domingo, 11 de março de 2012

Acordo ortográfico

Não sei se estou mais entusiasmado com a aprendizagem do sotaque que vou fazer ao Brasil, se com a comida baiana da Dádá, se com o curso que me vão ministrar, de Pai de Santo.
É o pagar de uma promessa que fiz a um orixá há uns anitos na ópera de Manaus.
Assim por assim, já fiz tantos cursos ao longo da vida que o que preciso mesmo é de os esquecer e voltar-me para o místico.
Creio até que será a única maneira de suportar o que aí vem.
Os presságios avolumam-se, de facto.
Mas devo ser sincero - o que de facto me leva a voltar lá muitas vezes, para além da atmosfera única e da tranquilidade, são os políticos brasileiros.
São absolutamente honestos quanto à sua desonestidade.
Ao pé deles os nossos são uns amadores.
Apenas menciono aqui, e já na expectativa que o futuro acordo linguístico traga também desenvolvimentos políticos ao mais baixo nível, três frases paradigmáticas de um conhecido governador de Estado:
1ª frase: (campanha eleitoral) " Vocês mi conhecem...eu roubo mas eu faço..."
Obviamente que nós também cá temos disto, o que nos coloca perante duas opções: ou votamos nos que roubam e fazem ou votamos nos que apenas roubam. Mas, já se ouviu algum político luso em campanha dizer o seu objectivo com todas as letras? Não me lembro!
2ª frase: (Na noite eleitoral, após a vitória folgadíssima) " Não, meu chapa, felizmente não sou homem de convicções...isso limitaria muito a minha existência"
Obviamente que tem razão! Como pode um verdadeiro político ter convicções? No mínimo nunca seria eleito.Não é preciso muita imaginação.Vejam o Engenheiro (que parece ter sido, que eu saiba, o único chefe de Governo a ter que ir à televisão mostrar o canudo).
3ª frase: ( à pergunta sobre qual seria a sua primeira medida) "Vou já prêpará o time para a próxima campanha eleitoral"
Obviamente que sim. É de homem! Dizer o que todos fazem mas só ele diz é ter coragem.Se eu votasse no Brasil o meu voto iria direitinho para ele.
Claro que hoje em dia a prioridade de um recém-eleito é a reeleição, lá como cá.

Mal posso esperar pelo acordo ortográfico.

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