante o qual, o de Louis XIV pareceria uma brincadeira de crianças, tem sido o responsável pelo aparecimento das chamadas identidades assassinas, numa espécie de competição infernal, em que só um poderá sobreviver.
De facto, por definição, não pode haver mais que uma verdade absoluta, à imagem do rei absoluto.
Será que ninguém se apercebe, na sua cegueira louca, que tudo é inexoravelmente relativo

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