sábado, 17 de março de 2012

Para os eleitores indecisos como eu

Estou de novo perante a situação que desesperadamente pretendi evitar a tanto custo.
Escolher.
Mas escolher implica rejeitar e quando se rejeita perde-se algo.
Que nunca saberemos como teria funcionado, como nos teria influenciado, guiado...
Só, entre escolhos e luminosidades que por vezes nos ofuscam, tento decidir.
Hesito, entre avanços e recuos, tento arranjar algo que conforte a mente a a ajude a decidir.
Mas quem quero eu afinal satisfazer?
Eu, ou a minha mente, essa amante que existe para nos bajular, enganar, desviar.
Ou será que...
Será a escolha apenas um acto académico, desnecessário, face à nossa escolha universal a que chamamos destino?
Como poderei eu escolher o perdão, quando tudo me foi tirado?
Tudo me foi sonegado, menos a esperança, a capacidade de seguir em frente.
Então, suavemente , pouso a mão calejada sobre o boletim de voto.
Rebobino a minha vida e pela primeira vez sinto-me com coragem para escolher.
Fecho o solhos , lentamente, e assino de cruz.
Saio da câmara, gelada e lúgrube, aspiro o ar frio da noite invernosa.
Olho vagamente para o céu, onde curiosamente nenhuma estrela quer ser minha testemunha,
esboço um ténue sorriso de felicidade e percorro pela primeira vez o caminho da escolha definitiva.

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