domingo, 11 de março de 2012

Idade da inocência

Esta fotografia tem quase 5o anos.
Ano lectivo 1958/59!
2ª classe.
Nela se vêem um conjunto de miudos na escadaria da velhinha Escola da Sé, que dava acesso à Escola anexa do Magistério Primário.
Claramente, com a sua atitute maternal e carinhosa está a nossa saudosa professora Drª Lucinda, (a quem nunca agradeci devidamente todo o seu amor) e as Professoras estagiárias Maria Carolina Costa Fernandes, Maria Leone Leal Costa e Júlia Rosalina Brito Neves, que me concederam um autógrafo para a posteridade.
Este é o cenário.
Os bastidores eram porém mais complicados.
Estamos então numa cidade de Faro fechada sobre si própria, quase medieval, marialva num certo sentido .
Pobres e pobreza convivem a rodos.
Cidade fechada.
Muitos de nós sobrevivem com o leite que o Estado Novo fornece impreterivelmente às 10 h da manhã.
Muitos destes miudos dormem nas instalações precárias da Casa dos Rapazes, no Bom João ou perto da Escola Industrial.
Cidade indiferente.
Há um que sobrevive fazendo de ardina, outro de engraxador.
Estou a vê-los aqui, nesta foto, e pergunto-me o que lhes terá acontecido.
Cidade triste em certo sentido.
Em oposição há um certo grupo social que contrasta claramente com a maioria, seja frequentando a Gardy ou andando a cavalo na Rua de Santo António.
Cidade amada.
As injustiças existiram, existem e existirão.
Como diria Osho, não podemos amar o Criador sem amar a Criação.
Descobri que toda a minha família da parte da minha mãe, até finais do século XVII, eram da freguesia de S.Pedro.
Aí vivi os melhores momentos da minha vida, até aos 17 anos.
Continuo a regressar, mas é um facto que ninguém vai duas vezes ao mesmo sítio.
Até sempre.

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