Para o meu amigo Quim
Na sequência de um comentário de um antigo colega meu à minha última entrada, em que recordava o medo que nós tínhamos ao atravessar o Arco do Repouso, a ponto de nos benzermos, tenho que fazer algo para recordar os meus colegas da Casa dos Rapazes.
"...Os seus dedos tremiam, ao despir-se no dormitório. Disse aos seus dedos que se apressassem. Tinha de se despir e depois ajoelhar e fazer as suas próprias orações e meter-se na cama antes que o gás baixasse, para não ir para o Inferno quando morresse.Tirou as meias, enrolando-as e enfiou rapidamente a camisa de dormir, ajoelhando-se, a tremer, junto da cama, e recitou rapidamente as suas orações, cheio de medo que baixassem o gás. Sentia os ombros a tremer enquanto murmurava:
Deus abençoes o meu pai e a minha mãe e mos conserve!
Deus abençoe os meus irmãozinhos e mos conserve!
Deus abençoe a Lara e o tio Jaime e mos conserve!
Benzeu-se e trepou rapidamente para a cama e, enrolando os pés na fralda da camisa, enroscou-se por baixo dos lençóis brancos e gelados, tiritando. Mas não iria para o Inferno quando morresse; e as tremuras haviam de parar. Uma voz desejou boa noite aos rapazes do dormitório da Casa dos Rapazes. Espreitou rapidamente por cima das cobertas e viu os cortinados amarelos em volta da sua cama que o isolavam por todos os lados. A luz foi baixando,lentamente.
Os sapatos do prefeito afastaram-se. Para onde iria? Desceria a escada e seguiria pelos corredores fora ou iria para o seu quarto? Viu a escuridão. Seria verdadeira a história do cão negro que se passeava pelo dormitório, de noite, com olhos do tamanho de lanternas das carruagens? Dizia-se que era o fantasma de um assassino...."
Deus abençoes o meu pai e a minha mãe e mos conserve!
Deus abençoe os meus irmãozinhos e mos conserve!
Deus abençoe a Lara e o tio Jaime e mos conserve!
Benzeu-se e trepou rapidamente para a cama e, enrolando os pés na fralda da camisa, enroscou-se por baixo dos lençóis brancos e gelados, tiritando. Mas não iria para o Inferno quando morresse; e as tremuras haviam de parar. Uma voz desejou boa noite aos rapazes do dormitório da Casa dos Rapazes. Espreitou rapidamente por cima das cobertas e viu os cortinados amarelos em volta da sua cama que o isolavam por todos os lados. A luz foi baixando,lentamente.
Os sapatos do prefeito afastaram-se. Para onde iria? Desceria a escada e seguiria pelos corredores fora ou iria para o seu quarto? Viu a escuridão. Seria verdadeira a história do cão negro que se passeava pelo dormitório, de noite, com olhos do tamanho de lanternas das carruagens? Dizia-se que era o fantasma de um assassino...."
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