domingo, 11 de março de 2012

As 3 virtudes que eu queria ter

A desilusão é a grande inimiga das boas intenções.
Quando me contam maravilhas de um lugar, de uma pessoa, de um mundo novo, tenho ganas de tudo conhecer, como Tomé, para comprovar as maravilhas que me são contadas.
É claro que acredito em tudo o que ele me diz, que faço fé nas suas descrições, um pouco ingenuamente, claro, pois bem sei, e escrevo e volto a escrever que a psicologia é a diferença entre a realidade e a percepção, e blá, blá, blá, mas…tenho fé.
Só que depois de ver com os meus olhos e a minha mente, está visto.
Para que quero eu a Fé, se já conheço a realidade.
Digamos que a Fé tem o prazo de validade de um tabu.
Só existe enquanto não for revelado.
Ponho de lado a fé nos outros e volto-me para outra virtude, a Esperança.
Para esta não preciso de aconselhamento alheio. Nunca me falta, seja na mesa da escrita ou na mesa de operações.
Mas cedo também morre, quando acabo a frase ou acabam de me coser.
Virtudes temporárias, sem consistência, sem continuidade, desfazem-se ao primeiro embate com a realidade e morrem ali, deixando-me a falar sozinho.
Inegavelmente resta-me a Caridade, a virtude que cresce à medida que é executada, como se alimentasse de si mesma.
Não é um desejo, nem uma certeza, uma ambição.
É um estado de alma, uma qualidade intrínseca, que infelizmente não possuo.
Não conto com os outros, da mesma forma que eles não podem contar comigo.
Sou um ser individual, egóico, egoísta, tenho por isso a atenuante de não me camuflar em falsas qualidades.
Exijo que me ignorem se de algo eu precisar, do mesmo modo que peço que não me incomodem com pedidos de auxílio.
Sou o que sou, ninguém pode evidenciar as qualidades que não possui, e logo por azar, a única qualidade perene que poderia assumir, não faz parte do meu cardápio.

Sem comentários:

Enviar um comentário