Entre os políticos e o povo que os elege existe um acordo tácito: o povo elege os menos maus dos candidatos e os políticos desempenham alegremente essa função.
Por isso uns e outros estão ilibados de culpas.
E é também por isso que os políticos são todos iguais, como o povo gosta de dizer.
São feitos à nossa imagem e semelhança, dizem-nos mentiras para não nos assustar e nós retribuímos a atenção continuando a depositar o nosso voto na urna.
Entretanto surgem uns loucos com a mania de que qualquer verdade é melhor do que a mais branca das mentiras.
São doidos.
E imaturos.
A verdade é para ser aplicada com parcimónia, em pequenas doses, senão o pobre ser humano estranho e frágil não a suporta.
E assim se perpetua o mundo dos enganos permitidos.
É por isso que o mundo é estranho, porque a teia de mentiras é tão elaborada e espessa que não permite vislumbrar a claridade.
E os poucos que tentam ver para além das sombras morrem asfixiados como peixes nas redes.
Que saudades que eu tenho da Ponta do Altar, ou mesmo da Ria Formosa.
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