Que fazer quando finalmente obtemos aquilo com que sempre sonhámos, que sempre desejámos?
Quem é capaz de escapar ao que diz a palavra desejo?
Nem as roupas, nem o silêncio, nem a noite, nem as máscaras, nem sequer os pensamentos voluntários conseguem dissimular completamente a vergonha dos fantasmas que nos enlouquecem.
Aquele que decidisse implorar piedade pelo seu desejo, imploraria em vão.
O tipo que tenho à minha frente, que me oferece a cabaça do chá-mate e que a seguir mexe as brasas do fogão, chama-se Nicanor e é ao mesmo tempo, o melhor e o mais conhecedor dos batedores.
Também tem um apelido, mas exige que eu nunca o referencie a ninguém.
É ele que me vai levar e a mais doze almas, à Patagónia.
A avioneta começou a correr pela lama, e olhando para o painel de comandos do aparelho, dá-me vontade de saltar.
O ponteiro do horizonte não funcionava e o indicador de combustível há muito desapareceu.
Mas confiamos na sorte.
Descolámos, sem saber como nem porquê.
Quanto não vale esta viagem ao interior de nós próprios, dos nossos mais inconscientes receios?
Voamos agora sob um tecto de nuvens espessas e cinzentas.
O ar quente das tempestades apropriou-se da cabina.
Com algum alívio vi que a bússola funcionava: íamos para sudoeste.
Vinte minutos depois vimos a linha verde serpenteante de um rio, o Huapuno, um afluente do Amazonas.
Vamos voar sobre a selva sobre um tapede verde inconfundível.
Já há quem consiga sorrir.
Quem é capaz de escapar ao que diz a palavra desejo?
Nem as roupas, nem o silêncio, nem a noite, nem as máscaras, nem sequer os pensamentos voluntários conseguem dissimular completamente a vergonha dos fantasmas que nos enlouquecem.
Aquele que decidisse implorar piedade pelo seu desejo, imploraria em vão.
O tipo que tenho à minha frente, que me oferece a cabaça do chá-mate e que a seguir mexe as brasas do fogão, chama-se Nicanor e é ao mesmo tempo, o melhor e o mais conhecedor dos batedores.
Também tem um apelido, mas exige que eu nunca o referencie a ninguém.
É ele que me vai levar e a mais doze almas, à Patagónia.
A avioneta começou a correr pela lama, e olhando para o painel de comandos do aparelho, dá-me vontade de saltar.
O ponteiro do horizonte não funcionava e o indicador de combustível há muito desapareceu.
Mas confiamos na sorte.
Descolámos, sem saber como nem porquê.
Quanto não vale esta viagem ao interior de nós próprios, dos nossos mais inconscientes receios?
Voamos agora sob um tecto de nuvens espessas e cinzentas.
O ar quente das tempestades apropriou-se da cabina.
Com algum alívio vi que a bússola funcionava: íamos para sudoeste.
Vinte minutos depois vimos a linha verde serpenteante de um rio, o Huapuno, um afluente do Amazonas.
Vamos voar sobre a selva sobre um tapede verde inconfundível.
Já há quem consiga sorrir.
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