sábado, 17 de março de 2012

Apologia de José Sócrates

Não penso que ele pretenda fazer mal aos portugueses.
Teceu apenas um feitiço à nossa volta que acabou por nos fazer mal, distraindo-nos das grandes questões que deviam ser a nossa preocupação.
Apenas e tão só isso.
Sócrates é um homem sem lar à procura de um lugar no mundo.
Criou uma espécie de domesticidade em algumas casas adquiridas com dinheiro lavado e fez delas o seu refúgio.
A solidão é o destino deste vagabundo da política; ele é um estranho onde quer que vá, existindo apenas pelo poder da sua própria vontade.
Quando foi a última vez que alguma mulher o elogiou e o chamou seu?
Quando foi a última vez que se sentiu verdadeiramente estimado, ou digno, ou valioso?
Quando um homem não é desejado, há uma coisa nele que começa a morrer.
Algo indefinido, mas que lentamente começa a adquirir contornos nítidos e perturbadores.
Um homem precisa de outros homens que se virem para ele de dia e de uma mulher que se aninhe nos seus braços de noite.
Pensamos que ele não tem esse alimento há muito tempo, o nosso primeiro ministro.
Há nele uma luz que se vai apagando lentamente, mas que já brilhou com grande intensidade noutra vida.
É verdade que não se sabe bem como foi essa outra vida.
O nome dele é porém ilustre na sua cidade natal, mas se assim for, ele deverá ter sido excluído da sua protecção.
Quem sabe por que razão ele foi banido?
Verificamos que passámos a divertir-nos com a sua mensagem, mas não cuidamos para já de desvendar os seus mistérios.
Talvez tenha sido um criminoso, talvez até um assassino, não o sabemos dizer.
O que se sabe é que atravessou o mundo para deixar uma história para trás e contar outra, que a história que ele nos trouxe é a sua única bagagem, e que o seu desejo mais profundo é o de seguir os passos de Durão, isto é, quer penetrar na narrativa que nos conta constantemente e iniciar uma nova vida dentro dela.
Em suma, é uma criatura de fábulas, e uma boa ilusão nunca fez mal a ninguém.
Até agora...

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