sábado, 17 de março de 2012

O Bar

É quase manhã quando viramos costas ao rio e caminhamos lentamente em direcção à cidade.Lá está o velho bar que tão bem conhecemos de noites mais felizes. O mesmo barman, as mesmas mesas dispostas em recantos íntimos, as mesmas paredes escuras com quadros indecifráveis em tons azuis, a mesma intimidade que convida ao pecado.
Sentas-te no teu lugar preferido, e esboças pela primeira vez um ténue sorriso, enquanto eu me intimido a olhar para ti e procuro as palavras certas.
Fico na sombra, por acaso, e é como se só tu existisses.
Olhas timidamente para o lado, evitando o olhar.
Quem terá coragem de começar, de contar as mentiras ou as verdades que ambos decorámos?

In O livro da Separação de Akraan Mitspur Rajik

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