sábado, 10 de março de 2012

Justiça, que é isso?

Troy Davis, de 42 anos, que se encontrava no corredor da morte desde 1991, foi executado por injecção letal na prisão do Estado da Geórgia em Jackson, no dia 21 de Setembro, apesar das sérias dúvidas em torno da sua condenação.
António Ferreira da Silva matou o ex-companheiro da filha, o advogado Cláudio Rio Mendes, enquanto tinha a neta ao colo. As imagens do homicídio, retiradas de um vídeo amador, comprovam que a menina, de quatro anos, assistiu ao momento em que o pai foi assassinado com cinco tiros, a 6 de Fevereiro, no parque da Mamarrosa, em Oliveira do Bairro.
Em ambos os casos dizem que foi feita justiça.
Mas que raio de coisa é esta, a justiça, que num lado do Atlântico manda um assassino comprovado e confesso em liberdade, para a sua magnífica mansão, vivendo com a  neta cujo pai matou, apenas com uma pulseira descartável no pulso, sob o argumento d equ enão iria repetir o crime (pudera!) e no outro lado da rua, isto é, do oceano, liberta das agruras da vida, por injecção leal, um presumível assassino, cuja culpabilidade é duvidosa?

Se ambos os lados fizeram justiça, então um pelo menos está errado, se não forem os dois, e mesmo se quisermos acreditar na filosofia socrática que dizia que o fogo é o mesmo em Mamarrosa ou em Jacknonville, mas o pensamento dos homens é diferente nos dois locais, ficaremos perplexos ao ver que ambos os locais, escusos e pachorrentos, apelidam igualmente d ejustiça as decisões tomadas.

A menos que ambos estejam a ver fragmentos da justiça, e como tal, a ver o filme de uma perspectiva subjectiva, falível, parcial, esquisita.

Ou então poderemos ainda imaginar que os juízes que decidem baseados na sua longa experiência de vida e de justiça, estejam perfeitamente convencidos que independentemente dos erros que possam cometer, das atrocidades até, dada a natureza falível da condição humana, e os juízes, até prova em contrário, são humanos, justiça far-se-à sempre. Se não for neste mundo será certamente no outro.

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